DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A REGENERAÇÃO: J. C. RYLE


Posted: 11 Apr 2012 05:40 PM PDT
6º capítulo do livro “Nós Desatados”De J.C.Ryle1º Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra emLiverpoolBAIXE EM PDF“Em verdade, emverdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. (João 3:3.)A regeneração é um dos assuntosmais importantes de todos os tempos. As seguintes palavras do nosso Senhor Jesus Cristo a Nicodemos são muitosérias.“Em verdade, emverdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. (João 3: 3.) O mundo passou por muitas mudanças desde que essas palavras forampronunciadas.Mil e oitocentos anos se passaram. Impérios e reinados surgiram e caíram. Grandes e sábios homens nasceram, trabalharam,escreveram e morreram. Mas ali estáa lei do Senhor Jesus, que permanece inalterada. E assim continuará, mesmo que céus e terra passem: “Em verdade, emverdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.Mas o assunto de hoje é deimportância peculiar aos membros da Igreja da Inglaterra[1].  Muitas coisas sepassaram nos últimas anos, as quais chamaram para si uma atenção especial. A mente dos homens está cheia dela e seus olhos a fixam. A regeneração tem sido discutida nos jornais. A regeneração tem sido falada em sociedades privadas. A regeneração tem sido debatida nas cortes da lei. Certamente esse é o tempo em que todo verdadeiroclérigo deve examinar-se a si mesmo neste quesito, e ter certeza de que suasopiniões estão sólidas. É chegado otempo em que não podemos nos balançar entre duas opiniões. Devemos conhecer o que defendemos. Devemos estar prontos para explicar nossas crenças. Quando a verdade é atacada, aqueles que a amam devemagarrá-la mais firmemente do que nunca.Proponho nesse papel atentarpara três questões: I. Primeiro, explicaro que é Regeneração, ou o que nascer denovo significa.II. Segundo,apresentar a necessidade da Regeneração.III. Terceiro,expor os sinais e as evidências daRegeneração.Se conseguir esclarecer essestrês pontos, terei prestado um grande serviço aos meus leitores.I. Primeiro, explicaro que é Regeneração, ou o que nascer denovo significa.Regeneração é a mudança nocoração e na natureza humanos pela qual um homem passa quando ele se torna umverdadeiro cristão.Não há dúvida alguma de queexiste uma imensa diferença entre aqueles que professam e os que seautointitulam cristãos. Por trás detoda disputa, existem sempre duas classes de cristãos aparentes: os que são cristão apenas no nome e na forma e os quesão cristãos em obras e em verdade. Nem todos os judeus eram realmente judeus, assim como nem todos oscristãos são realmente cristãos. “Na igreja manifesta”,afirma um artigo da Igreja da Inglaterra, “o mau estará sempre misturado aobom".Alguns, como o Artigo 39declara, são “ruins e estão isentos de uma fé viva", outros, aindaconforme o artigo diz, são feitos conforme a imagem do único filho de Deus,Jesus Cristo, e caminham corretamente em boas obras. Alguns adoram a Deus de forma pífia, outros O fazem emespírito e em verdade. Alguns dãoseu coração a Deus, outros o dão ao mundo. Alguns acreditam na Bíblia e vivem conforme suasordenanças,outros, não. Alguns pecam e condoem-se por isso, outros, não. Alguns amam o Cristo, confiam nEle eservem-nO,outros, não. Resumindo, como pregam as Escrituras, alguns andam pelo caminhoestreito, outros, pelo largo; alguns são os bons peixes da rede do Evangelho,outros, os ruins; alguns são o trigo no campo de Cristo, outros, o joio.[2]Acredito que homem algum,estando ele com os olhos bem abertos, deixará de enxergar isso, tanto na Bíbliaquanto no mundo que o rodeia.  Seja lá o que ele pense sobre o assunto que escrevo,ele não pode simplesmente negar que existe uma diferença. Agora, qual é a explicação dessadiferença?Respondo sem hesitar: regeneração ou nascer de novo. Respondo que verdadeiroscristãos são como são porque foram regenerados, e cristãos formais são como sãoporque não são regenerados.  O coração do cristão foi verdadeiramente mudado.  Já o coração docristão apenas no nome, não sofreu alterações. A mudança no coração faz toda a diferença.[3]Tal mudança no coração écontinuamente relatada na Bíblia, sob vários emblemas e figuras. Ezequiel identifica-a por"tirarei da sua carne o coração depedra e lhes darei coração de carne” e "dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo." (Ezequiel 11:19; 36:26.).O apóstolo João algumas vezes achama por “nascido de Deus”, outras vezes por “nascido de novo" e, ainda,por "nascido pelo Espírito" (Jo 1:13, 3:3,6.).O apóstolo Pedro, em Atos,chama de “arrependei-vos e convertei-vos.” (At 3:19.).A epístola aos Romanos falasobre ela como sendo “ressurretos dentreos mortos." (Rm 6: 13.).A segunda epístola aosCoríntios chama de “nova criatura:  as coisas antigasjá passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Co 5: 17.).A epístola dos Efésios falasobre ela como a ressurreição juntamente com Cristo:  “Ele vos deu vida, estando vós mortos nosvossos delitos e pecados” (Ef 2: 1); como “despojeis do velhohomem, que se corrompe, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vosrevistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentesda verdade” (Ef. 4: 22,24.).A epístola dos Colossenseschama por “uma vez que vos despistes dovelho homem com os seus feitos; e vos revestistes do novo homem que se refazpara o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3: 9, 10.).A epístola de Tito chama de “o lavar regenerador e renovador do EspíritoSanto.”(Tt 3: 5.).A primeira epístola de Pedrofala sobre isso como “daquele que vos chamoudas trevas para sua maravilhosa luz.” (I Pe 2: 9.).E a segunda epístola, como “coparticipantes da natureza divina” (II Pe 1: 4.).A primeira epístola de Joãochama por “passamos da morte para avida.”(I Jo 3: 14.).Todas essas expressões, nofinal, significam a mesma coisa.  Elas todas são a mesma verdade, apenas vistas de ladosdiferentes.  