DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estudo sobre “predestinação” (com respostas a algumas objeções)



Nota do editor. Um tema tão importante não deve ser tratado com frases feitas, sofismas, pré-conceitos, dissimulações e, principalmente [pra quem é cristão e se diz comprometido com a obra do Evangelho], tentando negar a própria Bíblia; nem deve ser colocado como algo periférico, pois – na realidade – está no cerne do Evangelho, devendo ser abordado, conforme for conveniente, com sabedoria, humildade e, essencialmente, reverência ao Autor da vida. O estudo abaixo, postado originalmente no Blog do Solano Portela (e de autoria do mesmo, que é membro da Igreja Presbiteriana do Brasil), é simples, breve e muito pertinente, e essencialmente bíblico. Tenho escrito e reproduzido vários artigos sobre o tema aqui no blog, e também indico bons livros que podem auxiliá-lo na compreensão adequada do tema à luz da Palavra, como por exemplo “Calvinismo e arminianismo evangélico”, de John Girardeau, publicado em português em 2011 pela Livraria Primícias. Introdução  Dentre as doutrinas contidas na Bíblia, a “predestinação” é uma das mais difíceis de serem abordadas. Creio que poderíamos identificar três razões para essa dificuldade: I - Rejeição em função de nossa natureza pecaminosa. Nossa natureza, influenciada pelo pecado, traz uma tendência de rejeição da exaltação do Deus Soberano, ao mesmo tempo em que passa a considerar o homem superior àquilo que ele realmente é. Nesse sentido, tendemos nos apresentar numa posição de autonomia e superioridade, contrariando o que a Palavra de Deus nos revela sobre o nosso ser. As pessoas fazem um grande esforço para se desvincularem da esfera de autoridade divina, e para tirarem Deus da regência de suas vidas e do seu destino. II – Distorção, por insuficiência de base bíblica. Às vezes, a doutrina é apresentada, ou absorvida com um exame superficial da base bíblica. Se todos os ângulos não forem estudados, ou se recorrermos mais ao “eu acho” ou “eu penso” do que a uma aceitação sem pré-conceitos do que a Bíblia revela sobre as ações e planos do Deus soberano, saímos com uma ideia distorcida dessa doutrina. III – Diluição, para facilidade de compreensão. Muitas vezes, temos a ideia de que a veracidade ou não de uma doutrina está baseada na nossa capacidade de compreensão total da mesma, esquecendo-nos de que nossa compreensão é finita, imperfeita e limitada. A diluição, ao nível de nossa capacidade, traz uma série de problemas secundários que tornam a doutrina, no cômputo final, diferente da apresentação bíblica e de impossível aceitação, mediante um estudo sério da questão. Quando estudarmos a “predestinação” teremos, portanto, de estar cientes das dificuldades do estudo, mas, se tivermos seriedade e humildade para aprender o que Deus nos revela em Sua Palavra, devemos ter a disposição de considerar: 1. Os dados bíblicos: examinarmos o maior número possível de passagens. 2. A necessidade de não rejeitar os conceitos bíblicos simplesmente porque estes podem fugir à nossa compreensão, ou experiência, mas deixá-los permanecer em toda a sua objetividade e lógica transcendental, gradativamente, pela ação do Espírito, penetrando em nossas convicções. 3. O testemunho histórico da Igreja: ele não determina doutrina, mas o seu estudo é relevante para vermos como Deus tem guiado a Sua Igreja, e para discernirmos a diferença entre inovações (ventos de doutrina) e as doutrinas verdadeiras provadas no cadinho do tempo e da história eclesiástica. 