DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cuidado pra não perder a sua salvação! (Eu, hein!)


Por Pedro Araújo (eu mesmo) “Quantas vezes você já não ouviu a pergunta: você tem certeza da sua salvação? Quantas vezes você perguntou isso pra si mesmo? Quantas vezes, no desespero de ter cometido um erro, você não teve medo de morrer subitamente e ir pro inferno? Ou, por mais que você esteja se sentindo bem espiritualmente, quantas vezes você não se indagou sobre de que forma poderia ter plena certeza de sua salvação?” A salvação de um pecador é pela Graça, dom imerecido de Deus. Nisso parece que todos concordam. Mas temos que ser francos: apenas parece! Bem, não precisamos enumerar aqui tudo o que as Escrituras deixam indubitavelmente claro a respeito de salvação pela Graça e justificação pela fé – tampouco precisamos recorrer a citações sistemáticas de pais da Igreja como Agostinho ou de reformadores como Lutero e Calvino, que nos elucidam ainda mais o que a Bíblia diz – pois se todos, de fato, concordam com isso não há o que argumentar. Porém, a contundente afirmação de que essa concordância é apenas aparente logo fica evidente ao considerarmos um primeiro e simples ponto. Alguns admitem que a salvação é pela Graça de Deus, mas dão tanta ênfase ao poder de decisão humana de querer aceitar a ou não Graça, que quase chegam a reduzi-la a um fator coadjuvante, e não a causa totalmente protagonista e eficaz da salvação, e consequentemente da manutenção da salvação do pecador – contudo, não vamos nos focar neste ponto. Mas, supondo que todos levam plenamente em consideração o papel soberano da Graça de Deus na salvação, no “desenrolar dos fatos”, tal discrepância fica ainda mais evidente quando analisamos “o que vem depois” – numa analogia proposital à visão equivocada de alguns – da salvação. É neste segundo ponto que vamos colocar nosso foco. Então, vamos explicar… Em Romanos 9:16 o apóstolo Paulo diz: “não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia”. A partir daqui é que vemos as diferenças de entendimento da verdade bíblica começarem a emergir, dentre tantas outras coisas, e tomarem rumos diferentes na concepção dos chamados arminianos e dos calvinistas em relação à certeza da salvação. Mais precisamente, geralmente batistas (em sua maioria), metodistas wesleyanos, luteranos (embora Lutero não pensasse a respeito da salvação como os luteranos pensam hoje, pois foram influenciados por um desvio de orientação em relação à questão abraçado pelos sucessores dele, numa inclinação à filosofia dos humanistas da época), pentecostais, neo-pentecostais, seus derivados e entre outros – considerados de linha arminiana – costumam dividir, pelo menos inconscientemente, o “momento” da salvação – como dizem, aquele dia e hora em que a pessoa aceita, ou se decide por Jesus – do resto da vida cristã, como se o “ato de ser salvo” e o “viver como salvo” dependessem de, ou quase fossem, duas coisas diferentes. Para os reformados, como os presbiterianos, parte dos episcopais, metodistas calvinistas e batistas reformados – como alguns nomes e a apresentação inicial já deixam explícitos, de linha calvinista/reformada – “ser salvo” e “viver como salvo” dependem exclusivamente da mesma coisa, da Graça de Deus, as duas coisas são inseparáveis, são uma única consequência da mesma causa, e numa visão mais direta são simplesmente “a mesma coisa”. O objetivo aqui não é por em choque nem criticar levianamente a “visão” de alguns em detrimento da “visão” de outros, tampouco difamar qualquer denominação ou grupo acima citados, mesmo porque a distinção feita tem caráter puramente sistemático e histórico, reconhecendo que na prática nem todos, principalmente em relação àqueles que contamos entre os arminianos, pensam da maneira aqui apresentada. Mas sabendo que muitos provavelmente ofender-se-ão, deixa-se claro que os apontamentos aqui feitos se devem simplesmente à consideração das evidências bíblicas (sem negar, é claro [e antecipando-se a qualquer réplica no sentido], possíveis considerações “apaixonadas” de um autor calvinista confesso em relação a estas mesmas evidências). Também peço perdão de antemão por talvez ser tão pesado no