DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DEVEM OS CRISTÃOS COMEMORAR A PÁSCOA USANDO OS TIPOS CERIMONIAIS DO ANTIGO TESTAMENTO?


“Admira-me que estejaispassando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outroevangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e queremperverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo docéu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que váalém daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.6-9).I – INTRODUÇÃOEstamosno período comumente conhecido como “Semana Santa”, uma data promovida, aprincípio, pelo Catolicismo Romano, mas que em virtude da “alma católica dosevangélicos brasileiros”[1],foi assimilada pelo evangelicalismo e até mesmo pelas denominações protestantesreformadas. Em 2010 postei aqui, no Cristão Reformado, o meu posicionamento e oque entendo ser a postura do presbiterianismo histórico em relação à Páscoa(aqui, aqui e aqui).Apesardo meu posicionamento, convivo bem com irmãos amados que não possuem o mesmoentendimento que eu. Não brigo, não crio um clima beligerante com aqueles quedesejam celebrar a Páscoa em suas igrejas, culminando com a celebração dochamado “culto da ressurreição” no domingo pela manhã. Não obstante, nãoconsigo admitir que pastores, homens incumbidos de ensinar a Palavra de Deus emsua inteireza à igreja local entregue aos seus cuidados, levem as ovelhas doSenhor de volta às sombras veterotestamentárias, e que, para tentar justificarisso, apelem para decisões conciliares claramente discutíveis. Não consigoficar calmo quando vejo igrejas desprezando o sacrifício de Cristo na cruz doCalvário, por celebrarem o que chamam de Páscoa se reunindo no dia do Senhor,no domingo, para juntos comerem um cordeiro assado, pães sem fermento e ervasamargas (alface). E o mais aberrante é que, logo depois celebram a Ceia doSenhor, resultando assim, num sincretismo pernicioso.II – “FUNDAMENTAÇÃO”DA PRÁTICATrêsjustificativas são apresentadas:1)   Trata-se de uma simpleslembrança da primeira páscoa, em Êxodo 12, quando os israelitas receberam omandamento referente à instituição da Sêder,a páscoa veterotestamentária. Argumenta-se que é um simples memorial de um dos grandes eventos daHistória da Redenção, quando o Senhor, com mão poderosa, libertou o seu povo dojugo egípcio;2)   Os adeptos dessa prática dizemque, além de ser uma simples lembrança da primeira páscoa, o fato de a igrejase reunir para comer um cordeiro assado, pães sem fermento e alface seconstitui numa simples encenação, ouseja, uma simples representação teatral da primeira páscoa. Diz-se que a igrejanão está sendo ensinada a celebrar a Páscoa. Na verdade, a igreja está apenasapresentando uma peça; e3)   Há afirmação de que seja apenasum recurso didático, uma forma de ensino.Diz-se que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a páscoa nos moldesveterotestamentários, mas está sendo ensinada, simplesmente acerca de como sedeu a primeira páscoa, em Êxodo 12.Gostariade fazer alguns comentários pontuais a respeito das três justificativasapresentadas em favor daquilo que, escrituristicamente, é uma abominação:1)   Em Mateus 28.19-20, encontramosJesus dizendo o seguinte aos seus doze discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os emnome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Eeis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Osdiscípulos deveriam fazer com que a Igreja praticasse tudo aquilo que foiordenado pelo Senhor Jesus Cristo. Apenas isso! Encontramos alguma ordem deJesus referente à observância da páscoa? Sim e não. Em Lucas 22.19, Jesus,estando reunido com os Doze, ordenao seguinte: “E, tomando um pão, tendodado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido porvós; fazei isto em memória de mim”.Jesus não ordenou, em absoluto, que os seus discípulos organizassem um memorialou uma lembrança da páscoa judaica. A partir daquele instante, os discípulosdeveriam lembrar a sua morte através da celebração da Ceia do Senhor, o que éconfirmado pelo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 11.23-25: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o SenhorJesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo graças, o partiu edisse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haverceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meusangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”. A razão para tal descontinuidade entre acelebração pascoalina veterotestamentária e a Ceia da Nova Aliança é apontadapelo mesmo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 5.7: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois,de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nossoCordeiro pascal, foi imolado”. Jesus Cristo é o cumprimento da páscoado Antigo Testamento. O Dr. John Sittema diz o seguinte a este respeito: “Jesus,um rabino do século 1º, celebrou a festa do modo como foi transmitida à suageração, uma comemoração envolta em séculos de costumes. Honrou todos osrequisitos de uma celebração pascal tradicional. Sua ‘Última Ceia’ foi,evidentemente, uma refeição Sêder.Porém, Jesus fez mais do que celebrar a Páscoa. Ele a encarnou”.[2]Interessantemente, apesar de a refeição de Jesus ter sido uma Sêder, ele não ordenou que os discípulosse reunissem para comer um cordeiro assado, porém, apenas pão e vinho. Nadamais que isso.2)   A afirmação de que se tratasimplesmente de uma lembrança daprimeira páscoa é falaciosa, visto que a primeira páscoa foi caracterizada porser uma celebração familiar. Cada família deveria providenciar e imolar o seupróprio cordeiro. Cada família deveria se reunir em seu lar para comer ocordeiro, os pães asmos e as ervas amargas. Cada família deveria espalhar osangue nos umbrais das portas e janelas de sua própria casa. É o que diz Êxodo12.3-4: “Falai a toda a congregação deIsrael, dizendo: Aos dez deste mês, cadaum tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cadafamília. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidaráele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o quecada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro”.Reunir a igreja para comer cordeiro, pão e alface em nada lembra a primeirapáscoa – a não ser nos alimentos oferecidos. Tal prática lembra, sim, a páscoacelebrada no tabernáculo e no templo, já na terra de Canaã, a partir deDeuteronômio 16.1-8, particularmente o versículo 2: “Então, sacrificarás como oferta de Páscoa ao SENHOR, teu Deus, dorebanho e do gado, no lugar que o SENHORescolher para ali fazer habitar o seu nome”. Tal celebração era parteinextricável do que ficou conhecido como “lei cerimonial”. Sobre o caráter daprimeira páscoa, as palavras do Dr. John Sittema são pertinentes: “Osparticipantes pertenciam ao círculo íntimo: tratava-se de uma celebraçãofamiliar e cada homem deveria escolher um cordeiro para a sua casa e sócompartilhá-lo com o vizinho se sua família fosse pequena demais para consumiro cordeiro inteiro”.[3]Ele diz ainda que, a mudança para o tabernáculo e, posteriormente, para otemplo “transformou a Páscoa na primeira das ‘festas peregrinação’ para asquais os israelitas deviam se deslocar até a casa do Senhor”.[4] OPr. Moisés Bezerril, respeitado teólogo, afirma ainda que: “A Santa Ceia temaspectos característicos da Nova Aliança. A páscoa era somente para Israel ealguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participaremdaquele sacramento. Certamente que a páscoa era o sacramento familiar, daquelafamília com exclusividade, mas a santa ceia é o sacramento de todas as famíliasjuntas ao mesmo tempo”.[5] Istoposto, os adeptos da celebração pascoalina judaizante deveriam ser sinceros arespeito de seu apego às sombras do Antigo Testamento e do seu descaso para acom a viva realidade que é Jesus Cristo.3)   Ainda no que tange à afirmaçãode que reunir a igreja para comer cordeiro assado, pães sem fermento e alface éum simples memorial da primeirapáscoa, podemos afirmar que, isso se constitui em um retorno ao cerimonialismojudaico, o qual deveria ser repetido todos os anos. Com a celebração daprimeira páscoa, em Êxodo 12, foi estabelecida também a cerimônia anual da Pêsah: “Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade aoSENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (v. 14).Sobre isso, o comentário de L. S. Chafer é interessante: “Tão profunda foi estaredenção que de Israel era exigido que, em reconhecimento dela, fosseestabelecida a Páscoa por todas as gerações – não como uma renovação da redenção, mas como um memorial”.