4. O fato de que, quanto mais aprendermos e exaltarmos a Pessoa de Deus, mais cresceremos espiritualmente e mais chegaremos perto de nossa finalidade, que é a de glorificarmos a Ele, em todas as nossas ações. O Plano de Deus No Seu relacionamento com o homem, Deus tem um PLANO, que é mais do que um mero MAPA, constituído de caminhos alternativos, para se chegar a dois destinos finais. A Bíblia nos diz que Deus tem um plano. Este plano é: Eterno. Isaías 46:9,10, diz: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que Eu Sou Deus, e não há outro, Eu Sou Deus, e não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a Minha vontade”. Veja também: II Timóteo 1:9; Salmo 33:11; Isaías 37:26; Jeremias 31:3; Mateus 25:34; I Pedro 1:20; Salmo 139:16; II Tessalonicenses 2:13; Atos 15:17,18. Imutável. Tiago 1:17,18, diz: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança“. Veja também: Isaías 14:24,27; Isaías 46:10,11; Números 23:19; Malaquias 3:6. Inclui os atos futuros dos homens. Isso pode ser visto em todas as profecias da Bíblia, mas considere, especialmente, Mateus 20:18,19: “Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles O condenarão à morte. E O entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá”; e Lucas 22:22: “Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem Ele está sendo traído”. Veja também: Daniel 2:28 e João 6:64. Inclui os eventos não importantes, ou ocasionais. Como lemos em Provérbios 16:33: “A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda decisão”. Veja também: Jonas 1:7; Atos 1:24,26; Marcos 14:30; I Reis 22:28-34. Especifica a certeza e a inevitabilidade dos eventos. Já vimos isso em Lucas 22:22, acima, e o mesmo conceito está presente em João 8:20: “ninguém O prendeu, porque não era ainda chegada a Sua hora“. Veja também: Gênesis 41:32; Habacuque 2:3; Mateus 24:36; Lucas 21:24; Jeremias 15:2; Jó 14:5; Jeremias 27:7. Até os atos pecaminosos do homem estão incluídos (sem que Deus seja o autor de pecado). Lemos em Gênesis 45:8, que as ações malévolas dos irmãos de José faziam parte do plano de Deus: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito”. Deus, entretanto, não é o autor do pecado, como nos ensina Tiago 1:13 e Deuteronômio 32:4: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os Seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há n’Ele injustiça; é justo e reto”. Veja também: Salmo 5:4; Gênesis 50:20; Mateus 21:42; Atos 3:17,18; Amós 3:6. O livre-arbítrio e a liberdade O nosso conceito de liberdade e de livre-arbítrio é muitas vezes identificado com a execução de ações erráticas, aleatórias, sem nenhum enquadramento em um modelo comportamental ou sem nenhuma ligação com a natureza e características intrínsecas das pessoas. Será que é mesmo assim? Vamos repensar um pouco os nossos conceitos, partindo de um exame da doutrina bíblica sobre a pessoa de Deus. A. DEUS é livre? Certamente que sim! Ele é livre em um grau muito mais alto do que qualquer outro ser. Veja a Sua liberdade expressa no Salmo 115:3: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como Lhe agrada“; e em I Coríntios 12:11: “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como Lhe apraz, a cada um”. Isto significa que Suas ações são incertas? Que Ele pode mudar como um pêndulo? Pode Ele quebrar o concerto com o Seu povo? Não! Por que não? Existe alguma compulsão EXTERNA obrigando-O a isto? Certamente que não! Não existe nenhum agente ou força externa exercendo pressão ou autoridade sobre Deus, que é Soberano e está acima de tudo e todos. ENTRETANTO, é impossível para Deus mentir! Tito 1:2 fala do “Deus que não pode mentir“. Por quê? Porque isto seria contrário à Sua natureza e aos seus atributos! O Breve Catecismo de Westminster, responde à pergunta 4 – “Quem é Deus?” – com uma descrição dos atributos de Deus: “Deus é Espírito: infinito ser, sabedoria, eterno poder, justiça, imutável em Sua bondade e verdade”. Portanto, nunca, na menor de Suas ações, Ele se desviará daquele padrão de perfeição que Sua própria natureza determina. B. E o HOMEM, ele é livre? (1) SIM, o homem é livre, no sentido de que suas escolhas não são determinadas, em linhas gerais, por nenhuma compulsão externa. Podemos dizer que ele tem LIVRE AGÊNCIA. (2) ENTRETANTO, suas ações são determinadas pela natureza de seu próprio caráter, e nós sabemos que esta natureza é só pecado (Romanos 3:10-23). Neste sentido, ele não tem LIVRE-ARBÍTRIO de escolher o bem, pois é escravo do pecado. Este “livre-arbítrio” foi perdido com a queda, em Adão. (3) Mesmo não possuindo “livre-arbítrio”, definido como a possibilidade de escolha do bem, a “liberdade” que possui, definida como livre agência, não é incompatível com o enquadramento do homem nos planos divinos. Deus, soberanamente, executa os Seus desígnios ATRAVÉS da vontade das Suas criaturas. Veja os seguintes trechos: Filipenses 2:13; Provérbios 20:24; II Coríntios 3:5; Jeremias 10:23; Romanos 9:16 e Tiago 4:13-15. (*) Talvez não compreendamos COMO Deus faz isso – como Ele preserva a livre agência, mas executa com precisão os Seus planos. Mas a aceitação dos pontos 2 e 3, acima, é a chave para entendermos melhor a doutrina da soberania de Deus e a própria “predestinação”. Não é negando a existência do plano de Deus, nem diminuindo a Sua soberania, que retratamos a realidade expressa na Bíblia sobre essas questões. Não possuímos “livre-arbítrio”, mas Deus é infinitamente soberano e onipotente para executar Seus planos, sem violação da LIVRE AGÊNCIA que nos concedeu. Deus realmente determina as ações do homem? Cremos que sim. Na execução do Seu plano soberano ele determina “tudo que acontece”, mas muitos têm dificuldade na aceitação deste fato. Na realidade, temos apenas duas posições possíveis: ou Deus determina as ações do homem, ou Ele não determina estas (e o homem é completamente autônomo). Concordamos que este é um ponto de difícil compreensão. Alguns tentam contornar este problema dizendo que Deus não determina, na realidade, mas como Ele tudo conhece de antemão, Ele “determinaria”, ou “predestinaria”, as coisas que Ele sabe que irão acontecer. Ou seja, a Sua determinação é dependente do Seu conhecimento prévio, de sua onisciência. Com isso, procura-se deixar as pessoas “livres”. Será que é mesmo assim e que esta posição resolve o problema? Cremos que não! Querer resolver o problema da “liberdade humana” ancorando a soberania de Deus e a Sua predestinação na onisciência d’Ele, traz uma solução apenas aparente mas não real. A Confissão de Fé de Westminster (Capítulo III, Seção 2) diz que Deus “não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura”. Vejamos a posição contrária: se Ele determina, simplesmente porque conhece de antemão (como, por exemplo, falando-se das profecias registradas na Palavra de Deus), na hora em que Ele houvesse determinado, essas situações se tornariam fixas e imutáveis. Dificilmente um cristão dirá que Deus não é soberano, ou que Ele não cumpre o que profetizou. Sendo Ele soberano, as coisas serão cumpridas como previamente registradas. Como fica, então, a defesa da liberdade irrestrita das pessoas, do “livre-arbítrio”, neste sentido? E se os homens, segundo esse conceito, que são os agentes diretos do cumprimento das determinações que Deus colocou no Seu plano (apenas “porque Ele já conhecia”), na última hora, resolverem “mudar de ideia”, como fica esse plano de Deus? Deus também ficará mudando, à mercê das determinações do homem, e até quando? Vemos que procurar escapar à imensa evidência bíblica que ensina a irrestrita soberania de Deus, o Seu plano sábio e Sua onipotência no cumprir tudo que antes predeterminou, com o sofisma de que Deus realmente não determina, mas apenas conhece previamente, não traz qualquer pretensa “liberdade” ao homem, a não ser que se pretenda reduzir o poder de Deus. A seguir, temos um diagrama com as diferentes alternativas, posições e algumas referências bíblicas, mostrando como podemos organizar os dados das Escrituras e até onde levam alguns pensamentos e deduções: A predestinação Dentro do contexto bíblico, que estamos