E todas têm o mesmoe único significado.  Elas descrevem a mudança radical do coração e danatureza humana – uma perfeita mudança e transformação do interior humano - umaparticipação na ressurreta vida de Cristo; ou, tomando emprestadas as palavrasdo Catecismo da Igreja da Inglaterra, "Uma morte para o pecado e um novonascimento para a retidão."[4]Essa mudança no coração doverdadeiro cristão é perfeita e completa, tão completa que nenhuma outrapalavra se encaixaria tão perfeitamente do que "regeneração” ou “novonascimento”.  Sem dúvida algumanão é nenhuma alteração corporal, externa, mas, indubitavelmente, uma alteraçãopor completo no interior humano.  Ela não adiciona nenhuma outra faculdade mental aohomem, mas certamente dá uma nova disposição e inclinação às capacidades queele já possui.Seu querer é tão novo, seu gosto é novo, suas opiniõessão novas, sua forma de ver o pecado, o mundo, a Bíblia, o Cristo é tão nova,que ele se torna um novo homem em todas as suas intenções e propósitos. Tal mudança faz surgir um novo ser. Pode muito bem ser chamado de “nascido de novo”.Essa mudança não é sempre dada aos cristãos ao mesmotempo em que se convertem.  Algunsnascem de novo ainda crianças e parecem, assim como Jeremias e João Batista,preenchidos com o Espírito Santo já desde o ventre de suas mães.  Alguns nascem denovo numa idade mais avançada.  A maior parte dos Cristãos provavelmente nasce de novodepois que crescem. Já a vasta multidão de pessoas, e isso é de recear, chega àcova sem nem mesmo ter nascido de novo. Essa mudança no coração nem sempre começa da mesma formanaqueles que passam pelo novo nascimento depois que crescem. Com alguns, como o apóstolo Paulo e o carcereiro emFilipo, foi uma mudança súbita e violenta, ocorrida com grande aflição deespírito.Com outros, como Lídia e Tiatira, foi mais suave egradual:seus invernos tonaram-se primavera de forma quaseimperceptível por elas. Com alguns amudança é trazida pelo Espírito trabalhando através de aflições e visitasprovidenciais.Com outros, e provavelmente aqui se encontra o grandenúmero de verdadeiros cristãos, a Palavra de Deus, pregada ou escrita, é o meiopelo qual são influenciados.[5]Essa mudança só pode ser conhecida e discernida pelosseus frutos. Seus começos sãoalgo escondido e secreto. Não podemosvê-los.Nosso Senhor Jesus Cristo nos diz da forma mais clara: “O vento sopraonde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim étodo o que é nascido do Espírito” (João 3: 8.) Saberíamos seestivéssemos regenerados? Devemostentar responder à questão examinando o que sabemos sobre os efeitos daregeneração.Esses efeitos são sempre os mesmos. Os caminhos pelos quais verdadeiros cristãos sãolevados, passando por grandes mudanças, certamente são vários. Mas o estado do coração e da alma para o qual eles sãolevados é sempre o mesmo. Pergunte-oso que eles acham sobre o pecado, Cristo, santidade, o mundo, a Bíblia e aoração e você os verá como uma única mente.Essa mudança nenhum homem pode dar a si mesmo ou a outro. Isso seriatão razoável quanto esperar que os mortos se levantassem ou pedir para que umartista desse vida a uma estátua de mármore. Os filhos de Deus "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade dohomem, mas de Deus.” (Jo 1:13). Algumas vezes a mudança é designada por Deus, o Pai: “Bendito o Deuse Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nosregenerou para uma viva esperança." (I Pe 1:3). Algumas vezes atribuída a Deus, o Filho: “O Filhovivifica aqueles que (Ele) quer.” (Jo 5:21.) “Se sabeis queele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascidodEle.”(I Jo 2: 29.) Algumas vezes é atribuída ao Espírito Santo, e Ele é, verdadeiramente, ogrande agente pelo qual ela é sempre efetuada: “O que é nascido doEspírito, é espírito.” (Jo : 6.) Mas o homem não tem poder algum para trabalhar na mudança. Algumas vezes ela está longe, muito longe de seualcance.“A condição do homem depois da queda de Adão,” diz odécimo artigo da Igreja da Inglaterra, "é tamanha que ele não pode mudar-sea si mesmo pela sua própria força e trabalho, mas pela fé e clamando por Deus”. Nenhum ministro naterra pode dar graça a alguém de sua congregação pelo seu próprio juízo.  Ele pode pregar tãoverdadeiramente e fielmente quanto Paulo e Apolo, mas de Deus “veio o crescimento" (I Co 3: 6.) Ele pode batizar com água no nome da Trindade, mas a não ser que o SantoEspírito acompanhe e abençoe a ordenação, não haverá morte para o pecado,tampouco nascimento para a retidão. Apenas Jesus, a Cabeça da Igreja, pode batizar com o Espírito Santo. Abençoados e felizes são aqueles que têm tanto obatismo interno quanto o externo.[6]Acredito que o relatoprecedente da Regeneração seja bíblico e correto. É essa mudança de coração que distingue a marca de umverdadeiro cristão, a companhia invariável de uma fé justificada em Cristo, a inseparávelconsequência de uma união vital com Ele e a raiz e o princípio de umasantificação do corpo. Peço a meusleitores que ponderem bem antes de irem mais além. É de extrema importância que nossas visões estejamclaras nesse ponto, sobre o que aregeneração verdadeiramente é.Eu sei bem que muitos nãopermitirão que a Regeneração seja aquilo que eu acabei de descrever.  Eles dirão que asentença que acabei de dar é, por definição, muito forte.  Alguns defendem queRegeneração significa apenas o acesso a um estado de privilégios eclesiásticosao tornar-se membro da igreja, mas que não significa uma mudança no coração.  Alguns nos dizemque um homem regenerado tem certo poder dentro dele que o permite arrepender-see acredita que seus pensamentos se encaixam, mas que ainda precisa de umamudança mais ampla a fim de tornar-se um verdadeiro cristão.  Alguns dizem que hádiferença entre regeneração e nascer de novo.  