DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Importa que a Graça d’Ele não cresça e o mérito do meu eu não diminua


Ao invés deste post subjetivo, eu pretendia iniciar uma série de postagens (que na verdade seria apenas a reprodução de um material pra estudos impresso) que eu estou preparando por causa – indiretamente – de um amigo. Eu me comprometi a participar de um encontro de oração semanal, objetivando um trabalho “prático” de evangelismo, com ele e outros amigos e, quase que em contrapartida, ele se comprometeu a estudarmos juntos as “doutrinas da Graça”. Não foi uma barganha – pelo menos não da minha parte (e sei que também não é da parte desse amigo) – mas foi uma espécie de compromisso. Vou usar alguns termos (como “doutrinas da Graça”) não pra simplesmente limitar, “teologar”, ou “partidarizar” as coisas, mas pra não ficar fazendo rodeios, mesmo sabendo que as coisas são muito mais amplas e profundas do que as meras definições, mas pra que fique mais fácil de entender mesmo, de forma direta (pra quem honestamente quiser entender bem, e sem objeções falaciosas e cínicas), afinal, as coisas são amplas (sim, simples, mas amplas), mas nossa capacidade de metabolizá-las é limitada, e “sistematizar” ajuda a entender e “crer” melhor (a não ser que você seja um ser fora de série). Explicado o uso de termos (pra que, reforçando, ninguém venha com aquelas escusas ridículas, tais como “antes de ser alguma-coisa-ista eu devo ser cristão”, posicionamento de quem, na maioria dos contextos atuais, geralmente não é nada além de alguém que fica “em cima do muro” ou só toma partido daquilo de lhe convém), desde que me assumi como “calvinista” – ou, se você preferir, “monergista”, ou, ainda, “reformado” – tenho enfrentado muitas dificuldades, as quais também atribuo à minha falta de sabedoria em administrar a situação. Eu sempre gostei, e fui incentivado, a me aprofundar no estudo da Palavra e na oração e busca sincera, principalmente nos devocionais, e considerei essas novas “descobertas” como um dos “resultados” disso, pra mim foi tudo muito natural, enxerguei como um processo de “amadurecimento”, comecei a compartilhar com as pessoas, e algumas (ou muitas) gostaram… Mas eu ainda tava muito por fora da malícia das coisas, e enquanto continuava prosseguindo naquilo que pra mim era natural, de uma hora pra outra percebi o abismo que agora me separava daquilo que eu pensava antes, entre o que eu compreendo hoje e aquilo que querem que eu continuasse pensando. Aí os problemas começaram… Como estou inserido num meio bem “miscigenado”, depois de inclusive ter “enfiado os pés pelas mãos”, quando os problemas surgiram procurei a ajuda de um “calvinista” do nosso meio, afinal, ele seria a pessoa mais indicada pra me ajudar a não por tudo a perder – eu confiei muito, e foi a pior coisa que eu poderia ter feito! Nada pessoal, mas hoje percebo que essa pessoa não era “calvinista” e nem nada que pudesse me ajudar naquela situação, não que não seja um um cristão sincero (tenho inclusive muito apreço por esta pessoa), mas simplesmente não me ajudou, omitiu-se, e só me deixou numa situação mais embaraçosa ainda. Tive que me virar por mim mesmo, tentar resolver, conciliar, me retratar no que fosse preciso… Mas a ruptura, pelo menos temporariamente, foi inevitável… Onde o amigo do primeiro parágrafo entra nesta história? Bem, depois de um tempo recluso, tentei uma reaproximação. Não voltei – e não voltarei – atrás na minha “nova” postura, mas ainda tenho esperanças de que a “ruptura” possa ser reconsiderada. É muito ruim estar sob o estigma do senso comum evangélico, principalmente dos adeptos da falsa piedade, de “calvinista frio”, que arruma desculpas pra não evangelizar, que joga pessoas no inferno com a “predestinação”, ser considerado (depois de tudo [não que isso justifique algo]) alguém que “não dá frutos” e agora fica se preocupando com coisas que “não interferem na salvação de ninguém”. Mas resolvi dar a cara a tapa. Então, numa conversa com esse amigo, expliquei mais uma vez meus motivos, deixando claro que não