estudando, a “predestinação” é simplesmente um ponto específico deste plano de Deus. O nosso Deus é soberano e não existe uma área sequer do universo, da nossa vida e existência, que não esteja sob esta soberania e regência, inclusive a questão da salvação de almas. Definição. Poderíamos definir a predestinação como sendo o aspecto da pré-ordenação de Deus, através do qual a salvação do crente é considerada efetuada de acordo com a vontade de Deus, que o chamou e o elegeu em Cristo, para a vida eterna, sendo a sua aceitação VOLUNTÁRIA – da pessoa e do sacrifício de Cristo – uma CONSEQUÊNCIA desta eleição e do trabalho do Espírito Santo, que efetiva esta eleição, tocando em seu coração e abrindo-lhe os olhos para as coisas espirituais. A fonte da predestinação é a Soberana Vontade de Deus. No capítulo 6 do evangelho de João temos três versículos pertinentes: (37) “Todo aquele que o Pai Me dá, esse virá a Mim; e o que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora”; (44) “Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu o ressuscitarei no último dia”; e (65) “E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a Mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido”. Veja também: Efésios 1:4,5,11; Romamos 9:11,16. A causa da predestinação é a misericórdia infinita de Deus e a manifestação de Sua glória. Romanos 9:23 diz “a fim de que também desse a conhecer as riquezas da Sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão“. Veja também: Romanos 11:33; Efésios 1:6 e João 3:16. Os objetos da predestinação: pessoas pecadoras. Note João 1:12,13: “Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no Seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Veja também esses versos, todos em João: 5:21; 6:65; 10:26,27; 12:37-41; 1516; 17:6-8. Os meios para a concretização da predestinação. (1) O chamado externo – Mateus 22:14: “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. (2) A resposta ao chamado interno (crença) – Atos 13:48: “e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”. A doutrina da predestinação na história Vamos dar uma olhada “relâmpago” na acolhida, exposição e reflexos das doutrinas relacionadas com a Soberania de Deus, com Seus decretos e, especialmente, com a predestinação através da história. A – Entre os judeus. Os judeus aceitavam normalmente a ideia de Deus, expressa no Antigo Testamento, que O apresenta como estando em controle de tudo e de todos, dirigindo os passos e os destinos dos homens, como indica Provérbios 16:33: “A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda decisão”. Veja também: Amós 3:5,6; Isaías 45:7 e João 9:2. B – Na História da Igreja neo-testamentária. (1) Ensinada por Jesus em João 5:21, 6:65, 10:27 e 15:16. (2) Explanada por Paulo: Romanos 9:1-16; Efésios 1:4,5,11. (3) Registrada por João, Lucas e outros: João 1:12,13; Atos 13:48. C – No restante da história: Aceita pelos patriarcas da Igreja, como por exemplo Policarpo, Irineu e Eusébio. Contestada pelos ramos heréticos da Igreja, dos quais o maior expoente, nos primeiros séculos, foi PELÁGIO, que defendia o livre-arbítrio irrestrito, em oposição a AGOSTINHO, que defendeu e enalteceu a Soberania de Deus em todas as esferas, principalmente na salvação de almas. Esquecida pela Igreja Católica Apostólica Romana, na medida em que ela foi se tornando entrelaçada ao Estado, após a regência do Imperador Constantino. Este esquecimento foi paralelo ao de outras doutrinas cardeais da Bíblia, que foram sufocadas e suplantadas pelas tradições e conveniências da Igreja, concretizando-se no humanismo pragmático de Tomás de Aquino. Reaparecida em todos os movimentos pré-Reforma que desabrocharam na Idade Média, sendo uma constante, paralelamente às outras doutrinas-chave da Bíblia, entre os Waldenses (seguidores de Pedro Waldo), os Hussitas (seguidores de Jan Hus), os Lolardos (seguidores