DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

terça-feira, 13 de março de 2012

"Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos" - Pr. João Calvino


14. E Adão não foi enganado. Ele alude à punição infligida sobre a mulher: "Porquanto obedecestes a voz da serpente, tu seras sujeita à autoridade de teu marido, e o seu desejo será para ele." (Gn 3.16) Porque ela havia dado tal conselho fatal, era certo que deveria aprender que estava sobre o poder e autoridade de outro; e porque ela levou seu marido para além do mandamento de Deus, era certo de que ela deveria ser privada de toda liberdade e deveria ser colocada sob o seu jugo. Além disso, o Apóstolo não cessa totalmente ou absolutamente seu argumento na causa da transgressão, mas acha-a também na sentença pronunciada por Deus. Ainda que essas duas declarações possam aparentar alguma contradição, de que a submissão da mulher é a punição por sua transgressão e que ela assim está desde a criação, para daí seguir que ela estava fadada à servitude antes de haver pecado, eu respondo que não há nada que impeça a condição de obediência ser natural a partir do início e que depois que a condição acidental de servir vem à existência, então a sujeição é agora menos voluntária e agradável do que havia sido anteriormente. Essa passagem também tem dado para algumas pessoas a ocasião de afirmarem que Adão não caiu por meio de erro, mas que apenas foi superado pelas seduções de sua esposa. Portanto, eles pensam que a mulher foi somente enganada pelas astúcias do maligno, a fim de acreditar que ela e seu marido poderiam ser como deuses, mas que Adão não foi totalmente persuadido por isso, mas provou do fruto a fim de agradar sua esposa. Mas essa opinião é fácil de refutar, porque se Adão não deu crédito à falsidade de Satanás, Deus não teria censurado-o: "Eis que o homem é como um de nós" (Gn 3.22). Há também outras razões pela qual não devo dizer coisa alguma, pois elas não precisam de uma longa refutação cujo erro não descansa em qualquer conjectura provável. Essas palavras de Paulo não significavam que ele ele não foi enredado pela mesma dissimulação do maligno, mas que a causa ou fonte da transgressão procedeu de Eva. 15. Salvar-se-á, porém. A fraqueza do sexo [feminino] torna as mulheres mais desconfiadas e tímidas, e a declaração anterior certamente pode aterrorizar até as mentes mais fortes. São por essas razões que ele modifica o que disse ao acrescentar a consolação; para que o Espírito de Deus não nos acuse ou reprove e triunfe sobre nós, quando estamos cobertos de vergonha, mas, quando quando fomos derrubados, ele imediatamente nos levanta. Isso talvez tenha o efeito (conforme já tenho dito) de um impressionante terror nas mentes das mulheres, quando são informadas que a destruição de toda a raça humana é atribuída a elas; mas qual será essa condenação, especialmente quando a sua sujeição, como um testemunho da ira de Deus, está constantemente colocada diante de seus olhos? Portanto, Paulo, com o propósito de confortá-las e tornar sua condição suportável, informa-as de que continuem a se regozijar na esperança da salvação, apesar de sofrerem uma punição temporal. Nisso é próprio observar que o bom efeito da consolação é duplo. Primeiro, que a esperança da salvação se estendeu a elas, prevenindo-as de cair no desespero através da menção alarmosa de sua culpa. Em segundo lugar, elas se tornam aptas a suportar calmamente e pacientemente a necessidade da servidão, se submetendo assim de bom grado ao seus maridos, quando são informadas que esse tipo de obediência é lucrativo para si mesmas e aceitável a Deus. Se essa passagem é torturante, como os papistas estão acostumados a fazer para suportar uma justiça de obras, é fácil responder. Aqui, o apóstolo não argue sobre a causa da salvação, e, portanto, não podemos ou devemos inferir a partir dessas palavras o que as obras merecem, pois ele somente [o apóstolo] manifesta sob que caminhos Deus nos conduz à salvação, para o qual Ele apontou-a através de Sua graça. Dando à luz filhos. Para os homens severos isso pode parecer absurdo, pois o apóstolo não somente exortou as mulheres a dar atenção ao nascimento de sua descendência, mas colocou esse trabalho como religioso e santo, de tal forma a representar isso à luz dos meios de obter a salvação. Mais ainda, nós temos visto como o leito conjugal foi caluniado por hipócritas que desejaram pensar serem mais santos do que todos os outros homens - mas aqui não reside nenhuma dificuldade em refutar a zombaria dos ímpios. Primeiro, o apóstolo não fala simplesmente sobre ter filhos, mas sobre suportar toda angústia que é múltipla e severa, tanto no nascimento quando na educação dos filhos. Em segundo lugar, quaisquer hipócritas ou homens sábios do mundo podem pensar isso, quando uma mulher, considerando sua vocação, submete-se na  condição a qual Deus colocou-a e não se recusa  suportar a dor, ou melhor, o medo da angústia, do parto ou da ansiedade sobre sua descendência, ou qualquer outra coisa que lhe pertença como dever - Deus valoriza essa obediência mais do que se noutras formas ela realizasse grandes virtudes heróicas, enquanto se recusa a obedecer o mandamento do Senhor. Para isso deve ser adicionado que nenhuma consolação pode ser mais apropriada e mais efetiva para manifestar-se que os próprio meios (por assim dizer) de adquirir-se a salvação, são encontrados na própria punição. Se permanecer em fé. Em consequência da antiga versão ter usado a expressão "o nascimento de filhos", isso comumente tem sido entendido como se essa cláusula se referisse a filhos. Mas o termo usado por Paulo para denotar "fértil" é uma palavra no singular, τεκνογονία, e, portanto, isso precisa se referir à mulher. Estando o verbo no plural e o substantivo no singular, isso não involve qualquer dificuldade; por um substantivo indefinido, pelo menos quando denota um grande número, tem a força dum substantivo coletivo, e, portanto, facilmente admite uma mudança do singular para o número plural.  Além disso, como ele pode não representar todas as virtudes das mulheres como incluídas nos deveres do casamento, logo a seguir ele acrescenta grandes virtudes, as quais são próprias às mulheres piedosas que devem se sobressair, sendo diferente das mulheres não religiosas. Mesmo que "fértil" seja a obediência aceita por Deus, estará muito longe do reto proceder se não tiver fé e amor. Para esses dois ele acrescenta santificação, que inclui toda toda pureza de vida da mulher cristã. Por fim, seguido de modéstia, que ele mencionou anteriormente, enquanto estava falando sobre o vestido; mas agora ele estende mais amplamente para as outras partes da vida. Por João CalvinoFonte: John Calvin commentary, The First Epistle to Timothy, Chapter II, 14, 15 - Baker Books, pgs. 69-72.

Nenhum comentário: