DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Esse Mundo e o Reino de Deus



Quasetodos os crentes Reformados mantêm que o reino de Jesus Cristo é (nomínimo) uma questão de Cristo reinando espiritualmente dentro do coração daquelesque são cristãos. O Catecismo Maior de Westminster ensina que Cristoexecuta oofício de rei, entre outras coisas, “dando a graça salvadora aos seus eleitos”(Q. 45),ou para usar a linguagem da Escritura: “Deus com a sua destra o elevou a Príncipee Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados” (Atos5:31).Oreino interior e espiritual de Cristo como Salvador e Senhor não deve ser ignorado ou minimizado em importância. Uma pessoa não pode entrar no reino de Deusà parte do renascimento espiritual: “Na verdade, na verdade te digo que aqueleque não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). Aqueles quesão redimidos já foram transferidos para o reino do Filho amado de Deus (Colossenses1:13) e como tal percebem que “o reino de Deus é… justiça, e paz, e alegriano Espírito Santo” (Romanos 14:17). Os pós-milenistas sempre afirmaram essadoutrina fundamental: que o reino de Deus é uma realidade interior e espiritual.Por exemplo, J. Marcellus Kik interpretou os “tronos” de Apocalipse 20:4dessa forma: “Os tronos representam o domínio espiritual dos santos sobre elesmesmos e sobre o mundo. Mediante a graça de Cristo eles reinam em vida sobrea carne, o mundo e o diabo” (An Eschatology of Victory, 1971, p. 210).O Reino éMeramente Interior?Semdiminuir em nenhum sentido a tremenda verdade bíblica que o reino de Deusé um reino interior e espiritual de Cristo dentro dos nossos corações, podemos continuar e perguntar se essa perspectiva expressa completamente tudo o quea Palavra de Deus nos revela sobre a natureza do reino de Deus. É correto dizerque o reino de Cristo se estende além do coração do crente? Cristo reina de algumaforma externa, visível e neste mundo? Osamilenistas são categoricamente hesitantes em afirmar que o reino presentedo Messias é visível e deste mundo. Alguns exemplos mostrarão ser essa a regrageral entre os escritores amilenistas. Geerhardus Vos ensinou que o outro mundodeveria ser “a atitude dominante da mente cristã” (The Pauline Eschatology, 1930,p. 363). Quando pensamos no reino de Cristo antes do Seu retorno em glória,os amilenistas desejam que não pensemos em nenhuma “bem-aventurança terrena”(W. J. Grier, The Momentous Event, 1945, p. 16) ou no “sucesso altamente visívelde Cristo através da igreja na vida terrena e instituições” (Lewis Neilson, Waiting for His Coming, 1975, p. 346). Os principais escritores amilenistas explicam queeles “opõem-se ao tipo de milênio ensinado pelo pós-milenista” (William E. Cox, Amillennialism Today,1966, p. 2). Como assim? Cox nos diz que durante “a era presenteda igreja… Jesus Cristo reina no coração dos seus santos” (p. 65), e MeredithG. Kline insiste que a realidade presente é “o reino invisível do Senhor sobreo trono teocrático de Davi no céu” (Westminster Theological Journal XLI,1978, p.180.) Visto que o pós-milenista não nega sequer por um segundo que Cristo reinapresentemente no coração dos seus santos a partir de um trono invisível no céu,qual ponto de vista distintivo está sendo alegado por esses mestresamilenistas?Quandoalguém lê autores como Cox, Kline, Neilson e outros, torna-se óbvioque os que eles rejeitam nos escritores pós-milenistas é a inclusão do aspecto externo,visível e deste mundo dentro do escopo do reino de Deus nesta era. A direçãodo pensamento deles, como indicado no que Vos disse acima, é quase exclusivamentede “outro mundo” ou celestial. Isso está claramente manifesto no livrorecente de Walter J. Chantry, God’s Righteous Kingdom (1980). Chantryalega que os“cidadãos do reino são orientados ao outro mundo, não a essa terra presente” (p.16). De fato, Chantry sustenta que Cristo pôs de lado os aspectos externos da religiãodo Antigo Testamento: “Em contraste, o reino de Cristo é interior” (p. 51), deforma que a “bem-aventurança material, social e externa não pode ser buscada nummilênio, mas na consumação do reino na vinda do nosso Senhor” (p. 62).Emborao sr. Chantry tente qualificar suas considerações admitindo que o mundo materiale externo não é inerentemente mau, o cerne de sua perspectiva teológica é reveladaquando ele diz que a Queda significa que o homem “colocou os desejos animaisacima da aspiração pelas realidades espirituais” (p. 20) e diz que “adoração eganhar almas… são coisas de