[6]Devemos compreender que, aqueles que estavam debaixo das sombras do AntigoTestamento é quem deveriam celebrar a primeira páscoa. Os israelitas tinham odever de lembrar a libertaçãoocorrida naquela noite extraordinária. Então, como deve ser entendida a ação dereunir a igreja, no dia do Senhor, para relembrara primeira páscoa? Não seria essa uma prática judaizante? E não foi justamentecontra esse tipo de prática que o apóstolo Paulo lançou os seus anátemas(Gálatas 1.8-9)?4)   Dizer que reunir a igreja, nodomingo, para comer cordeiro assado, pães asmos e alface se trata, apenas deuma simples e inofensiva encenação eque a igreja não está sendo ensinada acelebrar a páscoa judaica é um argumento extremamente débil e falacioso.Quando alguém argumenta dessa maneira, a intenção é descaracterizar ocerimonialismo inerente ao ritual judaico e, assim, não ser acusado de fazer detal ritual um ato de culto. Apesar desse esforço, tal tentativa é ineficaz,pois essa “encenação”, quando repetida ano após ano, adquire, sim, um caráterritualístico e cerimonial. Essa “encenação”, quando repetida ano após ano,acaba por se constituir em uma tradição vista como correta e, daí por diante,como legítima expressão cúltica. À medida que a “Semana Santa” se aproxima, osmembros da igreja criam uma grande expectativa a respeito do cordeiro que serácomido pela igreja reunida no domingo. Com isso, estabelece-se um perigoso emaléfico misticismo no seio da igreja. Além disso, se é necessário que existaalguma encenação acerca do sofrimento do Redentor, creio que a Ceia do Senhor éa melhor e mais apropriada encenação pascal (1 Coríntios 5.7). Sendo assim,quando um pastor “encena” ano após ano a páscoa judaica, reunindo a igreja sobseus auspícios para comer um cordeiro assado e os demais alimentos, ele está,sim, ensinando a sua igreja a fazer aquilo. Ele está fazendo com que a suaigreja se devote às sombras cerimoniais. Sem saber, ele faz com que sua igrejadespreze o sacrifício perfeito de nosso Senhor Jesus Cristo.5)   Sobre o argumento de que setrata apenas de um recurso didático, omesmo nada mais é do que uma tentativa de eufemizar a prática, pois a execuçãoda mesma mostra que se trata, sim, de um ritual. Quando isso acontece, é comumvermos os presbíteros postados à mesa, os membros da igreja em fila no corredorcentral da nave, prontos e ávidos por receberem uma porção da carne docordeiro, do pão sem fermento e da hortaliça. Além disso, o pastor está nopúlpito, dando a palavra de ordem para que os membros se dirijam até à mesa.Pra tornar o caso ainda mais sério, logo após celebra-se a Ceia do Senhor, namesma mesa onde o cordeiro foi servido à congregação, e no mesmo serviçolitúrgico. Creio que, se a intenção fosse simplesmente a de ensinar à igrejacomo se processou a primeira páscoa de Êxodo 12, uma ocasião excelente seria arealização de um almoço logo após à Escola Dominical.Oque pode ser percebido nos argumentos apresentados em favor da práticaabominável de celebrar a páscoa nos moldes veterotestamentários, é que osmesmos carecem de fundamentação escriturística. Não é apresentada sequer umapassagem que justifique a inserção do cerimonialismo judaico em um cultosegundo os princípios da Nova Aliança. Quando muito, apresenta-se uma resoluçãoconciliar que, numa leitura distorcida, apóia a prática.III – SOBRE OAPEGO AOS TIPOS E O DESPREZO PELO ANTÍTIPOEtimologicamente,a palavra grega tipos “significa umaestampa que pode servir como um molde ou padrão, e que é típica no AntigoTestamento como um molde ou padrão do que é antitípico no Novo Testamento”.[7] Umtipo pode ser definido como: “um modelo ou exemplo que antecipa ou precede umarealização última”.[8]Nesse sentido, pessoas, lugares, coisas, rituais, fatos e animais podemaparecer nas Sagradas Escrituras como tipos. O Dr. Heber Carlos de Camposdefine “tipo” da seguinte maneira: “Um tipodiz respeito a uma pessoa, a uma ação, a um evento, a uma cerimônia, etc.,mencionado no Antigo Testamento, que prefigura um Antítipo da mesma natureza noNovo Testamento”.