Outros dizem que hádiferença entre nascer de novo e conversão. A tudo isso, tenho uma simplesresposta, ei-la: não consigo encontrartal forma de regeneração falada em qualquer lugar da Bíblia. A regeneração que significa apenas admissão a umestado de privilégio eclesiástico pode ser antigo e primitivo, pelo que eusaiba.Mas algo mais do que isso é preciso. Alguns textos claros da Escritura são necessários, etais textos ainda precisam ser encontrados.Essa noção de regeneração écompletamente inconsistente com o que João nos dá em sua primeira epístola. Ela torna necessária a invenção de uma teoria ineficazde que existem duas regenerações, e é altamente calculada com o intuito deconfundir as mentes de pessoas sem conhecimento e introduzir falsas doutrinas. É um conceito que parece não corresponder a solenidadecom a qual nosso Senhor introduz o assunto a Nicodemos. Quando Ele disse “Em verdade, em verdade te digo que,se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”, Ele quis sereferir que não poder ver o reino de Deus o que não é admitido para um estadode privilégio eclesiástico? CertamenteEle quis dizer muito mais do que isso. Tal espécie de regeneração um homem pode ter, como Simão, o Mago, e,mesmo assim, nunca ser salvo. Essa regeneraçãoladrão arrependido jamais poderia ter sentido ou experimento, mas mesmo assim,se acha ao Reino de Deus. Com certezaEle quis dizer uma mudança de coração. Quanto à ideia de que existe alguma distinção entre ser regenerado e sernascido de novo, essa não terá investigação. É de senso comum entre todos os que conhecem grego,que essas duas expressões significam a mesma coisa.Para mim, realmente, pareceexistir muitos conflitos de ideias e apreensões indistintas na mente humanaquanto a essa questão - o que a regeneração realmente é - e todas surgindosimplesmente por não aderirem à Palavra de Deus. Que um homem é admitido a um estado de grandeprivilégio quando ele se torna membro de uma pura Igreja de Cristo, isso eu nãonego em momento algum. Que sua almaestá numa posição muito melhor e bem mais vantajosa do que se não pertencesse àigreja, isso eu nem sequer questiono. Que uma larga porta foi aberta perante sua alma, a qual não é postadiante do pagão, isso eu posso claramente ver. Mas em momento algum vejo a Bíblia nomeando esse acontecimentocomo Regeneração. E não encontro um único texto na Escritura que autorize tal suposição. É muito importante na teologia distinguir as coisasque se diferem. Os privilégios naIgreja são uma coisa; a Regeneração, outra. Quanto a mim, não ouso confundi-las.[7]Estou bem ciente de que grandese bons homens tem se agarrado a essa baixa visão da Regeneração advertida pormim.[8] Masquando a doutrina do eterno Evangelho está em jogo, não posso chamar nenhumhomem de mestre. As palavras dovelho filósofo nunca devem ser esquecidas: “Eu amo Platão,eu amo Sócrates, mas amo a verdade mais do que a ambos”. Digo sem hesitar que aqueles que defendem a visão deque existem duas regenerações, não são capazes de trazer nenhum texto claro quecomprove isso.Acredito firmemente que nenhum leitor da Bíblia jamaisencontraria esse ponto de vista; e isso me é suficiente para suspeitar de queessa é uma ideia da cabeça humana. A única regeneração que vejo nas escrituras não é uma mudança de estado,mas de coração. Essa é a visão,mais uma vez afirmo, que o Catecismo da Igreja prega quando fala de “morte parao pecado e novo nascimento para a retidão”, e é nessa visão que eu acredito.A doutrina diante de nós é devital importância.  Não é problema de nomes, palavras ou formas sobre o que escrevo.  Se seremos salvos,isso é algo que devemos sentir e saber por experiência, cada um por si só. Tentemos nos familiarizar com isso. Não deixemos que o rumor e a fumaça da controvérsiadesvie nossa atenção de nossos corações.  Nossos coraçõesestão mudados?É um trabalho difícil discutir, argumentar e disputarsobre regeneração se, no final, não sabemos nada sobre ela.II. Deixe-memostrar, em segundo lugar, a necessidadeque temos em ser regeneradores ou nascidos de novo.Essa necessidade fica maisclara através das palavras do nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro capítulodo evangelho de João. Nada podeser mais claro e positivo do que o que Ele fala a Nicodemos: “Em verdade, emverdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino deDeus”. “Não te admires deeu te dizer: importa-vos nascer de novo"(Jo: 3: 3, 7.)As razões para essa necessidadesão o pecado e a corrupção excessiva de nossos corações primitivos. As palavras de Paulo aos Coríntios são perfeitas: “Ora, o homemnatural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura” (I Co 2: 14.) Assim como os rios correm para a foz, faíscas voam pelos céus e pedrascaem no chão, assim o coração do homem naturalmente se inclina para o mal. Amamos os inimigos de nossas almas e odiamos os amigosdelas.Nós chamamos o bem de mau e o mau de bom. Regozijamo-nos no pecado, mas não vemos prazer algum emCristo.Não apenas cometemos pecado, mas também o amamos. Não precisamos somente limpar-nos da culpa do pecado,mas também precisamos ser libertos de seu poder. O tom natural, o preconceito e a correnteza de nossasmentes devem ser completamente alterados. A imagem de Deus, que foi manchada pelo pecado, deveser restaurada. A desordem e aconfusão que reina em nós devem ser posta de lado. As primeiras coisas já não devem mais ser as últimas,nem as últimas as primeiras. O Espíritodeve deixar entrar a luz em nossos corações, colocar tudo em seu devido lugar ecriar coisas novas.Sempre deve ser lembrado queexistem duas coisas distintas que o Senhor Jesus Cristo faz para todo pecadorsalvo por Ele.Ele o lava de todos os seus pecados com o Seu própriosangue e dá o perdão de graça: isso éjustificação. Ele coloca oEspírito Santo no seu coração e faz dele uma pessoa completamente nova: isso é regeneração.Ambas são absolutamente necessárias para a salvação. A mudança de coração é tão necessária quanto o perdão;e o perdão é tão necessário quanto a mudança de coração. Sem o perdão, não temos nem o direito nem o título parairmos ao céu.Sem a mudança, não deveríamos estar reunidos nemprontos para desfrutar do céu, mesmo se chegarmos nele.Regeneração e justificação nunca andam separadas.  