falar, mas é a maneira que acabei encontrando, embora não seja a melhor, de ser mais objetivo e fugir dos circunlóquios flácidos para acalentar bovinos. Na pregação dos arminianos, a salvação geralmente é apresentada como algo [depois de ser recebido] a ser exercitado. No entendimento dos calvinistas/reformados, a salvação e o viver como salvo – como aqueles parecem costumar separar – são indissociáveis, baseado em ser Deus quem opera em nós tanto o querer como o efetuar (Filipenses 2:13), seja no “ato da salvação”, seja em todo o restante da vida do pecador salvo. Aqueles dizem que a pessoa pode, por conta de algum deslize em suas obras [algo geralmente grave, mas que eles não sabem definir dentro de um padrão adequado], bem como por um descuido na vida de santidade ou firmeza na fé, perder a salvação. Os calvinistas sustentam, baseados de forma que podemos considerar mais genuinamente bíblica, e indo direto ao ponto, que “uma vez salvo sempre salvo”, que nós somos salvos pela Graça e vivemos como salvos, damos o testemunho de salvos, somos preservados como salvos, de igual modo, pela mesma Graça manifestada no “momento da salvação”. Retomando o verso da carta de Paulo aos Romanos citado acima, ambos podem até admitir que a salvação “não depende do que quer”, mas o entendimento da parte do “nem do que corre” parece ser diferente. Se colocarmos o “que quer” como analogia ao momento, ao ato de ser salvo, todos parecem concordar que não adianta qualquer esforço nosso pra ser salvo, pois, por mais que queiramos, o “ato de ser salvo” somente nos é concedido pela graça de Deus – sei que os arminianos não pensam tão simples assim, eles atribuem também ao “ato da salvação” um peso muito grande do suposto poder de livre decisão humana, contudo, pra evitar protestos de um “semi-arminiano” vamos considerar que seja assim. Mas colocando o “que corre” como analogia à vida cristã, ou carreira cristã mesmo (pra comparação ficar mais clara), a eficácia da Graça parece ser considerada diferente pelos arminianos em relação aos calvinistas. Parece-nos bem claro que os calvinistas entendem que o “querer” e o “correr” são “inseparáveis”, dependem do beneplácito de Deus, mas na visão arminiana o mérito das obras humanas e seu esforço de fé e santidade é que parecem sustentar o “correr”. Numa comparação com a doutrina católica romana, os romanistas creem naquilo que pode ser resumido no ditado popular “faz por ti que Eu te ajudarei [a ser salvo]“, enquanto os arminianos pregam algo meio que inversamente proporcional à doutrina do romanismo, como se fosse: “Eu te salvei [ou, Te ajudei a se salvar], mas, se quiser continuar salvo, faça sua parte, agora depende de você, você sabe o que tem que fazer, então cumpra, posso até dar uma mão, mas foi você que quis ser salvo, então se vira”. Assim, conclui-se que tanto para católicos romanos como para arminianos evangélicos Deus não é o responsável soberano e único pela salvação do pecador, mas Deus é reduzido a um mero auxiliar, como se Deus apenas ajudasse alguém a ser salvo – Deus é o autor da salvação, mas não tem poder total sobre ela nem sobre o salvo a fim de preservá-lo. Tudo o que falamos até agora pode parecer pra alguns crentes mais “espirituais” mera discussão teológica e fria, mas compreender isso tudo tem uma enorme importância real e prática. Quantas vezes você já não ouviu a pergunta: você tem certeza da sua salvação? Quantas vezes você perguntou isso pra si mesmo? Quantas vezes, no desespero de ter cometido um erro, você não teve medo de morrer subitamente e ir pro inferno? Ou, por mais que você esteja se sentindo bem espiritualmente, quantas vezes você não se indagou sobre de que forma poderia ter plena certeza de sua salvação? Tanto arminianos como calvinistas dizem que o Espírito Santo dá esta certeza, porém os calvinistas são mais objetivos – uma vez salvo sempre salvo – enquanto frequentemente se ouve em pregações arminianas, até em certo tom ameaçador,  a frase “cuidado pra não perder a sua salvação”! Não estamos querendo aqui impor uma supremacia calvinista como “religião e/ou teologia verdadeiras”, mas antes que alguém venha com a célebre frase “a letra mata” ou julgue este texto como uma idolatria a Calvino, e já que entramos agora na parte mais prática da coisa, sugiro que ajamos com bom-senso, entendendo que como Igreja feita por pessoas humanas e falíveis, no tocante ao entendimento cada vez mais pleno da verdade bíblica, somos resultado de um processo – a palavra de Deus não muda, mas durante toda a Idade Média, por exemplo, ela ficou presa e foi feita inacessível ao povo por Roma, mas aprouve a Deus usar homens como Calvino no movimento da Reforma pra resgatar as verdades das quais por tantos anos a humanidade foi quase que totalmente privada, e hoje nós temos livre acesso. E também devemos lembrar que Calvino não carrega o calvinismo nas costas sozinho, é apenas um fundamental ponto de partida e de referência essencial pra todos aqueles que, por uma questão lógica de necessidade de identificar – e de identificar-se com – sua linha de pensamento, são chamados de calvinistas. Por fim, como autor considero-me alguém que pode falar abertamente sobre o assunto no enfoque proposto, pois (como o leitor pode facilmente identificar em muitos artigos que escrevi neste mesmo blog), mesmo que eu antes não soubesse, minhas mensagens tinham quase sempre uma inclinação arminiana, uma vez que sou de origem pentecostal, e mesmo tendo deixado o movimento pentecostal continuei tendo um entendimento arminiano das coisas, até que aos poucos me reencontrei no calvinismo com o qual tive contato – mesmo também sem saber o que era – na infância. A propósito, também não entendo o porquê de tanta gente não ter coragem de “dar nome aos bois”, de assumir o que é, com medo de ser tachado sob os mais diversos jargões gospel. Bem, estando mais do que claro que aqui vamos nos posicionar dentro da linha de pensamento calvinista – eu preferiria dizer uma linha mais bíblica, mas pra alguns poderia parecer muito arrogante – diante da contundente e segura afirmação de que “uma vez salvo sempre salvo” alguém mais fanfarrão, ou até mesmo um demagogo e/ou legalista, poderia argumentar: “então quer dizer que basta eu levantar minha mão, dizer que aceitei Jesus, depois sair e fazer o que bem entender pro resto da minha vida e, mesmo assim, ainda estarei salvo?” – primeiro que um cara que pensa assim não entendeu nada do Evangelho, e segundo que, entrando de sola mesmo, nunca vi argumentação mais desprovida de pudor (do popular, sem-vergonha), mas infelizmente é o que mais se escuta por aí quando alguém quer rebater a afirmação da garantia da salvação calvinista. Isso reforça, como já disse, aquela questão dos arminianos parecerem separar equivocadamente o “dia da salvação” do resto da vida do cristão. Numa resposta mais direta a esta argumentação, temos algo simples: Deus não se deixa fazer de palhaço (ou, do canônico, de Deus não se zomba). Pros que se usam de argumentos infames como esse, vejamos o que o próprio Deus diz: “Se seus filhos abandonarem a Minha lei, e não andarem nos Meus juízos; se violarem os Meus estatutos, e não guardarem os Meus mandamentos; então com a vara punirei as suas transgressões, e com açoites a sua iniquidade. Porém não lhe retirarei de todo a Minha benignidade, nem desmentirei a Minha fidelidade. Não violarei a Minha aliança, nem alterarei o que os Meus lábios proferiram.” (Salmos 89:30-34). É claro que aqui, mesmo que em um primeiro entendimento, alguém – influenciado pelo deslise dispensacionalista de associar o Antigo Testamento somente ao Israel histórico (naquilo que lhes convêm, é claro) – possa limitar esta palavra aos descendentes biológicos de Davi e às promessas terrenas feitas a eles, esquecendo-se que a Igreja é o Israel espiritual de Deus [juntamente com os israelitas que foram salvos pela fé na promessa do Messias que viria] (Romanos 10; Gálatas 6:16). Mas não estamos falando de cumprir a Lei por suas próprias forças, até mesmo porque todos – em tese – concordam que nenhum pecador jamais foi capaz de fazê-lo. Existe somente um povo de Deus, então coloque-se no lugar de “seus filhos” sob uma perspectiva eterna. Logo, se olharmos isso do ponto de vista do legalismo da religiosidade humana, os versos acima podem parecer soar como julgamento, impondo peso para que nos esforcemos em fazer