DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A carta a Pérgamo (Ap 2.12-17)



Esta cidade estava localizada sobre uma grande montanha de rocha tendo aos seus pés um grande vale circunvizinho. Os romanos a fizeram capital da província da Ásia. Aí, Esculápio, o deus da cura, era cultuado sob o emblema da serpente que, para os cristãos, era o próprio símbolo de Satanás. Nessa cidade se encontrava, entre os muitos altares pagãos, o grande altar de Zeus. Todas essas coisas deveriam estar na cabeça de Cristo quando ele chamou Pérgamo de o lugar "onde está o trono de Satanás". Entretanto, parece-nos que o propósito óbvio do au­tor é dirigir nossa atenção para o fato de que Pérgamo era a capital da província e, como tal, centro do culto ao imperador. Ali o governador era louvado, e ali os templos pagãos eram dedicados ao culto de César. Ali era exigido dos crentes que oferecessem incenso à imagem dos imperadores e que dissessem "César é Senhor". Aí Satanás tinha seu trono; ali ele reinava livremente. "Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes." De novo, a autodesignação está em harmonia com o tom geral da carta. Aqui se diz que Cristo tem a espada de dois gumes porque ele fará guerra contra os nicolaítas, a menos que se arrependam (v. 16). A despeito, porém, do fato de que o trono de Satanás esti­vesse localizado ali, e do fato de que ali Antipas tivesse mandado matar os crentes que se recusaram ser infiéis ao Senhor, os cren­tes de Pérgamo ainda se atinham tenazmente à sua confissão, ao seu Cristo. Eles, entretanto, cometeram um grande erro, provavel­mente devido ao fato de terem enfatizado sua salvação indi­vidual à custa do dever cristão de se preocupar com o bem-estar da Igreja como um todo: eles negligenciaram a disci­plina. Alguns dos membros da Igreja haviam atendido a festivais pagãos e haviam, com toda probabilidade, até mes­mo participado das imoralidade que caracterizavam essas festas. Semelhantes práticas haviam ocorrido entre os filhos de Israel nos dias de Balaão (Nm 25.1,2; 31.16). Como Israel, também, Pérgamo teve seus nicolaítas. Não devemos fazer pouco dessa tentação. Recusar-se a comer carnes sacrificadas aos ídolos e, especialmente, recusar-se a freqüentar essas festas significava retirar-se de grande parte de toda a vida social daquele tempo pela razão de que o comércio tinha como patronos as deidades que deveriam ser cultuadas nessas fes­tas. A recusa em participar dessas festas geralmente signifi­cava que um homem perderia seu emprego, seu comércio; ele seria considerado um excluído. Assim, algumas pessoascomeçaram a argumentar que, afinal, alguém poderia freqüen­tar tais festivais e partilhar das carnes oferecidas aos ídolos, e, talvez, oferecer incenso aos ídolos pagãos, desde que man­tivesse sempre em mente - um tipo de reserva mental - que um ídolo nada significa! Outros levavam essa linha de ra­ciocínio ainda mais longe e diziam: "Como pode alguém condenar e vencer Satanás a menos que o conheça plena­mente?" A Igreja de Pérgamo não estava totalmente cônscia dos perigos de sua atitude comprometedora, essa meia-aliança com o mundo. Ela deveria ter disciplinado seus membros faltosos. Se falha em fazê-lo, Cristo irá à guerra contra ela com a espada de sua boca. Não cremos que isso se refira tão-somente a uma condenação verbal. A condenação verbal está contida nessa carta. Antes, significa destruição: Cristo irá destruir aqueles que persistem em suas práticas mundanas - Ele levará a cabo sua sentença de condenação. O vencedor, por outro lado, receberá "do maná escondi­do", isto é, Cristo em toda a sua plenitude (Jo 6.33,35), escon­dido do mundo, mas revelado aos crentes já aqui na terra e, especialmente, no porvir. Noutras palavras, esses vencedores que dominaram a tentação de participar dos festivais pagãos e de comer carne sacrificada aos ídolos, serão alimentados do próprio Senhor; a graça de Cristo e todos os seus gloriosos frutos serão sua comida, invisível, espiritual, e escondida, certamente, mas, no entanto, muito real e muito abençoada. Eles recebem o pão do céu. "...Bem como darei uma pedrinha branca e sobre essa pe­drinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe." Os comentaristas estão grandemente di­vididos em suas opiniões com respeito ao significado dessas palavras. Depois de extenso estudo, chegamos à conclusão que só há duas interpretações que merecem considerações sérias. Todas as outras são objetáveis logo de princípio. Cada uma das duas teorias restantes tem tanto mais a seu favor que nos tem sido impossível tomar uma decisão definitiva. Portanto, colocaremos aqui as teorias e os argumentos que as suportam, e dei­xaremos para o leitor a escolha, ou permanecer indeciso. Conforme a primeira interpretação, a pedra representa a pessoa que a recebe, tal como em Israel as doze tribos eram representadas por doze pedras preciosas no peitoral do sumo sacerdote (Êx. 28.15-21). Agora essa pedra é branca. Isso indica santidade, beleza, glória (Ap 3.4; 6.2). A própria pedra simboli­za durabilidade, imperecibilidade. A pedra branca, portanto, indica um ser livre de culpa e purificado de seu pecado, que permanece nesse estado para sempre. O novo nome inscrito na pedra indica a pessoa que a recebe. Expressa o caráter interior real da pessoa; sua personalidade individual, distinta. Cada um dos abençoados deve ter uma consciência particular e singular dessa