Nunca sãoencontradas isoladas.  Todo homem justificado também é regenerado, e todohomem regenerado é justificado.  Quando o Senhor Jesus Cristo dá ao homem remissão dospecados, Ele também dá arrependimento.  Quando Ele concedepaz com Deus, Ele também concede "poderpara se tornar filho de Deus”.  Existem duasgrandes máximas do glorioso Evangelho que nunca devem ser esquecidas.  Uma é: “Quem crer e forbatizado será salvo” (Mc 16: 16.), a outra: “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo,esse tal não é dEle” (Rm 8: 9.)O homem que nega a necessidadeuniversal da regeneração sabe pouquíssimo sobre a corrupção do coração.  Aquele que fantasiaque o perdão é tudo o que precisamos para chegarmos ao céu, e não vê que operdão sem a mudança de coração é um presente inútil, é um cego.  Bendito seja Deus,pois ambos nos são oferecidos gratuitamente pelo Evangelho de Cristo e porqueJesus está apto e disposto a nos dar tanto um, quanto outro!A A grande maioriadas pessoas no mundo não vêem nada, nãosentem nada e não sabem nada de religião como deveriam.  Como e porque isso ocorre, não é a presente questão.  Apenas a coloco noconsciente de cada leitor deste volume. Não é isso verdade? Diga-lhes sobre opecado em muitas ações que eles praticam continuamente, e o que é geralmente aresposta? "Eles não vêem malalgum".Avise-os sobre ogrande perigo pelo qual suas almas passam, o pouco tempo que tem, a proximidadeda eternidade, a incerteza da vida, a realidade do julgamento. Eles não sentemmedo.Pregue-lhes sobre a necessidade de um Salvador poderoso, amoroso e divino e sobre aimpossibilidade de serem salvos do inferno, exceto pela fé nEle. Tudo cai de pisado e morto em seus ouvidos. Eles não vêemtamanha barreira entre eles e o céu.Fale sobre asantidade e o alto padrão de vida que a Bíblia exige.  Eles não conseguemcompreender a necessidade de tamanho rigor.  Eles não veem utilidade em ser tão bom. Existem milhares e milhares depessoas assim em cada um de nossos lados. Eles escutarão tudo isso durante toda sua vida. Eles irão até mesmo participar do ministério dosmelhores pregadores e escutar aos apelos mais poderosos às suas consciências. E, ainda assim, quando você for visitá-los em seuleito de morte, eles serão como homens e mulheres que nunca escutaram essascoisas.Eles não conhecem nada sobre as principais doutrinasdo evangelho por experiência. Elas nãoconseguem apresentar razão alguma para sua própria esperança.E por qual motivo tudo isso? Qual a explicação? Qual é a causa de tamanho estado? Tudo isso vem do fato de que, naturalmente, o homemnão tem senso espiritual algum sobre as coisas. Em vão o sol da retidão brilha perante ele: os olhos de sua mente estão cegos, não podem ver. Em vão a música de Cristo convidando-o toca  ao redor dele: os ouvidos de sua alma estão surdos, não podemescutar.Em vão a ira de Deus contra o pecado é levantada: as percepções de sua alma estão paralisadas, como oviajante que dorme e não percebe a tempestade chegando. Em vão o pão e a água da vida são oferecidos a Ele: sua alma não está com fome para o pão e nem com sedepara a água.Em vão ele é advertido escapar para o Grande Médico: sua alma está inconsciente dessa doença: por que eledeveria ir?Em vão você lhe dá uma quantia para que compresabedoria:a mente de sua alma vagueia. Ele é como um lunático,que chama palha de coroa e poeira de diamantes. Ele diz "eu sou rico e tenho propriedades, nãopreciso de mais nada”.  Não há nada mais triste do que a tamanha corrupção denossa natureza! Não há nada tãodoloroso quanto a anatomia de uma alma morta.Agora, do que um homem assimprecisa?Ele precisa nascer de novo e ser feito nova criatura. Ele precisa deixar completamente de lado o velho homeme transformar-se em novo. Não vivemosnossa vida terrena até nascermos para o mundo e não vivemos nossa vidaespiritual até nascermos para o Espírito.Devemos estar cientes de que agrande maioria das pessoas estão incapacitadasde se alegrarem com o céu em seu presente estado.  Eucaracterizo isso como sendo um grande fato. Não o é?Olhe a quantidade de homens emulheres reunida em nossas cidades e observe-os.  São todas criaturasmortas, seres imortais, caminhando em direção ao julgamento de Cristo, indocertamente morar ou no céu ou no inferno.  Mas onde está amais insignificante evidência de que a maioria delas está minimamentequalificada para esse encontro no julgamento e preparadas para o céu? Olhe para a melhor partedaqueles que são chamados cristãos, em qualquer lugar da terra. Pegue qualquer paróquia que quiser, não importa acidade ou o país. Pegue aquela quevocê conhece melhor. Quais os gostos eprazeres da maioria das pessoas que moram lá? Do que elas gostam mais quando tem uma escolha? O que elas desfrutam mais quando tem a chance deoptar?Observe a forma com que elas vivem seus domingos.  Perceba o ínfimoprazer que sentem ao ler a Bíblia ou ao orarem.  Perceba as noçõesbaixas e terrenas de prazer e alegria que prevalecem em todo lugar, seja entrejovens ou idosos, ricos ou pobres.  Marque bem essespontos e, então, reflita sobre essa questão: “O que essas pessoas fariam no céu?”Você e eu, poderíamos dizer,sabemos pouco sobre o céu. Nossas noçõesde céu podem ser turvas e indistintas. Mas, de qualquer forma, acredito que concordamos em dizer que o céu é umlugar santo, porque Deus está lá, Cristo está lá e os santos e os anjos estãolá, porque o pecado não se faz presente de forma alguma e porque nada é dito,pensado ou feito se Deus não o permitir. Tome isto por certo, e então não haverá dúvidas de quea grande maioria das pessoas ao nosso redor está tão adequada a ir para o céuquanto um pássaro está para nadar no oceano, ou um peixe para viver sob a terraseca.