aquilo que por nós mesmos nunca conseguiremos para obter a aprovação de Deus e não sermos castigados nem “perdermos a herança”; mas se tivermos em mente a misericórdia de Deus reconheceremos que não cabe à nossa justiça o mérito pela “manutenção” da nossa salvação e para o cumprimento da eterna promessa de Deus, mas é pela misericórdia e graça d’Ele. Sim, Deus repreende e castiga a todos a quem ama (Apocalipse 3:19) – e é isso mesmo. Portanto, se alguém é realmente salvo vive como salvo, se não, esta pessoa na verdade só levantou a mão de brincadeira, talvez levada pela emoção de apelos evangelísticos que só faltam dizer “por favor, aceite Jesus, dê uma chance pra Ele, Ele precisa de você pra ser feliz, se você não O aceitar Ele se sentirá um fracassado”. É claro que Jesus ama as ovelhas perdidas, que Ele as quer acolher e curar, mas são os pecadores como eu e você que precisamos d’Ele, não o contrário. Então, isso não significa que o salvo se torna perfeito e capaz de manter sua perfeição, santidade, fé e salvação por si mesmo, mas significa o que o texto diz, que Deus não chama ninguém pra viver de qualquer jeito, e se o salvo pisar na bola Deus irá ter direto com Ele, não por ser um Deus vingativo, mas por ser um Deus que molda em seu povo o caráter de Cristo (Efésios 4:12-13) a fim de preservá-los e aperfeiçoá-los segundo Sua vontade. Deus é Pai, Ele faz o que um Pai de verdade faz, ama e corrige, e como isso é maravilhoso! Assim, supondo que estejamos tratando com pessoas adultas, qualquer argumentação infantil em relação à certeza da salvação, se chegou até aqui, daqui não deve passar. Vamos então aquilo que nos traz esperança (Lamentações 3:21-23)… Assim, como podemos ter esta certeza da salvação? Como saber, com o tempo, se não estou vivendo uma esperança que vai dar em nada? “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espirito Santo, que nos foi dado” (Romanos 5:5). Mas talvez você possa dizer: “não estou num momento tão fervoroso da minha vida espiritual e, se o Espirito Santo dá esta certeza, não estou sentindo nada, ainda estou confuso”. É este o ponto: esta certeza não é um sentimento, é uma convicção, e convicções se sustentam a despeito dos nossos sentimentos (no sentido deles serem meras emoções) e circunstâncias. Algumas pessoas, principalmente os da linha pentecostal, costumam dizer que “quando você receber o ‘batismo’ com o Espírito Santo e ‘falar em línguas estranhas’ é um sinal de confirmação”, outros dizem que “pelos frutos se conhece a árvore” (ou seja, as obras desta pessoa confirmam). Tudo isso pode ser verdade – por mais que a parte do simplesmente “falar em línguas estranhas” não diga nada de concreto – mas a ação de Deus não pode ser analisada de forma tão minimalista. Se você um dia reconheceu Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, se sentiu que Deus te tocou, te chamou, te escolheu, você sabe que foi Ele, pois Deus é um Deus pessoal, e sua experiência pessoal com Ele é algo que ninguém pode tirar ou duvidar de você. Se você um dia sentiu o amor de Deus te alcançando, você sabe que o que você sentiu foi único e verdadeiro, e mesmo que hoje você não esteja se sentindo a pessoa mais “ungida”, como diz Romanos 8:38,39, “estou bem certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. Não há nada que possamos fazer para que Deus nos ame mais ou nos ame menos, para que sejamos mais salvos ou menos salvos (e neste caso, como dizem alguns arminianos, cada vez menos salvos, menos salvos, menos salvos… até que então percamos a salvação de vez). Repito, aqui não quero perder tempo com sem-vergonhice de pessoas que afirmam serem salvas, ou que pensam que são salvas, mas que realmente têm somente algum tipo de experiência religiosa, ao invés de terem experimentado a verdadeira regeneração dada por Deus. E de modo algum, na direção oposta, quero colocar peso sobre alguém que está em dificuldade, pois considero estar dirigindo-me a pessoas sinceras, e desde o princípio estou fazendo afirmações no sentido de que Deus não salva ninguém e depois deixa por conta própria. Deus não é como um pai que paga a fiança de um filho que estava preso e depois diz a ele: “olha, eu paguei tua