longe bem mais importantes que o mandato cultural”(p. 27). Chantry deixa a sua posição mui clara: “…o reino de Deus está preocupado com as realidades eternas e espirituais.Ele tem a ver com um mundo presentemente invisível. Seu pontofocal é o homem interior… O evangelho do reino absorve completamenteos homens no eterno, e não no temporal… O evangelho doreino absorve os homens no espiritual, e não no material” (pp.15, 19, ênfaseno original).Sehomens como Chantry estivessem apenas indicando quais deveriam ser as nossasprioridades, se estivessem somente nos lembrando que a regeneração internaé um pré-requisito para a obediência externa em todas as áreas da vida, se estivessem simplesmente apontando para a natureza provisória e limitada da bençãodo reino hoje em contraste ao reino eterno e consumado de Deus, então haveriapouca disputa. Mas a crítica deles contra o pós-milenismo é prova concreta quemuito mais está em jogo nas questões acima.Osamilenistas alegam ou tendem a enfatizar exclusivamente a natureza invisível, interna e de outro mundo do reino de Deus como uma realidade espiritual.Nossa pergunta é se a Escritura – o padrão infalível para os nossos comprometimentos doutrinários – não tem algo a mais para dizer, além de que o reinode Deus é presentemente expresso no coração dos homens. O reino é meramenteinterior?AlgumasDistinções NecessáriasAntesde tentarmos uma resposta à nossa pergunta, deveríamos ser lembradosde algumas distinções teológicas que devem ser feitas. Primeiro, diferenciaremoso reino providencial de Deus (Seu reinado soberano sobre cada eventohistórico, bom ou mau) do reino Messiânico de Deus (o governo divino que destróio poder do mal e assegura a redenção dos eleitos de Deus). O governo providencialde Deus é indicado em Daniel 4:17, “o Altíssimo tem domínio sobre o reinodos homens”, enquanto Daniel 7:13-14 refere-se ao reino redentor, moral e vitoriosodo Filho do Homem messiânico: “um como o filho do homem; e dirigi-use aoancião de dias… e foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todosos povos, nações e línguas o servissem”.Umasegunda distinção que não deveria ser esquecida é a distinção entre “reino”e “igreja” na Bíblia. Essas duas palavras não têm precisamente o mesmo sentidoou significado; de outra forma, quando Atos 28:23 nos diz que Paulo estava testificandosobre o reino de Deus, poderíamos dizer também que Paulo estava testificandosobre a igreja – o que seria errôneo, dado o contexto da profecia do AntigoTestamento sobre a pessoa e obra de Jesus. E “reino” e “igreja” não se referemà mesma entidade, pois Mateus 13:38, 41 nos informa que o escopo do reinoé o mundo, incluindo os malfeitores – o que não é verdade da igreja. Para ser preciso,deveríamos dizer que é o reino de Deus que cria a igreja, e que a igreja por suavez tem as “chaves do reino” (Mateus 16:18-19). Nenhuma das declarações seriaverdadeira se não pudéssemos distinguir as duas entidades.Umaterceira distinção necessária tem a ver com o reino Messiânico (que tem umescopo mais amplo que a igreja). Precisamos distinguir entre esse reino na fase deantecipação do Antigo Testamento (cf. Mateus 21:43, onde é dito ser eletirado dosjudeus), na presente fase da realização estabelecida (e.g., Mateus12:28, onde Jesus declaraque o reino de Deus “é chegado a vós”), e na fase da realização consumada noretorno de Cristo (e.g., Mateus 7:21-23, onde entrar no reino é contrastado com serenviado para a condenação eterna; cf. 3:12).O Reinode Cristo como sendo deste MundoPararecapitular, temos observado que é uma verdade fundacional que o reinode Jesus Cristo pertence ao reinado do Salvador dentro do coração do Seu povo– um reinado que se origina desde o trono celestial do Senhor. Nossa pergunta,para ser preciso agora, questiona se o reino messiânico de Jesus (em contrastecom o Seu reino providencial, e se estendendo além do escopo da igreja) duranteo período atual de seu estabelecimento (em contraste com sua antecipação noAntigo Testamento e em sua futura consumação nos novos céus e nova terra) é exclusivamenteespiritual, de outro mundo, invisível e interior (como os amilenistas tendema afirmar). Resumindo, nessa era presente o reino de Jesus Cristo é de outromundo e restrito ao coração do homem? Ele é meramente interior?Nossaresposta, se formos fiéis a todo o ensino bíblico sobre o assunto, deve serum NÃO definitivo. O reinado de Cristo – Seu reino Messiânico – foi destinadoa subjugar todo inimigo da justiça, assim que o Paraíso