DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sábado, 16 de junho de 2012

UM MÁRTIR


Por Marcelo Lemos Você já ouviu falar em Thomas Cranmer? Talvez sua resposta seja não, e seria perfeitamente compreensível. Porém, para nós, os anglicanos, Cranmer é um dos grandes Heróis da Fé. Para o resto do cristianismo evangélico também. Não foi um homem perfeito. Nem santo. Quando a coisa complicou chegou a negar sua fé, arrependendo-se depois, terminando atado a uma fogueira (1). Martirizado por suas convicções evangélicas, deixou como herança uma das maiores contribuições litúrgicas de todos os tempos: O Livro de Oração Comum (2). É certo que boa parte dos cristãos evangélicos a nossa volta não gosta do termo “Liturgia”. Acreditam que esse palavrão diabólico engessa a adoração e encaixota do Espírito Santo. Defendem que o mover do Espírito deva ser “livre”. Contudo, o fato é que toda Igreja possui algum tipo de Liturgia. Vou dar um exemplo fácil de entender. Provavelmente falo a uma maioria que não possui uma Liturgia “formal”, como a nossa. Nem por isso falo a pessoas destituídas de alguma liturgia. Querem ver? Pensem bem antes de arriscar um palpite: “Qual a posição do Púlpito em sua congregação?”. A resposta da maioria, acredito, será “na frente da nave da Igreja, ao centro”. Mas, saberiam o motivo? A tradição de posicionar o Púlpito – plataforma de onde o pregador expõe a Palavra de Deus – numa posição central nasceu com os Puritanos. Para a tradição cristã mais antiga o lugar do Púlpito sempre havia sido algum lugar nas laterais da Igreja, sendo o centro reservado para a Mesa do Senhor, num convite para que todos participassem do Santo Banquete da Eucaristia. Os Puritanos, no entanto, olhavam esse costume com certa desconfiança. Temiam que houvesse excesso de ritualismo, e que o resultado seria a superstição. Assim, tiraram a Mesa do Senhor do centro, substituindo-a pelo Púlpito – simbolizando a centralidade da Palavra de Deus. Isso é Liturgia, e é seguida por milhões de cristãos que não querem - ou não sabem - pensar sobre o assunto. Alheia a nossa possível aversão, a Liturgia impõe-se sobre todos. Não existe culto sem Liturgia. Originalmente, em grego, o termo queria dizer “serviço publico”. Já nos dias no Novo Testamento a Igreja apossou-se deste termo, incluindo-o em sua tradição. O termo é usado na Bíblia para descrever a celebração do culto divino, como em Atos 3:2 “E, servindo (gre. liturgia) eles ao Senhor”, ou em S. Lucas 1:23 “Sucedeu que, terminados os dias do seu serviço (gre. liturgia)”. Ao contrário do que muitos cristãos modernos possam supor, o culto divino é descrito primordialmente como um “serviço”. Isso pode parecer surpreendente para alguns, não? De fato, nos acostumamos a ir a Igreja a procura de milagres, louvores performáticos e pregadores exibicionistas; sentamos em nossos bancos para satisfazer a nós mesmos, aos nossos próprios desejos e ambições. Fatigados por toda a Semana, a última palavra que desejamos ter em nossa mente aos Domingos é “serviço”. Nossos cultos, talvez por isso, tenham se transformado em momentos de socialização, lazer e entretenimento. Como íamos dizendo, não existe culto sem Liturgia. Cabe descobrirmos a quem estamos servindo em nossas reuniões publicas. Como cristãos, nosso serviço deve ser dedicado a Cristo. Mas nem sempre é assim. Um modo simples de tirarmos a prova é olhando para os “nomes” que temos dado aos nossos “cultos”. Alguns exemplos: Fogueira Santa, Reunião dos Valentes, Culto dos Empresários, Sete Voltas ao Redor de Jericó, Campanha da Multiplicação, Culto das Sementes, e assim por diante. Ter ou não uma Liturgia é um falso debate, um dilema inexistente. A questão verdadeira é: a quem estamos servindo, afinal? Thomas Cranmer tem muito a ensinar a Igreja evangélica do nosso tempo. Mesmo que você nunca coloque os pés em uma Igreja anglicana, vale a pena considerar alguns pontos. Cranmer compreendeu que o culto deveria edificar a Igreja. Em seu tempo, a Liturgia cristã estava engessada. O padre só podia ministrar ‘voltado para Deus’ – que muitos evangélicos entendem, erroneamente, como ‘de costas para o povo’. A celebração era feita em Latim, e havia excesso de ritualismo. Tudo isso dificultava a participação e o entendimento do povo comum. E o culto, ou Missa, era celebrado em latim... Cranmer, seguindo os passos dos Reformadores do continente, modificou a liturgia a fim de corrigir tais desvios. O culto passou a ser ministrado na língua do povo, os excessos ritualísticos foram retirados, e Ministros e leigos participavam em conjunto do serviço religioso. No culto evangélico as pessoas leem a Bíblia, muitas vezes longas porções inteiras. Elas oram conjuntamente, e aprendem as verdades da fé cristã. A Liturgia tem a oportunidade de ser realmente catequética. “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (I Coríntios 14:26). Se nada disso descreve os cultos que você aprecia, algo triste está acontecendo. Se hoje o alvo de muitos líderes religiosos é produzir diversão, os ministros do Evangelho devem buscar a edificação da Igreja. E tal tem sido a meta das liturgias evangélicas, não só entre os anglicanos, como também entre luteranos, presbiterianos e outros. No já citado “Ritos Alternativos” (veja nota de rodapé), - autorizado para uso em nossas comunidades - pode ser encontrado o seguinte esboço de culto: Parte Um: Aproximando-nos a Deus 1.       Cântico de abertura; 2.       Confissão de pecado; 3.       Cânticos de louvor; Parte Dois: Ouvindo a Palavra de Deus 1.       Leituras Bíblicas (Antigo e Novo Testamento, Salmos) 2.       Cântico 3.       Sermão 4.       Credo (Aposstólico, Niceno) Parte Três: Orando pelo Mundo 1.       Orações (Coletas, livres) 2.       Cântico Parte Quatro: Indo servir a Deus no mundo 1.       Anúncios 2.       Benção Final Cranmer compreendeu que a História da Igreja segue sendo escrita pelo Espírito Santo. Quando tornamos nossas tradições sagradas, estagnamos. Creio que esse era um grande mal no cristianismo anterior a Reforma. Mas, quando tentamos reinventar a roda, recriar a fé cristã, torna-nos tolos. Creio ser este um dos piores male

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