fiança, agora se você não quiser mais voltar pra cadeia você vai ter que andar na linha, mas não conte comigo, já fiz Minha parte”. Deus é o Pai que tira o filho condenado à prisão perpétua, à pena de morte, da cadeia e lhe provê todos os meios necessários pra que ele viva o resto de sua vida como um cidadão de bem, e caso este filho venha a fraquejar, Ele mais do que prontamente o trará de volta ao bom caminho antes que o filho pereça totalmente – permitam-me aqui dizer que falo isso por experiência própria de vida. Nesse terrorismo arminiano do “cuidado pra não perder sua salvação” muitos não conseguem descansar e confiar em Deus, vivem sob a paranoia de que “eu preciso ser mais ungido, eu preciso fazer mais o bem” pra continuar salvo. De fato, temos varias orientações para vigiar e orar, mas a nossa vigilância e oração não impressionam Deus. Elas são um recurso que a própria Graça de Deus nos dá para, como gosto de dizer, preservar nossa sanidade mental neste mundo, mas tudo vem em ultima, primeira e qualquer instância, da Graça de Deus. Deus enviou Seu Filho pra nos salvar (o que compreende tudo desde aquele dia daquela experiência inesquecível, e também antes dele) e pra manifestar-nos dia após dia seu amor a fim de que vivermos por meio d’Ele (I João 4:9). Entendeu? Deus faz “fluir” as coisas naturalmente, no amor. Sim, Ele é justo e soberano, não compactua com o pecado, mas, “pela Graça, console o teu coração e receba a confirmação em toda boa obra e boa palavra” (II Tessalonicenses 2:17), vigie, ore, se consagre, cultive seu relacionamento com Deus, faça a vontade d’Ele, se coloque como servo, tenha devoção, mas compreenda que isso faz parte de uma relação de amor, e não de medo daquele Deus medieval vingativo. Se Deus te escolheu, a natureza deste amor que chama os pecadores ao arrependimento é a mesma fonte de todo o bem proveniente da salvação, e da mesma maneira que você foi alcançado você será preservado para a vida eterna. Se Deus “nos escolheu antes da fundação do mundo” (Efésios 1:4), e se o tempo de Deus é um eterno agora, é impossível conceber que Deus começasse a nos amar, ou deixasse de nos amar, influenciado pelos limites deste nosso tempo humano. Desta forma, então é impossível conceber que Deus conceda a nós uma Graça de salvação perecível, que tenha prazo de validade, ou seja, que um dia possa vencer, “estragar”, se perder. Pior ainda é conceber, como os arminianos insinuam, que pra que esta Graça não se “estrague”, a fonte de conservação da salvação esteja na nossa própria motivação unilateral de “fidelidade”, “santidade”, “boas obras através do corpo” e esforço pra “conquistar o reino”. Se você é salvo, então você reconhece que Jesus é Seu Senhor e Salvador, que Ele é o Seu Pastor, que você pertence a Ele. O negócio é entre você e Ele. Como alguém pode insistir no contrário, abrindo possibilidades para a perda da salvação, contrariando até mesmo o que Jesus disse. “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu as conheço, e elas Me seguem; Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da Minha mão.” (João 10:27,28). “Porque Eu desci do céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. E a vontade d’O que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum de todos aqueles que Me deu, mas que Eu o ressuscite no último dia.” (João 6:38,39). Não é que as ovelhas possam de forma alguma impressionar seu Pastor com a brancura e maciez de sua lã a ponto de convencê-Lo a fazer de tudo pra não perdê-las, mas o fato é que as ovelhas são unicamente dignas da antipatia de Deus, mas em Cristo elas possuem a Graça do Espírito Santo que as torna agradáveis. Assim, esse negócio de “cuidado pra não perder sua salvação” não passa de um jugo da Lei disfarçado. Sim, devemos buscar a santificação se quisermos ver a face de Deus, mas isso jamais será possível pela nossa própria força, não parte de nós, não é pré-requisito, mas é uma nova capacidade que nos é dada pela Graça e faz parte do “pacote” da salvação. Mas, atemorizadas por tal ameaça, muitas pessoas vivem mais oprimidas após terem sido salvas do que se sentem livres da condenação que as rondava outrora. Será que é tão difícil entender que o