DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quarta-feira, 7 de março de 2012

O significado de "Ministério" na tradição reformada: Dr. Michael S. Horton.


Dr. Michael S. Horton * * * Embora tivesse “ido à frente” aceitar a Cristo somente há um mês atrás, Bob, que recentemente encerrara sua carreira na NFL (Liga Nacional de Futebol Americano), tinha acabado de informar seu grupo de discipulado que havia sido chamado para o ministério. De fato, na semana seguinte ele se juntaria a um comerciante que também decidira que havia sido chamado para o ministério. Juntos, eles formariam uma equipe evangelística para o meio esportivo. Uma história familiar para aqueles dentre nós que foram criados num círculo evangélico, este relato fictício ilustra a importância prática da pergunta “O que é ministério?” O verbo “chamar”(kalein) e o substantivo “chamado” (klesis) têm uso abundante e, até certo ponto, variado no Novo Testamento. Ser “chamado” é ser afetuosamente convidado por Cristo a vir e receber vida eterna. Mas nem todo o que ouve esse convite universal responde; o Espírito Santo deve conduzir o eleito a Cristo através de um verdadeiro despertar da morte espiritual. Lázaro nunca poderia ter saído do túmulo simplesmente pelo convite de Cristo, à parte da ação poderosa de Deus internamente, restaurando vida. Da mesma forma, “ninguém pode vir a Mim”, disse Jesus, “a menos que o Pai, que Me enviou, o traga; e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo. 6:44). Jesus não somente chamou pecadores ao arrependimento (Mt. 9:13); Ele chamou os doze para serem Seus discípulos (Mt. 4:21). Ele não somente chamou e justificou os que foram predestinados (Rm.8:30), mas chamou alguns do Seu povo para serem seus representantes e supervisores da sua igreja. Mas o que dizer do sacerdócio de todos os crentes? Um dos temas centrais da Reforma, claro, era o feliz anúncio no Novo Testamento que, nas palavras de Lutero, “O nome e ofício de sacerdote são comuns a todos os cristãos”. No Éden, Adão era ministro de Deus, mas falhou em preservar o templo de Deus do engano do maligno. No deserto, Deus separou entre os de Israel, sacerdotes que O serviriam e O representariam junto ao povo. Deus disse a Moisés “Ajunta-me setenta homens dos anciãos e superintendentes do povo; e os trarás perante a tenda da congregação, para que assistam ali contigo. Então descerei e ali falarei contigo; tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles: e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente.” (Nm. 11:16-17). E ainda assim, há o anseio por algo maior: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito” (vs. 29). Desde cedo na história vemos o destino futuro de Israel como “reino de sacerdotes e nação santa” (Ex. 19:6). Mais tarde, através dos profetas, Deus puxa a cortina ainda mais: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias” (Jl 2:28-29). Cumprido no Pentecostes, como Pedro proclamou em seu sermão (At. 2:17), esta profecia refere-se ao dia quando toda a Igreja será cheia com o Espírito e cada crente será um sacerdote, de modo que o mundo saberá que Jesus é o Cristo. Assim, a promessa feita a Israel não é inválida mas é, na verdade, cumprida na Igreja do Novo Testamento: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1 Pd. 2:9-10). Portanto, o sacerdócio do Velho Testamento está revogado, como a sombra é substituída pela realidade sólida: Cristo sendo o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm. 2: 5). Unidos com Cristo, o definitivo Profeta, Sacerdote e Rei, todos os crentes compartilham do sacerdócio do Salvador na medida em que proclamam o Cordeiro de Deus e o perdão uns para com os outros. Assim, os crentes são ordenados, “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg. 5:16). Todos os crentes são “chamados” e “sacerdotes” desde que a cortina do templo foi rasgada de alto a baixo e agora cada crente se encontra no Santo Lugar. Porque está coberto com a justiça de Cristo, o crente agora se encontra onde antes somente o Sumo Sacerdote poderia permanecer. Assim como o Espírito Santo estava sobre Moisés, e depois sobre os setenta anciãos e profetas através dos quais Ele deu a revelação de Deus em Cristo, assim hoje o Espírito está sobre e verdadeiramente dentro de cada um de nós. O verdadeiro Israel de Deus tornou-se testemunha de Cristo “em Jerusalém e em toda Judéia e Samaria, e até os confins da Terra” (At. 1:8). Quando os reformadores acusaram o sacerdócio romano de um retorno as sombras do Velho Testamento (infância), entendendo que a realidade tinha vindo em Cristo (maturidade), eles estavam, em essência, expondo novamente o Livro de Hebreus. Lutero bradou, “Cada cristão verdadeiro deveria saber que não existe nenhum sacerdote externo, visível, exceto aqueles aos quais o diabo tem levantado e exaltado através de mentiras de homens”. Mas embora esta doutrina libertadora tenha sido usada para subverter o sacerdotalismo romano, ela tem sido adulterada para distorcer o conceito bíblico de ministério. Nós freqüentemente esquecemos que a Reforma foi um conflito contra dois movimentos: Roma e os Anabatistas ou “sectarismo”. Embora criticando noções de uma casta sacerdotal com status e poderes elevados em virtude da ordenação deles, os reformadores eram, da mesma forma, severos nas suas críticas de um “livre-para-tudo” no qual, como Calvino colocou, “tudo está em confusão”. Os pregadores ambulantes, auto nomeados, e seus entusiastas foram “misturando-se aqui e ali, de forma incerta, sem designação, concentrando-se em um lugar e abandonando suas igrejas a bel-prazer”. Sobre tais

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