é com definições aguadas, frases feitas, meia-dúzia de versículos “comuns” e muitos sofismas que vamos compreender a profundidade da simplicidade das coisas. Pedi pra ele parar de argumentar comigo usando aquilo que eu já conhecia e tinha vivido (sem glória pessoal, mas sendo realista) muito mais do que ele ou talvez qualquer outra pessoa à nossa volta, pois eu tinha me cansado de adorar o semi-deus de um evangelho onde o mérito da fé humana é tido como muito maior do que os propósitos eternos do Autor da fé. Não que tudo o que eu tenha vivido antes não tivesse sido “de Deus”, mas é porque agora que compreendi a essência da luz da candeia não posso mais escondê-la, tampouco concordar com os desvios de um pensamento que, embora falho, pelo menos um dia foi sincero. Enfim, se pra ele ainda era impossível compreender o Evangelho como de fato sendo iniciativa – e não só iniciativa, mas princípio, meio e fim – de Deus, eu preferia não continuar qualquer conversa, pra que a gente não perdesse o respeito um pelo outro. Enfim, não estou querendo comprometer o caráter de ninguém aqui, mas expliquei pra ele que, diante de toda aquela situação, era por isso que talvez seria difícil agente continuar caminhando juntos. Disse a ele que estava pensando em procurar a igreja “tal”, que eu já conhecia desde a época escolar e da qual a “doutrina” e a “confissão de fé” eu partilhava. Foi aí que veio o clássico argumento: “mas eu conheço uns tantos caras de lá, que não fazem nada pela ‘obra’, vivem em festas” e etc… “Tá vendo” – repliquei eu – “você está com o pensamento em se justificar por aquilo que você faz, comprometendo um todo por causa de algumas pessoas equivocadas, que existem tanto lá como aqui. Mas a questão é a mensagem, não importa se alguns seguem ou não, mas precisamos estar onde possamos compartilhar da mesma mensagem, pois não adianta eu estar fazendo e acontecendo aqui compartilhando algo diferente do que a Bíblia diz pra eu crer”… Como ele viu que eu “não tinha jeito”, ele apelou. Sei que não fez por mal, mas me chamou pra reunião de oração, que sei que, talvez inconscientemente, era um teste pra ver se eu continuava sendo “crente”. Aceitei, mas disse pra ele que também queria a atenção dele pra que eu pudesse fazer uma exposição das chamadas “doutrinas da Graça”. Senti que ele aceitou pra “me garantir” na oração (julgamento meu). Isso me deixou empolgado, afinal, alguém estava interessado em gastar tempo com a Palavra. Me propus a não tratar isso “teologicamente”, não simplesmente “discutir visão”, mas realmente estudar a Bíblia honestamente. Ao chegar em casa preparei, junto com algumas recomendações, uma série de referências bíblicas sobre “Graça irresistível”, já pra dar uma “indigestão” bíblica nele mesmo (no bom sentido da palavra “indigestão”). Passados três dias, sentei à frente do computador pra compilar o primeiro “capítulo” do estudo que teríamos. Mas aí lembrei-me de que até o momento – a até o memento da redação deste post – ele não me deu resposta. Permiti-me desanimar, e acabei não digitando uma letra sequer do material que estudaríamos, pois, afinal, pôxa, era só uma simples resposta com o dia pra nos encontrarmos. Me interessei pela “proposta” dele, mas o desinteresse dele me desmotivou. Não estou julgando por julgar, mas como sei que as coisas um dia foram assim, tenho a leve impressão de que continuam sendo, e sinto que estou sendo enrolado, principalmente se alguém ainda pensa em fazer eu “voltar atrás”. A questão não é simplesmente teológica, pois pra mim essa questão não é só teológica, mas sim de considerar o Evangelho genuinamente, ou optar por um outro evangelho. Mas o fato é que a maior parte dos evangélicos não entendeu a Graça de Deus, ficam argumentando sobre coisas como o papel da “responsabilidade humana”, a coerência dos atributos de Deus, e a verdade é que no fundo as pessoas ainda insistem em querer atribuir não só uma parte, mas a parte decisiva na questão da salvação ao “poder de decisão” do homem. Bem, esta não é o ponto que vou abordar aqui, mas o questionamento que