de Wycliffe), etc. Revivida por Lutero, na Reforma do Século XVI, que, despertando para as doutrinas fundamentais que haviam sido mumificadas pela Igreja Católica, a defende e a proclama, principalmente em seu livro “De servo arbítrio” (“A prisão do arbítrio”), escrito em resposta a Erasmo de Roterdã. Constante em todos os movimentos pós-Reforma, como por exemplo nos escritos e tratados de Melânchton, Zwínglio, John Knox, etc. Sistematizada, em seus ensinamentos, por João Calvino, que reapresenta e sistematiza a posição de Paulo e de Agostinho em seu tratado “Institutas da Religião Cristã”, e em outros livros e comentários bíblicos que escreveu, fundamentando a posição da Igreja Protestante contra os arminianos. Atacada apenas, nesta ocasião, por Tiago Armínio e seus seguidores, que assumiram a posição de Pelágio (veja acima), levando à reação e posicionamento contrário, oficial, conhecido como os “Cânones de Dort”, que resumem a doutrina Reformada sobre a soberania de Deus na salvação, refletindo, igualmente a interpretação bíblica dessas doutrinas contidas no Catecismo de Heildelberg e na Confissão de Fé Belga. Constituída no posicionamento oficial de quase todas as denominações que se afirmaram após a Reforma: PRESBITERIANOS – A apresentam na Confissão de Fé de Westminster, principalmente nos capítulos V, VIII, IX, X, XI e em várias perguntas e respostas dos Catecismos (Breve e Maior); BATISTAS – Estes adotaram a Confissão de Fé de Londres (1689, na Inglaterra, e 1742, nos Estados Unidos), que é semelhante em tudo à de Westminster, exceto na forma prescrita para o batismo; CONGREGACIONAIS – Na sua doutrina soteriológica se assemelhavam aos presbiterianos (alguns puritanos, caracterizados pela convicção plena da soberania de Deus, eram presbiterianos, outros, como Roger Williams, na América, eram batistas, mas muitos eram congregacionais, como Jonathan Edwards); ANGLICANOS – Na primeira reestruturação desta igreja, sob Eduardo VI, quando foram escritos os “42 Artigos de Fé”, a soberania de Deus e a posição calvinista, sobre a salvação, foi retratada e defendida. Presente nas mensagens dos grandes pregadores dos séculos XVII a XIX, tais como CHARLES SPURGEON, o grande pastor batista, que muito escreveu sobre eleição e soberania de Deus. Também por J. EDWARDS e GEORGE WHITEFIELD, nos EUA, e muitos outros países de tradição puritana. Considerada como o esteio da Igreja e da nação holandesa, durante séculos (na forma mais abrangente da Soberania de Deus, pois penetrou a vida plena da nação, inclusive na política), o que pode ser constatado nos movimentos missionários e de catequização deflagrados pelos holandeses nos séculos XVI e XVII e, mais contemporaneamente, nas vidas e escritos de KUYPER, BAVINCK e outros ilustres homens de Deus, daquele país. Considerada a mola mestra dos movimentos missionários desencadeados pela Igreja norte-americana, pois constituía a doutrina explanada pelos grandes doutores, tais como Charles Hodge, Benjamin Warfield, Dabney e tantos outros. Neste sentido, esteve presente no Brasil desde o início da Igreja Presbiteriana, pois era a doutrina dos antigos missionários (a começar com Simonton, discípulo de Hodge) e dos primeiros pastores formados por estes, tais como o Dr. Antônio Almeida e muitos outros. Infelizmente, esquecida e relegada a segundo plano por quase todo o mundo evangélico contemporâneo, que está mais preocupado com os “modismos” da época, em vez de concentração nas raízes sólidas da doutrina bíblica e na aplicação destas às pessoas, em todas as suas atividades. Este esquecimento foi provavelmente causado pelo advento do dispensacionalismo, há cerca de 150 anos, que, popularizado pela Bíblia de Scofield, tomou conta da mensagem e da teologia da maioria das denominações, inclusive das próprias igrejas presbiterianas, no maior reavivamento do pelagianismo e arminianismo