DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Neopentecostalismo Sob a Ótica Cristã Tradicional



O contra ponto Neopentecostal e o Cristianismo Tradicional A preocupação deste artigo não é levantar dados históricos sobre o movimento Neopentecostal, mas avaliar, a partir do cristianismo desenvolvido ao longo do tempo. Ao falar em “Fé Cristã Tradicional” refiro-me ao pensamento cristão comum, não a hábitos, costumes, ou doutrina. Apesar de que alguns pontos, sobre tudo doutrinários são divisores fortes entre a “Fé Cristã Tradicional” e o Neopentecostalismo. O ponto doutrinário que podemos destacar como sendo tradição para os cristãos predominantemente evangélicos, reformados ou protestantes históricos e que vem muito da herança de personagens cruciais como Lutero e Calvino, ou de denominações históricas como os Presbiterianos e Batistas são as escrituras como regra de fé e desenvolvimento cristão. O cume da Reforma Protestante é justamente o fato de que avaliando a justificação do crente através das escrituras, os reformadores investiram numa ressurgência do valor da tradição Bíblica e não do magistério ou clero, nem tão pouco do culto aos santos, ou fé em relíquias para obtenção de bênçãos pessoais. Por tanto a tradição cristã está pautada somente nas Escrituras (Sola Scriptura). É comum vermos qualquer expressão de religião fundamentar-se em algum escrito, a não ser os casos de grupos que mantém a tradição oral como meio de propagação da religião como é o caso das religiões afro. No Neopentecostalismo o uso dos textos Bíblicos tem uma direção particular. Neopentecostal e a fé positiva (a) Esse ponto parece soar redundante, pois fé sempre será positiva no pensamento humano. No caso do Neopentecostalismo a fé positiva é uma “resposta” desafiadora a cristãos que são chamados racionalistas por eles. Médico, por exemplo, serve só para testificar a cura que vão receber. Se a fé é positiva, logo a medicina ou servirá para salientar a cura. Depois de uma sessão de positivismo a sugestão é ir ao médico e fazer exames e pronto. Então a fé negativa deles é acreditar que alguém possa depender do médico. Isaías 53 para eles é a formula mágica das curas do corpo. (b) Semeie para colher! Talvez a frase mais usada hoje no movimento e quase que sorrateiramente está em púlpitos e conversas informais de cristãos tradicionais e mesmo de não crentes. O uso de Gálatas 6, quanto a semeadura está atrelado sempre a conceitos de fé superabundante ou até representativa. A fé representativa está no discurso de que se você não acredita não tem problema, eu representarei você pela minha fé, e semeando você colhera assim mesmo. O resultado disto é DINHEIRO + PESSOAS = TEMPLOS > TEMPLOS + CAMPANHAS = MAIS DINHEIRO. O sofrimento é substituído pelo que você colhe ou amenizado pelo ato de dar, Note que tudo gira em torno de dinheiro. (c) Venha e não sofra mais! Esta já foi mais usada, mas continua em vigor. Sofrimento e vida financeira são coisas que andam juntas no movimento. Nunca saberemos qual é a quantia ou a quantidade de bens definira o quanto esse ou aquele fiel é bem sucedido ao ponto de fazê-lo parar de sofrer. Cristianismo Tradicional e a fé, equilíbrio e Escrituras (a) No cristianismo tradicional a fé está acompanhada do seu objetivo maior, o de homens ímpios tornar-se justificados. As os milagres são efeitos da providência divina, que faz o que quer, quando quer e para seu próprio objetivo, coerente e eficaz. A fé nada tem a ver com o resultado do homem em Deus, mas de Deus no homem. Em Efésios 1 Paulo tara das bênçãos espirituais sendo elas a eleição, salvação e selo do Espírito Santo (vrs. 3-5, 11-13). Em Efésios 2 Paulo explica que isto o resultado disto é a fé, uma coisa que não vem de nós. Logo se não vem de nós, é Deus quem opera a fé, e esta fé é instrumento dele. Romanos 11 nos mostra que não aconselhamos a Deus e nem o sugestionamos para que pudesse fazer algo. Por isso para os cristãos tradicionais, a fé, não é negativa ou positiva, ou você a tem ou não tem, Ou foi dada aos homens ou não foi dada. O que é negativo é sua incredulidade. A providência divina está