[9] E o que eles precisam paraestarem aptos a se regozijarem no céu? Eles precisam ser regenerados e nascidos de novo.  Não é uma mudançaboba nem uma reforma externa que é exigida.  Não é meramente limitarpaixões ferozes ou aquiescer afeições incontroláveis.  Isso não ésuficiente.Idade avançada, o desejo por uma oportunidade de indulgênciae o medo humano podem causar tudo isso. O tigre continua tigre, mesmo quando é preso, e aserpente continua serpente, mesmo quando ela está imóvel e enrolada. A alteração necessária está muito mais distante e ébem mais profunda. Todos devem ter umanova natureza em seu interior, todos devem ser feitos nova criatura, a nascentedeve ser purificada, a raiz deve ser endireitada, todos requerem de um novocoração e uma nova vontade. A mudançarequerida não é a da cobra, quando ela deixa sua pele e, mesmo assim, permaneceum réptil;mas sim a mudança da larva quando ela morre e sua vidatermina, porém do seu corpo uma borboleta se levanta. Um novo animal, uma novanatureza.Tudo isso e nada menos é exigido. Bem fala a Homiliadas Boas Obras[10]: “Estão tão mortos para Deus os que não temfé, como estão para o mundo os que não tem alma”.A verdade é que a vastaquantidade de cristãos professos no mundo não tem nada de Cristianismo, a nãoser o próprio nome. A realidade do Cristianismo,a graça, a experiência, a fé, a esperança, a vida, o conflito, os gostos, aânsia pela retidão, tudo isso são coisas que eles não tem um mínimo deconhecimento.Eles precisam ser convertidos tanto quanto os gentiosa quem Paulo pregou, dissuadidos dos ídolos e renovados os espíritos de suasmentes verdadeiramente, se não literalmente. E uma parte principal da mensagem que deve ser continuamentefalada a todas as congregações da terra é: “Precisaisnascer de novo”. Escrevo issodeliberadamente. Sei que soaráterrível e descaridoso a muitos ouvidos. Mas peço a qualquer pessoa que coloque o NovoTestamento em mãos e veja o que ele afirma sobre o cristianismo. Compare àsformas de cristãos professos existentes e, aí, negue a verdade que escrevoagora, caso possa.Agora, que todos os que leemessas páginas se lembrem do grande princípio da religião bíblica:  “Não há salvação sem regeneração, não há vidaespiritual sem um novo nascimento e não existe céu sem um novo coração”. Não pensemos em momento algumque o objetivo desse texto é meramente questão de controvérsia, uma questãovazia a ser discutida por homens sábios, mas nada que nos importe realmente. Ela nos concerne profundamente, toca nossos própriosinteresses eternos, é algo que precisamos saber por nós mesmos, sentir por nósmesmos, experimentar por nós mesmos, se formos realmente salvos. Nenhuma alma humana, seja ela de homem, mulher oucriança, entrará no céu sem que seja nascida de novo.[11]E não pensemos em momento algumque essa regeneração é uma mudança pela qual pessoas podem passar depois que jáestão mortas, se nem sequer terem passado por ela quando estavam vivas. Tal ideia é um absurdo. Aqui e agora é o único momento para ser salvo. Agora, nesse mundo de labuta e trabalho, de ganhardinheiro e negócios. Se tivermos que nos preparar para o céu, agora é omomento.  Agora é o momentopara ser justificado, para ser santificado e para ser nascido de novo.  Tão certo quanto aBíblia é a verdade, o homem que morre sem essas três coisas se ergueránovamente apenas no dia final, quando será jogado no fogo por toda a eternidade.Podemos ser salvos e alcançar océu sem muitas coisas que consideramos de grande importância: sem riquezas,aprendizado, livros, confortos mundanos, saúde, casa, terras e amigos, mas sem a regeneração, nunca seremos salvos. Sem nosso nascimento na terra, nunca teríamos vivido,mudado e lido essas páginas: sem o novonascimento, jamais viveremos e nos mudaremos para o céu. Queira Deus que haverá mais santos na glória do que homemalgum pode sequer imaginar. Eu me confortocom o pensamento de que, apesar de tudo, haverá muitas pessoas no céu. Mas de uma coisa tenho certeza, e estou persuadidopela Palavra de Deus, de que de todos os que alcançarem o céu, não haverá umúnico ser que não tenha sido nascido de novo.[12]III. Deixe-me, emterceiro lugar, apontar as marcas de umregenerado ou nascido de novo.É muito importante termosvisões claras e distintas sobre o assunto que tratamos. Vimos o que é a regeneração e o porquê de sua necessidadepara a salvação. O próximo passo éencontrar os sinais e evidências pelos quais um homem pode saber se ele énascido de novo ou não, se o seu coração foi mudado pelo Espírito Santo ou sesua mudança ainda está por vir.Esses sinais estão claramenteexpostos para todos nós nas Escrituras.  Deus não nos deixousem poder de conhecimento quanto a essa questão. Ele previu que muitos se torturariam com dúvidas equestionamentos e nunca acreditariam que estavam indo bem com suas almas. Ele previu que outros tomariam por certo o fato deserem regenerados, mas que não tinham direito algum a tamanha certeza. Ele, então, com sua infinita misericórdia,providenciou-nos teste de aferição de nossas condições espirituais, na primeiraepístola de João. Lá ele escreveupara que aprendêssemos o significado de homem regenerado e quais são suasações, seus caminhos, seus hábitos, sua forma de viver a vida, sua fé, suasexperiências.Todos os que desejam possuir a chave para um corretoentendimento do assunto deveriam estudar toda a Primeira Epístola de João.Eu os convido para prestar umaatenção particular às marcas e evidênciasde regeneração, enquanto tento expô-las em ordem.  Posso facilmentemencionar outras evidências fora essas que estou a referir.  Mas não o farei.  Prefiro me conter àPrimeira Epístola de João, por causa da clareza peculiar de suas sentençassobre o homem que nasce em Deus.  