[9]O scholar Louis Berkhof afirma que, “a ideia fundamental [do tipo] é a da‘relação representativa preordenada que certas pessoas, eventos, e instituiçõesdo Antigo Testamento têm com pessoas, eventos, e instituições correspondentesdo Novo’”.[10]Chafer diz que, “um tipo é uma descrição estruturada que retrata o seu antítipo.Ele é a própria ilustração que Deus dá de sua verdade desenhada por sua própriamão”.[11]Assim,objetos como a arca que livrou Noé e seus familiares do dilúvio, a serpente debronze, o tabernáculo e o templo são claramente tipológicos. Eles funcionam nasSagradas Escrituras como tipos de Jesus Cristo, aquele que livrou o povo deDeus do derramamento de Sua ira, que pendurado no madeiro trouxe salvaçãoàqueles que olham com confiança para Ele e que é a perfeita habitação de Deusentre o seu povo. Homens como Abraão, José, Moisés, Josué também serviram comotipos de Jesus, por retratarem aspectos da obra que seria realizada e consumadafuturamente por Jesus Cristo, em sua encarnação e ministério terreno.Claramente,o cordeiro pascal de Êxodo 12 é um tipo de Jesus Cristo. Na verdade, todos ossacrifícios realizados durante a administração pactual do Antigo Testamentoapontavam, prefiguravam o sacrifício perfeito de nosso Senhor Jesus. O Dr.Gerard van Groningen afirma que, “o relato sobre o cordeiro pascal em Êx12.3-11 é o ponto de partida para todas as outras referências a esse cordeiro”.[12]Esse cordeiro pascal era um tipo do Cordeiro que seria revelado plenamente noNovo Testamento. Ele era um tipo de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus: “No dia seguinte, viu João a Jesus, quevinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”(João 1.29). Em Atos dos Apóstolos 8.32, somos informados de que, “a passagem da Escritura que estava lendoera esta: Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo peranteo seu tosquiador, assim ele não abriu a boca”. Filipe disse ao Eunucoetíope que, a passagem de Isaías 53.7-8 estava falando a respeito de JesusCristo, o Cordeiro de Deus. O fator central relativo ao cordeiro de Êxodo 12 éo sangue marcado nos umbrais das portas dos israelitas:O sangue foi o meio que Yahweh empregou parapoupar os primogênitos de Israel. O cordeiro, para que seu sangue fosse útil,tinha de morrer. Assim, o cordeiro tornou-se um substituto para todos osprimogênitos em Israel. Sem que o sangue do cordeiro fosse derramado, recolhidoe aplicado, não haveria nenhuma libertação, nenhuma redenção para o povoescolhido de Yahweh. O sangue do cordeiro usado no tempo do êxodo apontava,como um tipo, para o sangue de Cristo derramado, sem o qual não há redenção docativeiro do pecado (Hb 9.22). O sangue do cordeiro funcionava redentivamentee, portanto, tem um significado messiânico definido.[13]Algoque não deve ser esquecido a respeito dos tipos,é que, por natureza, eles são imperfeitos, isto é, “o Antítipo é superior emaior em significado do que Tipo”.[14] Aimperfeição dos tipos é claramente afirmada em Hebreus 9.9-11: “É isto uma parábola paraa época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios,embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoaraquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadassomente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempooportuno de reforma. Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens járealizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos,quer dizer, não desta criação”.No Antigo Testamento, os cordeiros oferecidos eram imperfeitos no sentido denão serem, em si mesmos, a razão pela qual Deus perdoava os pecados do povo. Operdão concedido tinha por base o sangue derramado do Cordeiro de Deus, quetira o pecado do mundo. Apenas o seu sangue é eficaz para a remissão dospecados do povo de Deus. A morte do cordeiro pascal de Êxodo 12, em si mesma,era ineficaz.Dadoo caráter imperfeito dos tipos e o caráter perfeito do Antítipo, é pertinente aobservação do Dr. Heber Carlos de Campos: “A revelação é progressiva porque ela parte doimperfeito para o perfeito. Por essa razão, quando o Cordeiro veio, não maisprecisamos de outros cordeiros. Quando o antítipo chega, os tipos cessam.Quando perfeito chega, o imperfeito desaparece”.