em todas as coisas que ele bem quer usar. Balaão ouviu a mula lhe falar coisas que ele deveria falar, pois o profeta era ele e não a mula. Ora, se a mula pode falar com Balaão poderá um médico ateu ser ferramenta de Deus numa sala de cirurgias? Agindo Deus quem o impedirá? Por isso a fé equilibrada é oriunda das Escrituras para a conduta do crente. A fé equilibrada facilmente nos levará a entender que Isaias 53 está tratando da expiação de Cristo para a remissão de pecados. “Nossas enfermidades” é a nossa iniqüidade e não inflamações das juntas dos ossos, caroços pelo corpo ou pouco dinheiro no banco. Um crente fiel a Deus até poderá conviver com essas dificuldades, mas sendo iníquo, nem com essa realidade que é própria de si pode conviver. Isaias disse: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5). Vamos as Escrituras. Jesus foi ferido por causa das nossas trangressões e transgressão é o mesmo que quebrar uma regra ou lei, e ainda o trecho diz que ele foi moído por conta das iniqüidades. A iniqüidade é o mesmo que saber que quebrou a regra ou lei e mesmo assim continua na prática. Também tem sentido de estar encharcado ou mergulhado em algo. O mesmo Isaias, um capítulo antes, logo nos primeiros versículos fala que são estas coisas que nos separam de Deus. Logo, segundo as Escrituras nestes breves textos, somos sarados das doenças espirituais que nos fizeram inimigos de Deus (Cl 1.21), que nos mataram (Ef 2.5). Sola Scriptura! (b) Paulo ao exortar (animar) os Corintios a ofertar ele diz: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (2 Co 8:1-3) Existem algumas observações a serem feitas aqui. (1) A igrejas da Macedônia eram um exemplo; (2) eles passavam por muitas tribulações; (3) eram alegres mesmo assim; (4) eram pobres; (5) foram generosos. Em poucas palavras quero concluir que este talvez não seja um bom exemplo para os neopentecostais, para a mídia cristã moderna ou para arrebanhar novos filantropos da fé. É verdade, eles não são crentes, são bons empresários cheios de vontade de dar e receber, e somente isso até o momento. O que vem a ser “a sua profunda pobreza abundou em riquezas...”. Para os modernos eles passaram de pobres a ricos. Mas isso é mal observar e interpretar o texto em questão. A afirmativa de Paulo é de que estes eram pobres financeiramente e sua riqueza é de generosidade ou a generosidade se tornou rica. O trecho inteiro diz; “a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade”. Note que o trecho não fala que a pobreza se tornou, mas sim abundou em riqueza. Isto porque logo depois Paulo ressalta que eles deram além de suas posses. Tudo isto para que Paulo pudesse suprir as necessidades da igreja no geral. Ou seja, ser pobre não é desculpa para barganhar o tal semear e colher. Paulo não adulou a Macedônia com esse tipo de coisa também. Sola Scriptura! (c) “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33) A ilusão neopentecostal é como o macarrão instantâneo. Quem na vida vai parar de sofrer? O apelo dos cartazes nem mesmo embute a prática de discipular os que atenderam ao cartaz na transformação da vida e da conduta pelo sangue de Cristo e pelas Escrituras. O cartaz é tanto ilusão quanto as práticas posteriores. Basta ligar a TV, nem preciso argumentar muito. Ao invés de adular a psique dos ímpios Jesus deixa para eles a instrução de que a vida é cheia de “pedras de tropeço”, mas que ainda que os homens passe por tudo isto ele mesmo venceu estas “pedras”. Mas não prometeu tira-las do caminho. Ele prometeu só que estaria conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28.20). Isto deveria ser o suficiente. Paulo ainda exorta os Romanos nesta questão ao dizer que: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência” (Rm 5.3). Paulo não está iludindo ninguém, mas incentivando os crentes de Roma a perseverarem, por que a recompensa das tribulações será a paciência. Quem sabe é a paciência para suportar outras? Mas acredito eu que é a paciência para chegar ao destino final da fé, que é a morada celestial. Não estamos iludidos. Sola Scriptura!

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