O que têm ouvidos que escute o que o amado apóstolotem a dizer sobre as marcas da regeneração. (1) Primeiro de tudo, Joãoafirma “Todo o que é nascido de Deus nãovive na prática do pecado” e, novamente, “Todo aquele que é nascido de Deus nãovive em pecado" (I Jo 3: 9; 5: 18.)Um homem regenerado não comete pecado como hábito. Ele já não peca com seu coração e com o desejo, cominclinação, como um homem não regenerado age. Havia provavelmente um tempo em que ele não pensava sesuas ações eram pecaminosas ou não, e nunca se sentia aflito depois de fazer omal.Não houve nenhuma luta entre ele e o pecado, eles eramamigos.Agora ele odeia o pecado, foge dele e luta contra ele,considera-o como a pior praga, geme pela carga de sua presença, lamenta quandocai em sua influência e demora para ser libertado disso. Em uma única palavra, o pecado já não o apraz e é atémesmo algo indiferente: tornou-se acoisa mais abominável odiada por ele. Ele não pode preveni-lo de habitar em seu interior. “Se dissermosque não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos” (I Jo 1:8), masele pode afirmar cordialmente que o odeia e que o maior desejo de sua alma énão cometer pecado algum. Ele não podeprevenir que pensamentos ruins cresçam nele, falhas, omissões e defeitosaparecem tanto em suas palavras quanto ações. Ele sabe, assim como Tiago afirma, que “todos tropeçamos em muitas coisas”. (Tg 3: 2.) Mas ele pode dizer verdadeiramente, à visão de Deus, que tais atos oentristecem e afligem diariamente e que sua natureza não consente com eles,como é o caso do homem não regenerado.(2) Segundo, João afirma, “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, énascido de Deus”.  (I Jo 5: 1.)Um homem regenerado acredita que Jesus Cristo é o único Salvadorpelo qual sua alma pode ser perdoada e justificada, que Ele é a Pessoa Divinaapontada e consagrada por Deus, o Pai, para esse propósito, e que à parte dEle,não existe nenhum outro Salvador. Em si, ohomem não vê nada menos do que desmerecimento, mas em Cristo ele vê um terrenopara a mais completa confiança, confiando nEle, ele acredita que todos os seuspecados são perdoados e suas iniquidades são lançadas fora. Ele acredita que pela graça do trabalho de Cristo emorte na cruz, ele é considerado reto à vista de Deus e pode olhar para a mortee o julgamento sem medo. Ele pode terseus medos e dúvidas. Ele podedizer algumas vezes que se sente como se não tivesse fé nenhuma. Mas pergunte se ele está disposto a confiar emqualquer coisa que não seja Cristo, e veja o que ele dirá. Pergunte-lhe se ele deixará a esperança na vida eternaà sua própria sorte, suas próprias emendas, suas orações, seu ministro, suasobras na igreja e fora dela, quer seja em parte ou completamente, e veja o queele lhe responderá. Pergunte-o se eledesistiria de Cristo e colocaria sua confiança em qualquer outra forma desalvação.Ele diria que apesar de se sentir fraco e pecador, nãodesistiria de Cristo por nada nesse mundo. Ele diria que encontrou a preciosidade em Cristo, uma idoneidadepara sua própria alma em Cristo, que em nenhum outro lugar ele encontrou e, porisso, deve agarrar-se nEle.(3) Terceiro, João diz “Se sabeis que Ele é justo, sabeis que todoaquele que pratica a justiça é nascido dEle” (I Jo 2: 29.)O homem regenerado é um homem santo. Ele se esforça para viver conforme a vontade de Deus,a fazer as coisas que agradam a Ele e evita as que Ele não gosta. O seu objetivo e desejo é amar a Deus com coração,alma, mente e força e amar o seu próximo como a si mesmo. O seu desejo é continuamente olhar para Cristo comoexemplo e como Salvador, e mostrar-se como amigo de Cristo ao fazer tudo o queEle ordena.Não há dúvidas de que tal homem é imperfeito. Ninguém o falará isso tão rapidamente quanto elepróprio.Ele sofre com a carga da corrupção que habita nele. Ele encontra em si próprio constantemente um princípiopecaminoso guerreando contra a graça e tentando tirar-lhe de perto de Deus. Mas ele não consente com isso, mesmo não podendoprevenir sua presença. A média deinclinação e influência de seu caminho é santa, mesmo com todos os atalhos; seusfeitos são santos, assim como seus gostos e hábitos, apesar de seus desvios;como um navio lutando contra um vento contrário, o curso normal de sua vidamira uma direção apenas: em direção a Deus e para Deus. E apesar de algumas vezes ele se sentir tão fraco aponto de questionar se ele é cristão ou não, em seus momentos serenos eleestará geralmente apto a dizer com John Newton “Eu não sou o que deveria ser;não sou o que queria ser, não sou o que espero ser em outro mundo, mas aindaassim sou o que costumava ser, e pela graça de Deus, sou o que sou”[13].(4) Quarto, João afirma “Nóssabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos”. (I Jo 3: 14.)Um homem regenerado tem um amor especial por todos os verdadeiros discípulos de Cristo. Comoo Pai no céu, ele ama todos os homens com amor genuíno, mas tem um amorespecial por aqueles que, junto com ele, possuem a mesma mente. Comoo seu Senhor e Salvador, ele ama o pior dos pecadores e poderia chorar poreles, mas ele tem uma forma distinta de amor por aqueles que são cristãos. Elenunca se sente tanto em casa como quando está na companhia destes: elenunca está tão feliz como quando está entre os santos e a excelência da terra. Algunspodem valorizar o conhecimento ou a inteligência, a agradabilidade, a riquezaou classes na sociedade em que escolherem.O homem regenerado valoriza agraça. Aquelesque têm mais graça e amam mais a Cristo, são os que ele mais ama. Elesente como se fossem membros da mesma família, seus irmãos, irmãs, filhos domesmo Pai. Elesente como se fossem companheiros de guerra, lutando sob o poder do mesmocapitão e guerreando contra o mesmo inimigo.Ele sente como se fossemcompanheiros de viagem, andando pela mesma estrada, tentados pelas mesmasdificuldades, e breve repousarão juntos no mesmo lar eterno. Elesse entendem. Existeuma espécie de camaradagem espiritual entre eles.Eles podem ser muito diferentes umdos outros, tanto em classe social, quanto cargos ou riquezas. Oque importa? Elessão os eleitos de Cristo Jesus: eles são os filhos e filhas de SeuPai. Portanto,não conseguem não se amar.