desde a aparição destas correntes. Necessária no ensinamento das igrejas, que deveriam rever os seus padrões de doutrina, achegando-se cada vez mais à Palavra, para que a posição de Deus venha a ser exaltada, e para que o Evangelho puro possa ser pregado, para a glória do Seu nome. Acreditamos, portanto, que a Doutrina da Predestinação é bíblica; harmoniza-se com o todo da revelação da pessoa de Deus, conforme as Escrituras; e tem sido sustentada pelo testemunho dos segmentos fiéis da Igreja de Cristo. A seguir, examinaremos algumas objeções contra a doutrina da predestinação e concluiremos este estudo. Respondendo algumas objeções à doutrina da predestinação Nos parágrafos acima, analisamos as bases bíblicas da doutrina da predestinação, bem como as dificuldades encontradas na sua compreensão, avaliamos as situações antibíblicas e ilógicas encontradas pelas posições que rejeitam tal ensinamento, verificamos que Deus possui realmente um plano maravilhoso, que é mais do que alternativas de reação ao desenrolar da história. É um plano singular que abrange, inclusive, o plano de salvação do Seu povo. Passeando rapidamente pela história da Igreja, verificamos o testemunho abundante ao longo dos séculos e consideramos os servos do Senhor que habilmente defenderam e ensinaram a importância crucial da soberania divina, como chave para compreensão do nosso papel como peregrinos aqui na terra, servos do Deus Altíssimo. Fazendo distinção entre “livre-arbítrio” e “livre agência”, procuramos mostrar como Deus executa os Seus planos através de nossas vontades, ou seja de nossa “livre agência”. Igualmente, verificamos como as pessoas são escravas de sua natureza, incapazes de “escolher” o bem, a não ser pela ação e intervenção direta da maravilhosa Graça de Deus, pela atuação do Seu Santo Espírito em nossas vidas. Apesar da abundante evidência bíblica, a rejeição natural das doutrinas relacionadas com a soberania de Deus é algo muito forte e presente em amplo segmento do mundo evangélico contemporâneo. Numa era onde se procura o fortalecimento da autonomia do homem, onde se multiplicam as igrejas-entretenimento, onde se procura agradar para conquistar, onde está perdida a finalidade principal de todos nós – a glorificação de Deus – são levantadas muitas objeções a qualquer ensinamento que coloque o homem em seu devido lugar: como incapaz de reger o seu destino em um mundo regido pelo Deus soberano. Agora, queremos abordar algumas dessas objeções, apresentando respostas bíblicas a cada uma delas, culminando com uma dedutiva conclusão. Cinco objeções comumente levantadas contra a Doutrina da Predestinação e aos decretos de Deus 1. A predestinação é incoerente com o livre-arbítrio do homem e com a responsabilidade moral deste, para com as suas ações. Realmente, a Bíblia não apresenta o homem como sendo um autômato, um robô. De uma certa forma, ele cumpre livremente suas ações, não se esquecendo de que, como pecador, ele está escravizado à sua natureza pecaminosa. Entretanto, ele não é forçado a cometer o pecado. Ele comete porque se deleita nele, porque segue sua própria natureza. O outro lado da questão é que ele só pode “escolher” o bem verdadeiro, quando possibilitado pelo Espírito Santo. Ocorre que, mesmo considerando o fato de que nenhuma força compulsória age sobre o homem, isto não significa que Deus não tenha um plano e que Ele seja impotente para realizar este plano, a não ser que o homem concorde com Ele. NÃO! A soberania e onipotência de Deus são manifestadas na maneira como Ele opera: trabalhando através da vontade do homem, e não contra ela. É assim que temos essa verdade expressa em Filipenses 2:12,13: “De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é O que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade”. Vejamos alguns exemplos bíblicos, sobre a maneira como Deus opera a Sua vontade através