que precismos não é de esforço pra ficar em pé, mas de quebrantamento pra nos prostrarmos e nos rendermos aos cuidados da Graça de Deus. “Porque a Graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo de maneira sóbria, justa e devotada a Deus” (Tito 2:11,12). O mesmo amor que nos escolhe e salva é a causa de todos os bons resultados que a salvação produz na vida do cristão. Mas o fato é que, como os arminianos negam que é Deus quem nos escolhe, eles também acabam negando que é Deus a causa de todos os bons frutos que a salvação produz, incluindo a preservação dos pecadores redimidos. Isso impede-lhes de, no fim das contas, terem uma certeza absoluta de sua salvação, pois, se dizem que não são salvos unicamente pela vontade de Deus, também não reconhecem que é Deus quem os preserva, vivem se esforçando pra não perder sua salvação pois de fato sempre estão em dúvida se são salvos ou não. Os arminianos, se reconhecem a Graça de Deus, a reconhecem somente em parte, pois, como afirmamos antes, a Graça pre eles é eficaz – se realmente é unicamente eficaz – apenas pra elevar o perdido à condição de salvo, mas por si só não é capaz de mantê-lo nesta condição, ou seja, a Graça pros arminianos não tem resultado duradouro, eles creem que a salvação é pra eternidade, que toda cédula que era contra nós é rasgada do dia que aceitamos Jesus (Colossenses 2:14), mas que depois se a gente não se cuidar uma nova cédula é emitida, ou então os pedaços daquela cédula outrora rasgada são juntados de novo! Os calvinistas reconhecem que os resultados da salvação são produzidos infalivelmente e unicamente na vida dos salvos pelo amor de Deus por estes pecadores que um dia Ele redimiu, pra nunca mais voltar atrás. Os arminianos pregam de maneira comovente que Cristo morreu por todos, mas dizem ao mesmo tempo que muitos podem se perder. Se Jesus morre e salva uma pessoa “temporariamente”, mas depois esta pessoa se perde eternamente, então o objetivo da morte de Jesus fracassou parcialmente. Isso implica em concluir, baseado no que eles creem, que Jesus Cristo morreu pra tornar a salvação apenas possível, e não consumada. Então Jesus não assegurou a salvação pra ninguém. Se em Cristo a salvação é apenas “possível” pra todos, então ninguém pode ter certeza de que foi chamado pela Graça e vontade soberana de Deus, e, de igual modo, a salvação pode não possível pra ninguém, existe a possibilidade de ninguém querer ser salvo, e Deus não tem como interferir nisso, correndo o risco de “ter perdido o Seu precioso tempo Divino”. Os arminianos podem até dizer que Deus chama as pessoas à salvação por Sua Graça, mas a concretização plena da salvação do pecador, em si, não depende exclusivamente do livre amor de Deus, e se a salvação pro arminiano depende da fé e perseverança do cristão, negam que isso venha exclusivamente da Graça de Deus. Toda a responsabilidade e peso por se manter salvo depende da força do “braço” da própria pessoa, então sua concretização plena não é uma salvação genuína e somente pela Graça, mas em parte é pela Graça e em parte pelas obras do salvo. E se é em parte pela Graça e em parte pelas obras, então Deus não é onipotente na salvação e em sua preservação, e no fim de tudo a salvação é realmente pelas obras da pessoa, que comovem a Deus e então Ele decide manter a pessoa salva – é claro que bem provavelmente nem o arminiano mais ferrenho irá admitir isso. Se a Graça de Deus torna possível, mas a consumação da salvação depende da justiça humana e perseverança em não “cair da Graça”, e se esta justiça e perseverança não faz parte do pacote da Graça redentora dada por Deus, então a salvação é apenas uma hipótese, no sentido de que só acontecerá se Deus e o homem fizeram sua parte, que metade da salvação pertence a Deus e metade pertence ao homem. É muita confusão! Pros calvinistas é mais simples, pois “ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9), ou seja, é 100% Deus! As suposições e condições arminianas em relação à salvação estão nos extremos opostos da verdade bíblica. Todos dizem que “Deus não faz obra obra metade”, que “Deus não se arrepende”, mas infelizmente a maioria dos evangélicos de hoje, influenciados pelas