personalidade: um conhecimento dado a ninguém mais senão àquele que o recebe. Os seguintes argumentos podem ser apresentados em fa­vor dessa teoria: a. As palavras "o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe", deve significar "o qual ninguém conhece senão aquele que recebe o nome", não a pedra. O próprio crente recebe esse nome e este deve ser seu novo nome. Isso está em completa harmonia com Apocalipse 19.12, onde lemos isto com respeito a Cristo: "tem um nome escrito que ninguém conhece senão ele mesmo". O nome, então, indica a pessoa que o recebe. b. Se esse nome indicasse o nome de Deus ou de Cristo, isso teria sido declarado como em outros casos (por exemplo: 3.12; 14.1; 22.4). c. Essa explicação se baseia na firme fundação de passa­gens paralelas do Antigo Testamento, como, por exemplo: "...e serás chamada por um nome novo que a boca do Senhor designará" (Is 62.2). "...e a seus servos chamará por outro nome" (Is 65.15). d. Conforme a Escritura, o nome indica o caráter ou a posi­ção do portador. Nessa base, muito freqüentemente, a pessoa cujo caráter é mudado recebe um novo nome que corresponde a ele. Na glória, nós receberemos uma nova santidade, uma nova visão, etc. Portanto, receberemos um novo nome. De acordo com a segunda interpretação, a pedra preciosa translúcida - um diamante? - tem inscrito o nome de Cristo. Receber a pedra com o novo nome significa que a glória do vencedor recebe a revelação da doce comunhão com Cristo -em seu novo caráter, como Mediador coroado - uma comunhão que só quem a recebe pode apreciar. Em favor dessa explicação, os seguintes argumentos são oferecidos: a. Em todas as outras passagens do Apocalipse, sem qual­quer exceção, o novo nome se refere a Deus ou a Cristo. Esse nome é dito como estando escrito na fronte dos crentes (3.12; 14.1; 22.4). b. O ponto de vista de que esse nome se refere a Cristo é apoiado tanto pelo contexto precedente quanto pelo posterior: o maná escondido se refere ao que Cristo é para o crente; sobre­tudo, nesta mesma série de cartas encontramos uma passagem paralela (3.12) em que o nome, embora escrito no crente, é de­finido como pertencente a Cristo. c. Assumir que a expressão "o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe" significa "aquele que recebe o nome", não prova que o nome seja a nova designação do pró­prio crente. Pode-se tanto dizer que o crente recebe o nome de Cristo quanto dizer que o nome de Cristo é inscrito na sua (do crente) fronte. É interessante observar, quanto a isso, que os não-crentes recebem, do diabo, a imitação do novo nome. Deles se diz que "receberam a marca na fronte e na mão" (Ap 20.4) tal como os crentes recebem o nome de Cristo na fronte (14.1). Essa "marca", porém, indica "outro", isto é, a besta. Essa é a marca da besta que os não-crentes recebem. Semelhantemente, na linguagem presente (2.17) os crentes recebem o nome de Cristo, isto é, seu nome é escrito na fronte no mesmo sentido que em d. d. Essa idéia está em harmonia com o simbolismo do Antigo Testamento, o qual está embutido nas diversas passagens do Apocalipse. Na fronte do sumo sacerdote - para ser exato, na frente da mitra - estava escrito um nome. Não era o nome do sumo sacerdote, mas de Jeová. Esse nome designava o sumo sacerdote como servo consagrado de Jeová, como pertencente a Ele. Assim lemos: "Farás também uma lâmina de ouro puro, e nela gravarás à maneira de gravuras de sinetes: Santidade ao Senhor. Atá-la-ás com um cordão de estofo azul, de maneira que esteja na mitra; bem na frente da mitra estará. E estará so­bre a testa de Arão..." (Êx 28.36ss.). O significado, então, é como se segue. Assim como na an­tiga dispensação o nome de Jeová estava escrito na fronte do sumo sacerdote para indicar que ele era especialmente consa­grado como servo de Jeová, assim os crentes - freqüentemente chamados sacerdotes no Apocalipse - terão um novo nome es­crito na fronte, a saber, o nome de Cristo, seu novo nome. Esse nome não é escrito sobre uma placa de ouro puro, mas, ainda melhor, sobre uma translúcida pedra preciosa. Isso indica que o vencedor pertence a Cristo, é seu servo, se regozija em sua co­munhão, na sua nova glória e domínio. Sobretudo, assim como na antiga dispensação só o sumo sacerdote havia recebido os segredos quanto ao nome de Jeová e só ele sabia como pronunciá-lo, assim na nova dispensação só o crente sabe o significado abençoado do nome do Senhor Jesus Cristo. Eles -e só eles - sabem o significado na comunhão com ele. Em prin­cípio, eles já sabem isso aqui sobre a terra; mas uma revelação a mais sobre o significado desse nome lhes está reservada nos céus onde, para sempre, aqueles que foram selados na fronte com o selo do Deus vivo serão designados como o próprio Cristo. Eles recebem seu nome, isto é, seu novo nome na fronte. Não exageremos a diferença entre esses dois pontos de vista. Na primeira interpretação, o crente recebe um novo nome, isto é, uma nova relação com o seu Salvador, revelada num glorioso caráter transformado. Na segunda interpretação, Cristo revela seu novo nome ao crente, especialmente no porvir. Deveríamos perguntar, portanto: "o novo nome de Cristo - que ele certa­mente recebeu - não implica o novo nome do crente - que, de novo, ele certamente receberá?" Hendriksen, William – Mais que vencedores. Cultura Cristã, São Paulo, 2011 – pp. 85-91

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