da livre agência das pessoas: José, no Egito. Seus irmãos agiram livremente, sem nada que os compelisse a praticar o mal cometido. Entretanto, estavam cumprindo o plano predeterminado de Deus. É importantíssimo notarmos que todos eles foram responsáveis por suas ações diante de Deus. Considere as seguintes referências, no livro de Gênesis: (42:21) Os irmãos sabiam de sua culpa: “Então disseram uns aos outros: Nós, na verdade, somos culpados no tocante a nosso irmão, porquanto vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava, e não o quisemos atender; é por isso que vem sobre nós esta angústia”; (45:5) José tinha consciência de que Deus agia soberanamente sobre todos os incidentes: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos aborreçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós”; (45:8) A causa final era Deus: “Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador sobre toda a terra do Egito”; (50:20) O Plano soberano de Deus contemplava o bem, como resultado final: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida”. Faraó. Faraó agiu injustamente contra o povo de Deus e por causa disto foi castigado e responsabilizado por Deus. Entretanto, agiu sempre livre e voluntariamente, apesar de estar cumprindo os propósitos de Deus. Aprendemos isso na leitura dos seguintes versos: (Êxodo 9:16) Faraó agia livremente, externando a sua obstinação despótica e pecaminosa, mas cumpria o propósito de Deus: “mas, na verdade, para isso te tenho mantido com vida, para te mostrar o Meu poder, e para que o Meu nome seja anunciado em toda a terra”; (Êxodo 10:1,2) Deus endureceu o coração de Faraó: “Depois disse o Senhor a Moisés: vai a Faraó; porque tenho endurecido o seu coração, e o coração de seus servos, para manifestar estes meus sinais no meio deles, e para que contes aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos, as coisas que fiz no Egito, e os meus sinais que operei entre eles; para que vós saibais que Eu Sou o Senhor”; (Romanos 9:17) Paulo utiliza o incidente para demonstrar a soberania de Deus: “Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o Meu poder, e para que seja anunciado o Meu nome em toda a terra”. O Rei Ciro. Ele agiu livremente ordenando a reconstrução do Templo, em Jerusalém. Não sabia que Deus trabalhava por intermédio de sua livre agência e que estava cumprindo os desígnios de Deus. (Esdras 1:1-3) Vemos Deus no controle da história e o Rei em Suas mãos: “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor proferida pela boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, de modo que ele fez proclamar por todo o seu reino, de viva voz e também por escrito, este decreto. Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós de todo o seu povo (seja seu Deus com ele) suba para Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém”. Provérbios 21:1. Este verso indica o governo soberano e incontestável de Deus: “Como corrente de águas é o coração do rei na mão do Senhor; Ele o inclina para onde quer”. A Crucificação de Cristo. Era um evento CERTO, INEVITÁVEL e planejado (Atos 4.27,28: “Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o Teu Santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho predeterminaram que se fizesse”). Entretanto, nem por isto os judeus foram forçados a crucificar a Cristo. Judas cumpriu LIVREMENTE, como fruto de sua própria ganância e impiedade, o propósito de Deus, mas não foi inocentado pelo fato de estar “apenas” cumprindo os Decretos de Deus. Os judeus seguiram, também, suas próprias inclinações malévolas, mas cumpriam, mesmo assim, a predeterminação de Deus. Note que Pedro não os inocentou por isto. Muito pelo contrário! Foram responsabilizados pelos seus atos, em Atos 2:23: “a Este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-O pelas mãos de iníquos”. Essa responsabilização ocorre na mesma passagem