linhas de pensamento arminianas e dispensacionalistas, quando posta diante das evidências bíblicas, entra em contradição, é como se não soubessem se estão debaixo da Lei ou debaixo da Graça. Eu sei que as explicações acima podem, em muitos pontos, terem mais complicado do que esclarecido, mas tal complicação, na tentativa de explicar e esclarecer a verdade à luz de todo o contexto apresentado na Bíblia, não se trata de uma manobra calvinista para difamar os irmãos arminianos, mas simplesmente reflete o tamanho da confusão que os arminianos mesmos fazem, confusão esta da qual reunião após reunião, culto após culto, encontro após encontro, todos tomam uma colherada, sem perceber o quão indigesta é a “sopa” arminiana em sua totalidade, justamente porque aqueles que conhecem como a coisa de fato é não têm coragem de escancarar tudo o que pensam em plenitude, como fazem os calvinistas, mesmo sob o risco de serem acusados de arrogância, ignorância e teologia fatalista. Em tudo isso, reconhecer que o mérito da salvação e de sua manutenção é exclusivamente da Graça de Deus, não significa que o homem é um robozinho ou uma marionete sem vontades ou responsabilidades. Significa que temos o dever, e não o mérito, de sermos fieis até a morte para recebermos a coroa da vida, como diz Apocalipse 2:10, mas sem nunca esquecermo-nos de que a capacidade de nos preservarmos fieis não vem de nós mesmos, mas d’Aquele que inicia o mesmo verso dizendo “não temas”. O cumprimento deste dever não nos garante nada, pois o fato é que já recebemos a garantia antes de fazermos qualquer coisa que se aproveitasse (se é que podemos fazer algo que se aproveite), e isso foi pela Graça, e é por conta desta garantia que já recebemos que temos o dever. E este dever não é jamais um peso insuportável de dívida, mas um “peso” agradável de gratidão, de quem um dia estava cansado e sobrecarregado e foi aliviado por Jesus, de quem trocou o insuportável fardo da morte pelo fardo leve de Cristo (Mateus 11:28-30), fardo este cujo peso nunca será maior do que a sombra que ele produz, protegendo do sol forte do deserto quem o carrega. Pra terminar, em minha oração, peço a Deus que te proporcione a certeza clara da salvação, se você ainda porventura considerar que não tem. E se você nunca entregou sua vida verdadeiramente a Jesus, quero encorajá-lo a fazê-lo, tendo certeza de que a Graça de Deus é irrevogável. Deus não exige que você seja perfeito, mas que você seja honesto, e Ele mesmo Se encarregará de fazer de você uma pessoa honesta e sincera, é só você sujeitar-se a Ele. “Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao Trono da Graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Hebreus 4:16). Por Sua misericórdia, Deus não imputa àqueles a quem Ele chama a condenação que eles merecem, e por Sua Graça Ele lhes garante o bem que de fato eles nunca merecerão. Estes somos nós. Só Deus pode te dar a certeza de sua salvação, e por isso ninguém mais pode tirá-la de você. E se hoje, mesmo sabendo que Deus te escolheu um dia, você se encontra oprimido pela condenação, saiba que, por mais que este artigo tenha sido bem mais sistemático, filosófico ou teológico do que confortante e prático, como disse o apóstolo João, “meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” (I João 2:1). Juntamente com minha oração, deixo abaixo mais algumas referências bíblicas, contando algumas já citadas acima e outras além, como forma de incentivar você a buscar em Deus e em Sua Palavra, com a iluminação do Espírito Santo, a paz que precisa em relação à certeza de sua salvação… Leia: Isaías 54:10; Jeremias 32:40; Mateus 18:14; João 6:39; João 10:27-29; Romanos 5:8-10; Romanos 8:28-32; Romanos 8:34-39; Romanos 11:29; Gálatas 2:20-21; Filipenses 1:6; Colossenses 2:13,14; 2 Tessalonicenses 3:3; Hebreus 10:14; 1 Pedro 1:5 e 1 João 5:18. . Referencial bibliográfico GIRARDEAU, John Lafeyette. Calvinismo e Arminianismo evangélico: comparados quanto à eleição, reprovação, justificação e doutrinas correlatas / John Lafeyette Girardeau; Tradução: Valter Graciano Martins – Goiânia: Primícias, 2011 – 1ª edição em Português, pp. 52 a 61.

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