foireconquistado paraos homens caídos pelo Salvador. Como Isaac Watts expressou poeticamente isso:“Ele veio para fazer Suas bênçãos fluir, Onde quer que a maldição seja encontrada”.Todas as coisas tocadas pela culpa e poluição do pecado são objetos dotriunfo do reino do Messias – todas as coisas. O reino de Cristo não traz somenteperdão e um novo coração que ama a Deus; traz também obediência concretaa Deus em todos os caminhos da vida. Aquelas coisas que permanecem emoposição a Deus, Seus propósitos e o Seu caráter devem ser sobrepujadas pelo reinadodinâmico do Rei Messiânico. Os efeitos do domínio de Cristo são evidentessobre a terra, entre as nações, e por toda a esfera da atividade humana.Essaperspectiva todo-abrangente é apresentada pelo Apóstolo Paulo no primeiro capítulo de Colossenses, onde é revelado que todas as coisas foramcriadas porJesus Cristo (v. 16), que todas as coisas são restauradas por Suapalavra redentora(v. 20), e conseqüentemente que em todas as coisas Ele deve receber a preeminência(v. 18). Os seguidores de Cristo são exortados a “serem santos em todaa maneira de viver” (1 Pedro 1:15). Como Paulo coloca: “Portanto, quer comaisquer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co.10:31). O reinado de Cristo não é restrito a questões internas do coração – oração,meditação e piedade. Isso é somente o princípio. O reino de Deus “dá fruto”(veja Mateus 13:23; 21:43) tal que por meio da qualidade visível da vida de umapessoa, o estado interior do seu coração pode ser discernido: “por seus frutos osconhecereis” (Mateus 7:16-21). Assim, então, mesmo comer e beber como atividadesexternas estão inclusas dentro do reinado do Messias. O reinado interior doSalvador deve tornar-se manifesto em justiça pública: o ouvir genuíno daPalavra, areligião verdadeira e a fé genuína são vistos no cumprimento fiel da lei, naajuda externaaos oprimidos e no socorro prático dos aflitos (Tiago 1:22 2:26). Restringir oreinado de Cristo a questões interiores é perder o contato com o caráter verdadeirode submissão ao Rei.Cristonão se contenta em ser Rei de um reinado parcial ou restrito. Ele demanda obediência em todas as coisas de nós, e Seu objetivo é subjugar toda resistência– de toda natureza (interna e externa) – ao Seu governo. Paulo ensina: “Porqueconvém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés”,concluindo com a derrota da própria morte na ressurreição geral (1Co. 15:25- 26).Toda oposição, em todas as áreas, serão sobrepujadas pelo Rei. E à medida que acontecer,será um indicativo que o reino Messiânico está chegando. Cristo ensinou Seusdiscípulos a orar: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim naterra comono céu” (Mt. 6:10). Essa oração é uma lembrança contínua a nós que a vinda doreino significa fazer a vontade de Deus, e que o reinado de Cristo (Seu reino) pormeio da nossa obediência chega precisamente aqui sobre a terra. O reino de Cristoé inegavelmente deste mundo em seus efeitos e manifestação. Sem dúvida,o reinode Cristo não procede “deste mundo” (João 18:36), significando (como o finaldo versículo interpreta a questão para nós) que a fonte do reinado deCristo “nãoé daqui”. Todavia, Seu reinado, como se originando do próprio Deus, pertencea este mundo presente. O Salvador ressurreto e vitorioso disse de Si mesmo:“É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt. 28:18).Devemosadmitir, portanto, que o reino de Cristo não é meramente interno e deoutro mundo. Ele tem expressão externa sobre a terra no tempo presente.“O reino deDeus e a Sua justiça” faz provisão para cada detalhe da vida (Mt. 6:31-33).Ele, comoPaulo ensina, “para tudo é proveitoso, tendo a promessa da vida presente e daque há de vir” (1 Timóteo 4:8). Numa famosa parábola do reino, Cristo explica comautoridade que o campo (o reino) é o mundo (Mt. 13:38). Na perspectivada Escritura,o reino de sacerdotes redimidos de Deus – a igreja (1 Pedro 2:9) – no presente“reina sobre a terra” (Apocalipse 5:9). Nossa confiança, chamado e prospectoestá encapsulado no cântico maravilhoso, que “os reinos do mundo vierama ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse11:15). O reino Messiânico deve ser visto, então, como externo, visível edeste mundo – não meramente como interno no coração do homem, e sendo de outro mundo.Greg L. Bahnsen, Th.M., Ph.D.Publicado originalmente em TheReconstruction Report, II (Jan. 1982).Tradução: Felipe SabinoFonte: Monergismo

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