em que a Soberania de Deus é apontada como estando por trás de todos os eventos. Dois exemplos adicionais de como Deus pode cumprir os seus propósitos e planos, mesmo assim preservando a responsabilidade humana: (Apocalipse 17:17) Deus coloca nos corações a execução de Suas intenções: “Porque Deus lhes pôs nos corações o executarem o intento d’Ele, chegarem a um acordo, e entregarem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus”. (II Samuel 17:14) Absalão segue um conselho, mas sem saber cumpre os desígnios de Deus: “Então Absalão e todos os homens e Israel disseram: Melhor é o conselho de Husai, o arquita, do que o conselho de Aitofel: Porque assim o Senhor o ordenara, para aniquilar o bom conselho de Aitofel, a fim de trazer o mal sobre Absalão”. 2. Se tudo que acontece é pré-ordenado, como lemos, na Bíblia, que Deus “se arrepende”? Por exemplo, em Gênesis 6:6  - “arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra” – ou em Joel 12:13 – “se arrepende do mal”? A expressão “arrependimento”, utilizada na Bíblia com relação a Deus, indica uma mudança em um curso de ação ou em um relacionamento da parte de Deus, da forma em que estava sendo encaminhado até a ocasião da mudança. Não tem, esta expressão, as mesmas conotações deste sentimento no homem. Na linguagem teológica, dá-se o nome a estas expressões de ANTROPOMORFISMO, ou seja, a utilização de linguagem e formas humanas para expressar qualidade, ações ou características de Deus, em um sentido figurado. Exemplos: Gênesis 18:20,21; Gênesis 22:12; Jeremias 7:13; Lucas 20:13. No caso da passagem de Joel, o contexto está descrevendo Deus como misericordioso, compassivo, tardio em irar-se, grande em benignidade e nem sempre executa o julgamento que seria o curso natural – “se arrepende do mal”. O julgamento é iminente. Ele é apropriado. Ele é justo. Ele procede do Deus todo-poderoso. Ele é mortal. Mas ele é executado pelo Justo Juiz que detém o poder e a prerrogativa de sustá-lo. O termo “arrependimento”, portanto, utilizado com relação a Deus, não tem o mesmo significado de quando ele é utilizado com relação às pessoas. A dissociação é estabelecida por Números 23:19: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que Se arrependa. Porventura, tendo Ele dito, não o fará? Ou, havendo falado, não o cumprirá?”. Os homens, os filhos dos homens, mentem – dizem uma coisa e fazem outra; ou se arrependem – ou, no mesmo sentido, dizem que farão uma coisa e fazem outra; Deus é diferente. Ele é veraz. Da mesma forma, I Samuel 29:15, diz: “Também Aquele que é a Força de Israel não mente nem Se arrepende, porquanto não é homem para que se arrependa”. Deus é perfeito. Ele é soberano. Ele diz e faz; Ele fala e cumpre; Ele tem um plano e executa. Quando a Palavra, portanto, diz que Ele se arrepende; não é arrependimento no significado do termo para descrever ações dos filhos dos homens. A utilização da expressão, para descrever ação humana, abriga, muitas vezes, o conceito de “remorso”. ”Arrepender-se”, no que diz respeito a Deus, significa aparente mudança de curso de ação; significa colocar em prática as prerrogativas de perdão, de retenção de julgamento. Significa que a expectativa de que o julgamento, mesmo justo e devido, não é concretizada. Em todo e qualquer caso, mesmo o “arrependimento”, a mudança do curso de ação, estava contemplada em Seus planos insondáveis e maravilhosos. 3. Se existe um plano predeterminado por Deus para tudo, como é que a Sua vontade e a Sua missão é muitas vezes derrotada, como por exemplo em Mateus 23:37? Os planos de Deus não são frustrados. Temos que discernir entre a VONTADE PRECEPTIVA de Deus e a Sua VONTADE DECRETIVA. Esta última, é o Seu desejo refletido em Seus decretos, que serão certamente cumpridos – Isaías 46.10: “O Moç;l990kmb mPredestinação e livre arbítrio

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