[15]Hebreus 10.1-4 afirma de forma inequívoca a imperfeição dos sacrifíciosveterotestamentários:Ora, visto que a lei temsombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais podetornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano,perpetuamente, eles oferecem. Doutra sorte, não teriam cessado de seroferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez portodas, não mais teriam consciência de pecados? Entretanto, nesses sacrifíciosfaz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que o sangue detouros e de bodes remova pecados.Jáo versículo 12 assevera a perfeição inerente ao sacrifício de Jesus Cristo nacruz do Calvário: “Jesus, porém, tendooferecido,para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destrade Deus”.Coma vinda de Jesus Cristo, seu sofrimento e morte na cruz, os tipos cessaram. Assombras cerimoniais e sacrificiais do Antigo Testamento foram banidas com aobra expiatória de Jesus. Depois da chegada da realidade, Cristo, as sombrastipológicas cessaram, perderam a sua razão de ser, de maneira que, os cristãosdevem se alegrar pela realidade de Cristo Jesus, e não devem, de forma alguma,retornar às sombras veterotestamentárias. Os crentes, hoje, desfrutam de umabênção maravilhosa que é poder relembrar a morte substitutiva de Jesus na Ceiainstituída pelo próprio Cordeiro de Deus. Por conseguinte, inserir no culto oque é chamado de “rememoração da primeira páscoa” é inserir um elementoestranho à realidade da Nova Aliança e uma abominação aos olhos da tradiçãoapostólica legada pelo apóstolo Paulo: “Mas,ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além doque vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito,se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”(Gálatas 1.8-9).Jádisse em outra ocasião: NOSSA PÁSCOA É A CEIA DO SENHOR! Trata-se de uma grandeabominação, um culto sincrético, colocar no mesmo culto uma “lembrança” dapáscoa cerimonial veterotestamentária e a Ceia do Senhor. É necessário que hajaarrependimento, pois maldito é aquele que ensina outro evangelho que não aquelerecebido por Paulo do próprio Senhor Jesus Cristo.[1]Esta frase é o título de um artigo escrito pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes. Eleidentifica cinco características dessa alma católica: 1) o gosto por bispos eapóstolos; 2) a ideia que pastores são mediadores entre Deus e os homens; 3) omisticismo supersticioso no apego a objetos sagrados; 4) a separação entresagrado e profano; e 5) somente pecados sexuais são realmente graves. Disponívelem http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/11/alma-catlica-dos-evanglicos-no-brasil.html.Particularmente, creio que o apego às festividades do calendário litúrgico daIgreja de Roma seja a sexta característica.[2]John Sittema. Encontrei Jesus numa Festade Israel: Os Festivais do Antigo Testamento à Luz do Evangelho de Jesus Cristo.São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 37.[3]Ibid. p. 33.[4]Ibid. p. 34.[5]Moisés C. Bezerril. Sacramentos eClericalismo. Artigo disponível em: http://www.monergismo.com/textos/sacramentos/sacramentos_moises_bezerril.htm.Acessado em 21 Abr 2011.[6] Lewis SperryChafer. Teologia Sistemática. Volume1 & 2. São Paulo: Hagnos, 2008. p. [7]Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática.Volume 1 & 2. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 27.[8]Louw-Nida Greek Lexicon (58.63) in BIBLEWORKS 7.0. Minha tradução.[9]Heber Carlos de Campos. Teologia daRevelação. Apostila do curso de TST 301 – Teologia da Revelação. São Paulo:Andrew Jumper, 2011. p. 90.[10]Louis Berkhof. Princípios de InterpretaçãoBíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2000. p. 142.[11]LewisSperry Chafer. Teologia Sistemática.Volume 1 & 2. p. 72.[12]Gerard van Groningen. RevelaçãoMessiânica no Antigo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 214.[13]Ibid. p. 216.[14]Heber Carlos de Campos. Teologia daRevelação. p. 91.[15]Ibid. p. 94.

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