(5) Quinto,João afirma “Porque todo o que é nascidode Deus, vence o mundo” (I Jo 5:4.)Um homemregenerado não faz da opinião mundial asua regra de certo ou errado. Ele não se importa em ir deencontro ao mundo, suas noções e costumes.“O que os homens dirão?” já não é uma pergunta importantepara ele. Elesupera o amor do mundo. Ele não encontra prazer no que muitosao seu redor chamam de felicidade. Ele não desfruta de seusregozijos, eles o cansam, eles aparentam ser vão, inútil, indigno de um serimortal. Ele supera o medo do mundo.  Eleestá contente em fazer muitas coisas que vários ao seu redor chamariam dedesnecessário, para não dizer algo pior.  Eleso culpam: mas isso não o move. Eles o ridicularizam, masele não desiste. Ele ama adorar a Deus mais do que ao homem. Eleteme ofender ao Pai mais do que ofender ao homem.Ele sabe o preço. Elejá se posicionou. Para ele não importa mais se será censurado ou não. Seus olhos miram para Ele, que é invisível. É Ele que o homem regenerado está resoluto a seguirnão importa onde Ele vá. Talvez sejanecessário, durante essa caminhada, separarmo-nos do mundo. O homem regenerado não temerá em fazer isso. Diga-lhe que ele não é como as outras pessoas, quesuas visões não são as da sociedade comum, e que ele está fazendo de si mesmoalguém singular e peculiar. Você não oabalará.Ele já não é mais servo da moda e dos costumes. Agradar o mundo é algo secundário para ele. Seu principal objetivo é agradar a Deus.(6) Sexto, João afirma “o que de Deus é gerado conserva-se a simesmo”(I Jo 5: 18.)Um homem regenerado é cuidadoso com sua própria alma. Ele se esforça não apenas em se manter longe dopecado, mas também se afasta de tudo o que pode levá-lo a pecar. Ele é cuidadoso com suas companhias. Ele sabe que conversas maldosas corrompem o coração eque o mal é muito mais contagioso do que o bem, assim como a doença é mais infecciosaque a saúde.Ele é cuidadoso com a organização do seu tempo: seu principal desejo é desfrutar de seu tempo de formaproveitosa.Ele é cuidadoso com os livros que lê: ele teme que sua mente se envenene com livros nocivos. Ele é cuidadoso com suas amizades: para ele, as pessoas serem bondosas, amigáveis e deboa índole não lhe é suficiente. Tudo isso é muito bom, mas eles farão bem asua alma?Ele é cuidadoso com seus hábitos diários ecomportamentais: ele tenta lembrarque seu coração é enganoso, que o mundo é cheio de maldade, que o diabo estásempre trabalhando para causar dano e, portanto, ele deve estar semprevigiando.Ele deseja viver como um soldado no país inimigo,vestir sua armadura o tempo todo e estar preparado para quando as tentações vierem. Por experiência, ele vê que sua alma está semprerodeada por inimigos e ele aprende a ser atento, humilde e um homem de oração.Tais são as seis grandes marcasda regeneração que Deus nos deu para nosso aprendizado.  Que todos os quechegaram até aqui comigo, leia tudo com atenção e descanse essas palavras no coração. Acredito que foramescritas com o intuito de responder à grande questão dos dias de hoje eprevenir discussões futuras. Mais umavez, então, peço ao leitor que oberve e considere o que foi escrito.Sei que existe uma grandediferença na profundidade e na distinção dessas observações entre aqueles quesão “regenerados”.  Em algumas pessoas,elas são lânguidas, fracas e difíceis de serem percebidas.  Você praticamenteprecisa de um microscópio para entender.  Em outros elas sãoarrojadas, afiadas, claras, evidentes e inconfundíveis, de forma que até o queestá apressado, correndo, ainda assim consegue ver.  Algumas dessasmarcas são mais visíveis em certas pessoas, já outras são mais visíveis em outras. É muito raro quandotodas as marcas se manifestam igualmente numa única alma.  Mas tudo isto estoudisposto a conceder. Ainda assim, depois de toda concessão,aqui encontramos corajosamente descritas as seis marcas de uma pessoa nascidade novo em Deus.  Aqui estão características positivas expostas por Joãocomo partes do caráter de um homem regenerado, tão claramente e distintamentequanto os traços do rosto humano.  Eis um apóstoloinspirado escrevendo uma das últimas epístolas gerais da Igreja de Cristo, dizendo-nosque um homem nascido de Deus não comete pecado, acredita que Jesus é o Cristo,pratica a retidão, ama os irmãos, supera o mundo e se guarda. E mais de uma vez na mesma Epístola, quando taismarcas são mencionadas, o apóstolo afirma que os que não possuem essas marcas,não pertencem a Deus. Eu vos peçopara que observem isso.Agora, o que devemos dizer aessas coisas?O que eles dizem para comprovar o que acreditam, osque defendem a regeneração apenas como uma permissão para privilégios naigreja, isso eu não sei. Eu,entretanto, digo audaciosamente que só posso chegar a uma conclusão. Essa conclusão é a de que tais pessoas são regeneradasapenas caso tenham essas seis marcas e que homens e mulheres que não aspossuem, não são regenerados ou nascidos de novo. Acredito firmemente que essa é a mesma conclusão que oapóstolo gostaria que todos nós chegássemos.Eu recomendo o que tenho dito epeço para que meus leitores considerem cada palavra. Não disse nada mais do que a verdade de Deus. Vivemos numa época de grande escuridão quando oassunto é regeneração. Milharesturvam o conselho de Deus ao confundir batismo com regeneração. Estejamos cientes disso. Deixemos os dois assuntos separados em nossa mente. Clareemos nossas visões sobre regeneração para que,dessa forma, estejamos menos propícios aos erros sobre batismo. E quando já estivermos com nossas visões claras,agarremo-las, para que nunca fujam de nós.ORE PARA QUE O ESPIRITIO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DEMUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.FONTETraduzido de http://www.tracts.ukgo.com/ryle_regeneration.pdfTodo direito de tradução protegido por leiinternacional de domínio público6 capitulo do livro KNOTS UNTIED - BEINGPLAIN STATEMENTS ON DISPUTED POINTS IN RELIGION, FROM THE STANDPOINT OF ANEVANGELICAL CHURCHMANTradução: Sarade Cerqueira Revisão: Armando Marcos PintoCapa: VictorSilva Projeto Ryle – Anunciando a verdade Evangélica.http://bisporyle.blogspot.com/[1] As referências de Ryle à “Igreja da Inglaterra” se relacionam com a IgrejaAnglicana (Nota do Revisor)[2] “Existemdois tipos de homens. Os que não são justificados, regenerados, nemsalvos, ou seja, não são servos de Deus. Eles necessitam da renovação eregeneração; eles ainda não pertencem a Cristo” – Sermão do Bispo Latimer1552.