deixo hoje é o mesmo que também surgiu na conversa. Meu amigo argumentou contra mim: “você vai ‘caminhar’ com gente que ‘faz tudo errado’” – generalizando todas as pessoas – “só por causa da ‘pregação’ correta”. Sim, é de causar espanto este inexplicável senso comum e padrões anti bíblicos. Essa herança do romantismo que contaminou boa parte da igreja é complicada, pois hoje o que importa é o “eu penso assim”, “eu creio assim”, “eu sinto assim” – tudo realmente baseado no “pseudo-empirismo” de cada um. Mas quando a gente tenta fazer aquilo que, por exemplo, os cristãos de Bereia, os reformadores e todos (pelo menos a intensa maioria) dos protestantes anteriores ao romantismo do século XIX – que nos influencia [e se fortalece cada vez mais no meio gospel] até hoje – faziam, ou seja, ver o que a Bíblia diz, ainda que você apresente de forma expositiva um caminhão de honestas e irrefutáveis evidências sobre um assunto, o máximo que você vai conseguir é um “isso é sua visão”, e ainda será tachado de “teórico”. Sabe, mas hoje eu entendo o porquê. O nosso sistema atual precisa fugir da Bíblia, pois diante dela toda nossa estrutura que glorifica pessoas e que seduz aspirantes a cargos (principalmente no meio musical ou de liderança) ruiria, pois a Bíblia deixa claro que a salvação pertence a Deus, a Bíblia fala de favor imerecido, de mortos a quem Deus ressuscita motivado por Sua livre Graça… Entretanto, quando alegam o papel do homem nisso tudo, podem vir até com um belo papo evangélico-humanista, podem apelar pro fator “missiológico”, podem falar de “ganhar almas”, mas, na verdade – e isso não é um julgamento, mas um desabafo diante da “cultura geral” – o que de fato a maioria de nós quer é que “a Graça d’Ele não ‘cresça’ pra que o meu mérito não diminua”, do contrário não teremos como controlar, manipular, ameaçar, nos gloriar, “motivar”, reivindicar, justificar… Realmente, não estou usando esta história pra julgar ninguém – por mais que seja difícil aceitar minha sinceridade – mas não entendo porque as pessoas têm tanta dificuldade de negar a si mesmas. Sim, é muito fácil negar a si mesmo pros prazeres deste mundo, mas difícil mesmo é negar nossa “santidade” em detrimento da Santidade de Deus. Como é difícil entendermos que temos sim que fazer a nossa parte, mas que o Evangelho não depende de nos. Como é difícil entender que não existe “fazer a coisa certa” se este “fazer” não estiver baseado e motivado pela “crença certa”. Mas, como hoje pra maioria de nós tudo é relativo, não importa se sua compreensão sobre aquilo que é essencial no Evangelho (que é a glória de Deus) esteja certa ou não, pois o que realmente conta é aquilo que você faz. É difícil entender que as boas obras – que tanto gostam de reivindicar – são fruto da salvação, e não um meio pra alcançá-la ou algo que nos faz “mais” ou “menos” salvos. É difícil simplesmente aceitarmos nossa postura de servos, afinal, no fundo o que queremos é ser reconhecidos e ostentar uma coroa… No fim das contas, não temos a hombridade de assumir, mas menosprezamos a Graça de Cristo e acreditamos que a salvação não é simplesmente fruto do nosso ato de “aceitar Jesus”, mas é inteiramente mérito dos nossos feitos. Sei que a fé sem obras é morta, mas se o que você faz conta muito mais do que aquilo que você crê, não é no Evangelho que você crê. Existem religiões “melhores” pra se fazer isso, inclusive de maneira mais “digna”. Se aquilo que você faz “determina” sua fé, no sentido que o “fazer” ganha tal importância a ponto de relativizar partes daquilo que você crê como não essenciais, então não é no Evangelho que sua fé está baseada. Não há como dissociar qualquer aspecto do Evangelho da própria essência do Evangelho, pois o Evangelho só é o que é em sua plenitude, com todos os seus aspectos sendo considerados um unidade, pois um evangelho mutilado, ou “mutilável”, e em detrimento do “fazer” não é Evangelho. “Mas se é pela Graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a Graça já não é Graça.” (Romanos 11:6)

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