DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

terça-feira, 17 de julho de 2012

O BOM COMBATE



O apóstoloPaulo foi um grande soldado. Sua luta foi, em parte, contra inimigos externos contradificuldades de todas as espécies. Por cinco vezes, foi açoitado pelos judeus;e três vezes, pelos romanos, Naufragou quatro vezes; esteve em perigos de água,em perigos de salteadores, em perigos por parte de seus compatriotas, em perigona cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsosirmãos. E, finalmente, chegou ao término lógico de uma vida de combatentes, morrendoao fio da espada.Dificilmente, diríamosque essa foi uma vida pacífica; pelo contrário, foi uma vida de aventuras ferozes.Suponho que Lindbergh se emocionou muito quando atravessou sensacionalmente ooceano, de avião, e aterrissou em Paris. Em nossos dias, as pessoas vivem àprocura de emoções fortes; mas, se alguém deseja encontrar uma sucessãorealmente ininterrupta de emoções, penso que não poderia fazer nada melhor doque vaguear pelo império romano do século I, em companhia do apóstolo Paulo,que se ocupava do negócio impopular de transtornar o mundo.No entanto, ostranstornos físicos não eram a principal batalha do apóstolo Paulo. Muito mais árduaera a sua luta contra os inimigos de seu próprio campo. Sua retaguarda viviaameaçada pelo paganismo que a tudo envolvia ou pelo judaísmo pervertido quenunca compreendeu o verdadeiro propósito da lei do Antigo Testamento. Leia-seas suas epístolas com cuidado e ver-se-á Paulo em conflito constante. Em certa ocasião,ei-lo a lutar contra o paganismo na vida do indivíduo que nutre a ideia errôneade que todas as condutas são legítimas para o crente, atitude essa que faz da liberdadecristã um motivo para a licenciosidade pagã. Noutra ocasião, ei-lo a lutarcontra os conceitos pagãos — ou seja, contra o aprimoramento da sublimação dadoutrina cristã da ressurreição do corpo na doutrina pagã da imortalidade daalma.Os instrumentoshumanos que Deus emprega nos grandes triunfos da fé não são pacifistas, e sim,grandes soldados semelhantes a Paulo. O grande batalhão dos consideradores de conseqüênciastem pouquíssima afinidade com o nobre apóstolo —ou seja, todos os transigentes,antigos ou modernos. Os companheiros autênticos de Paulo são os grandes heróisda fé. Mas, quem são esses heróis? Não são todos eles verdadeiros lutadores?Tertuliano se lançou em batalha titânica contra Márciom; Atanásio combateuPelágio; e Lutero pelejou corajosamentecontra reis, príncipes e papas, na defesa da liberdade do povo de Deus. Luterofoi um bravo combatente; e o amamos por esse motivo. Assim também foi Calvino,bem como João Knox e muitos outros da mesma estirpe. É impossível a alguém ser umverdadeiro soldado de Jesus Cristo e não ser um combatente. Todavia, nesseconflito, não penso que podemos ser bons soldados apenas por estarmosresolvidos a lutar. Pois esta é uma batalha de amor; e nada prejudica tanto oserviço prestado pelo crente como o espírito de ódio. Não! Se quisermosaprender o segredo desta guerra, teremos de olhar com maior penetração; e não podemosfazer nada melhor do que contemplar aquele grande lutador, o apóstolo Paulo.Qual era o segredo de seu poder neste conflito gigantesco? Como ele aprendeu alutar?A resposta é um paradoxo,mas é muito simples. Paulo era um lutador notável porque se sentia em paz. Aqueleque recomendou: “Combate o bom combate” também falou sobre a “paz de Deus queexcede todo o entendimento”. É justamente nesta paz que encontramos o vigor de suaguerra. Paulo lutava contra os inimigos externos, porque usufruía de paz no íntimo;havia um santuário interno em sua vida, inatingível por qualquer adversário.Essa, meus amigos, é a verdade central. Ninguém pode lutar com sucesso contra asferas, a exemplo de Paulo em Éfeso; ninguém pode combater com sucesso contraindivíduos perversos ou contra o diabo e seus poderes espirituais da maldadenos lugares celestiais, a menos que, enquanto combate tais inimigos, esteja empaz com Cristo.Mas, se alguém está empaz com Cristo, pouco lhe importa o que os homens possam fazer. E pode afirmar juntamentecom os apóstolos: “Antes importa obedecer a Deus que aos homens”. E dizer, emcompanhia de Lutero: “Aqui estou. Não posso agir doutro modo. Deus me ajude.Amém”; ou declarar como Eliseu: “Mais são os que estão conosco do que os queestão com eles”. Ou, ainda, dizer juntamente com Paulo: “Quem intentaráacusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem oscondenará?” Sem a presença da paz de Deus em seus corações, vocês infundirão poucoterror entre as hostes dos inimigos do evangelho deCristo. Não há outra maneira para o crente ser realmente um bom combatente.Ninguém pode lutar na batalha de Deus contra os seus inimigos, a menos que estejaem paz com Ele.Muito mais fácil éobter o favor do mundo, por abusar daqueles de quem o mundo abusa, e falarcontra a controvérsia em uma atitude de espectador, contemplando de longe a lutaem que estão engajados os servos do Senhor. Que Deus nos livre de umaneutralidade como essa! Tem certa aparência mundana de urbanidade e caridade.Mas quanta crueldade isso demonstra para com as almas sobrecarregadas; quantaruindade para os pequeninos que esperam da Igreja uma mensagem viva de Deus!Deus os livre, portanto, de serem tão cruéis, tão destituídos de amor e tão frios!Antes, que Deus lhes conceda que, com toda a ousadia, e dependendo sempre dEle,possam combater o bom combate da fé. Na verdade, vocês já possuem aquela paz deDeus que ultrapassa todo o entendimento. Mas essa paz não lhes foi outorgadapara que vocês sejam pacíficos espectadores neutros, nesta grande batalha, esim para que sejam combativos soldados de Jesus Cristo._____________J. Greham Machen(1881-1937) por muitos anos foi professor no Seminário de Princeton e forteeclesiástico da Igreja Presbiteriana Unida. Após longa e árdua luta contra atransigência teológica que ameaçava a ortodoxia do seminário, resignou suaposição e fundou o Seminário de Westminster. Após ser excluído da igreja,serviu de instrumento para o estabelecimento da Igreja Presbiteriana Ortodoxa.Fonte: Revista Fé para Hoje, Ed. Fiel

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