[3] O leitornão pode supor que haja algo novo ou moderno nessa sentença. Seria umtrabalho sem fim citar passagens de padrões divinos da Igreja da Inglaterra,nos quais as palavras “regenerado” e "não regenerado" são usadas paradiferenciar o que tenho falado. Os membros devotos e cristãos daIgreja são chamados de “regenerados”, os mundanos e descrentes de “nãoregenerados”. Acredito que ninguém, sendo bem instruído na teologia inglesa, possaquestionar essa divisão em qualquer momento.[4] “Todasessas expressões demonstram o mesmo trabalho de graça no coração, apesar deserem entendidas através de noções diferentes" - Bispo Hopkins. 1670[5] “A pregação da Palavra é o grande meio pelo qual Deus tem apontado aregeneração.  ‘De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir, pelaPalavra de Deus’ (Rm 10:17). Quando Deus primeiro criou o homem, foi ditoque “Ele soprou em suas narinas o sopro da vida”, mas quando Ele recria ohomem, Ele sopra em seus ouvidos.Essa éa Palavra que levanta os mortos, chamando-os de suas covas; essa é a Palavraque faz o cego enxergar, que comove o coração dos desobedientes e rebeldes. E apesar de homens malvados e profanos zombaremda pregação, julgarem todas as palavras do ministro e também a palavra de Deus,fazerem inúmeras insinuações e serem tão enroscados, acredite: assim como épossível romper pedras e mover montanhas; se eles estão predestinados a seremsalvos, essa tempestade abalará e destruirá as fundações de todas as suasconvicções carnais e presunções.Sejamexortados, portanto, mais aos galardões e à pregação da Palavra". - BispoHopkins. 1670.[6] “A Escritura prega isso, que apenas uma criança pode criar-se a simesma, ou um morto pode vivificar-se, ou uma pessoa sem importância podeinventar-se; mas nenhum homem carnal pode regenerar-se a si mesmo ou efetuar averdadeira graça salvífica”,  1670.“Existem dois tipos de batismo, ambos necessários: o interior, que é a limpeza do coração, odesenho do Pai, a operação do Espírito Santo; esse batismo ocorre quando apessoa acredita e confia que Cristo é o único meio pelo qual ela pode obter asalvação" - Bispo Hooper.1547.“É confessado prazerosamente que pode haver, em diversos casos, vidapela virtude do batismo interno, quando o externo não ocorre” - Richard Hooker.“Existebatismo do espírito e da água" - Bispo Jeremy Taylor. 1660[7] "Amistura de ambos numa pregação quando, por natureza, são divididas, é a mãe detodos os erros" - Hooker. 1595.[8] No momento,Bispo Davenant e Bispo Hopkins frequentemente falam de "RegeneraçãoSacramental", quando lidam com o assunto do batismo, como algocompletamente distinto da Regeneração Espiritual. O conteúdo geral de seus textos éfalar sobre o cristão como regenerado e o descrente como não regenerado. Mas comtodo o respeito a dois homens bons, a pergunta permanece: qual garantia nóstemos na Escritura para dizer que existem dois tipos de regeneração? Eu respondosem  hesitar: não temos nenhuma.[9] “Diga-me tu, que em deveres sagrados ressentes cada palavra professada,que julgas todas as intimações para adoração pública como sendo tão desprazívelquanto o sino; que pergunta ‘Quando o Sabbath terminará e as ordenaçõescessarão? ' Que farás tu nocéu!  O que deverá fazer tal coração profano no lugar onde oSabbath será tão longo quanto a própria eternidade, onde haverá apenas deveressagrados e onde não haverá sequer um minuto extra para um pensamento vão ou umapalavra indolente? Que farás tu nocéu, onde tudo o que ouvirás, verás ou conversarás será santo? E pela santidade do céu ser muito mais perfeitado que a dos santos na terra, muito mais enfadonho e intolerável seria para oshomens pecadores, porque se eles não podem suportar a fraca luz de uma estrela,como eles aturarão a deslumbrante luz do sol?”– Bispo Hopkins, 1670[10] Homilia das Boas Obras é uma das 21 homilias que aparecemlistadas no artigo 35 dos 39 Artigos de religigão da Igreja da Inglaterra, daépoca do Eduardo VI, e que são recomendadas para leitura pelos fieis no artigocitado (Fonte: http://www.monergismo.com/textos/credos/39artigos.htm )[11] “Certifiquem-sede si mesmos nesse grande desafio. Não foi minha ideia que preguei paravocês. Sua natureza e vida devem ser mudadas ou, acredite, você se encontraráno último dia sob a fúria de Deus, porque Deus não mudará nem alterará apalavra que saiu de Sua boca. Ele disse: Cristo, que é a verdade e a palavrade Deus, afirmou que sem um novo nascimento ou regeneração, homem nenhumherdará o reino de Deus" - Bispo Hopkins. 1670.[12] "Regeneraçãoou novo nascimento é de absoluta necessidade para a vida eterna.  Não há nenhuma outra mudança necessária, apenasesta.  Se és pobre, podes continuar a sê-loe, mesmo assim, seres salvo.  Se és desprezado, podes continuar a sê-lo e, mesmo assim, seres salvo.  Se és iletrado, podes continuar a sê-lo e,mesmo assim, seres salvo.  Apenas uma mudança é necessária.  Se és maldoso e descrente e continuares a sê-lo, Cristo, que tem a chavepara o céu, que o fechou e nenhum homem pode abrir, julga-o dizendo-te que nãodeverás entrar no reino de Deus” – Bispo Hopkins.  1670.[13] “Que ninguém conclua não ter graça porque tem muitas imperfeições emsuas obediências.  Vossa graça talvez seja fraca e imperfeita, mas aindapodes ser um verdadeiro nascido de novo em Deus e ser um filho genuíno eherdeiro do céu”. Hopkins. 1670.

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