DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fim do mundo – A ilusão pré-milenista e seus mitos escatológicos


1 – O anticristo A maior parte dos cristãos de hoje diz que o anticristo já nasceu e que está às portas de tornar-se conhecido no cenário mundial como um brilhante, mas perverso líder mundial. Embora o anticristo seja talvez a figura mais popular no corrente cenário profético, é também o mais mal compreendido. O problema é que os autores pré-milenistas concentram as suas atenções no “pequeno chifre” descrito no livro Daniel, no “homem de pecado” descrito por Paulo e na besta do Apocalipse, mas ignoram as passagens das Escrituras que realmente falam do anticristo. Há somente quatro versículos das Escrituras que expressamente mencionam “anticristo”, todos nas cartas de João: I João 2:18; I João 2:22; I João 4:3 e II João 1:7). João corrige a falsa noção de anticristo que apareceu entre os cristãos em seu tempo; declara que o anticristo não é uma realidade de um futuro distante, mas da presente realidade. Em segundo lugar, ele diz que o anticristo não é simplesmente uma pessoa, mas um grupo amplo de pessoas. Terceiro, ele define o anticristo não como uma pessoa (um futuro líder mundial), mas como um movimento em curso: “Filhinhos, esta é a última hora e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora” (I João 2:18). Muitos cristãos do tempo de João tinham ouvido que o anticristo (singular) estava vindo. João respondeu-lhes dizendo que já agora muitos anticristos (plural) têm surgido. O verbo “surgido” ou “aparecido” (do grego, gegonasin) indica que esses anticristos apareceram no passado e que ainda estão presentes. A presença desses anticristos prova que “esta é (tempo presente) a última hora” (I João 2:18). Assim, é evidente que João (que é o mesmo autor de Apocalipse) rejeitou a ideia de um anticristo futuro e individual; ao invés disso, alertou os cristãos acerca de um movimento ou movimentos heréticos. Há muitos anticristos. “De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo” (II João 1:7). “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho” (I João 2:22). Esses anticristos que têm surgido – diz João – saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos. Em outras palavras, eles se elevaram à posição de cristãos, alegaram ser cristãos, professaram ser líderes da Palavra na Igreja Cristã, e, no entanto, foram separados dos cristãos para que ficasse evidente a todos que não eram deles. Em suma, demonstravam um deleite na verdadeira religião e não obstante a destruíam. João focaliza a atenção dos seus leitores sobre um, ou talvez dois, movimentos heréticos. O primeiro, provavelmente gnóstico na sua origem, que negou a humanidade genuína de Jesus Cristo (II João !:7). O segundo, provavelmente judaico na sua origem, negou que Jesus tenha sido o Messias (I João 2:22). João claramente aplica a concepção de anticristo (ho antichristos) à tendência generalizada de se propagar inverdades sobre a identidade de Cristo. “Mas todo espírito que não confessa Jesus [como vindo em carne] não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo” (I João 4:3). O anticristo não é um governador individual, malévolo, aparecendo no futuro. Antes, o anticristo foi uma tendência herética contemporânea acerca da identidade de Cristo, influente entre muitas pessoas dos dias de João. 2 – A besta Outra figura bíblica muito mal-compreendida é a besta do Apocalipse. Ao menos a besta, ao contrário do anticristo, é um líder político real. O problema da maior parte das interpretações modernas que buscam definir a besta é que muitas referências textuais para essa definição fornecidas por João são ignoradas porque isso convém à ideia de um futuro Império Romano revitalizado. No livro de Apocalipse a besta é identificada tanto como um império como um líder de um império. Esse império é sem dúvida o Império Romano dos dias de João. Em Apocalipse 13 João está sentado na areia da praia observando a besta subindo dos mares. A besta tem ”dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (Apocalipse 13:1,2). João cita exatamente os mesmos animais aludidos pelo profeta Daniel na referência a três dos quatro grandes impérios mundiais: Babilônico, Medo-Persa e Grego (Daniel 7:1-6). O quarto império, que traz todas as características inerentes à besta dos outros impérios (só que muito piores), é nenhum outro senão o Império Romano (Daniel 7:7). João declara em Apocalipse 17:12 que os dez chifres são dez reis; são os líderes ou governantes das dez províncias imperiais. Em Apocalipse 17:9,10 João identifica as sete cabeças como sete colinas (lugares) e sete reis (indivíduos). No mundo antigo Roma era conhecida como a cidade das sete colinas. João, situado na extremidade do mar Mediterrâneo, olha em direção a Roma e vê uma besta surgindo do mar. Roma foi um império mundial que detinha autoridade sobre todos os povos e nações (Apocalipse 13:7); constituía o auge dos quatro impérios em Daniel, um império completamente satânico (vv. 2); e que existiu sobre sete colinas (vv. 9). A seguir estão algumas outras características da besta. 1. A besta não foi apenas um império, mas também um homem (Apocalipse 13:18). João diz que a besta tinha em cada cabeça um nome de blasfêmia (vv. 1). Os césares de Roma eram adorados como deuses. Os imperadores de Roma foram designados como: Sebastos (alguém a ser adorado), divus (deus) e mesmo Deus e Theos (Deus). As moedas de Nero traziam “Salvador do mundo”, e Domiciano era chamado “nosso Senhor e nosso Deus”. João deu traços específicos que identificavam a besta, todos os quais não apontavam a alguém a mais de 2000 anos no futuro, mas a um imperador ainda vivo nos seus dias: Nero. Apocalipse 17:10 diz: “São também sete reis. Cinco já caíram, um ainda existe, e o outro ainda não surgiu; mas, quando surgir, deverá permanecer durante pouco tempo”. João especificamente diz que o sexto rei estava governando no presente. Quem é o sexto rei? Ninguém outro senão Nero, o primeiro grande perseguidor de cristãos. A seguir, uma lista dos césares romanos: 1º. Júlio César (49/48 a.C – 44 a.C., não foi formalmente o primeiro imperador, mas foi o líder político e militar que se tornou ditador da República Romana desempenhando papel crítico na sua transformação em império); 2º. Augustus (31/27 a.C. – 14 d.C.); 3º. Tibério (14 d.C. – 37 d.C.); 4º. Calígula (37 d.C. – 41 d.C.); 5º. Claudius (41 d.C – 54 d.C.); 6º. Nero (54 d.C. – 68 d.C.); 7º. Galba (68 d.C. – 69 d.C.). João disse que o sexto rei estava governando quando ele escreveu; esse rei seria sucedido por um sétimo que governaria “durante pouco tempo” (Apocalipse 17:10). Isso foi cumprido à risca: Nero foi sucedido por Galba, que governou por apenas três meses até ser assassinado. 2. João dá outro indicador da besta: um número. “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule  o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis” (Apocalipse 13:18). Por que João simplesmente não diz quem é a besta? Por que ele fala em linguagem secreta? João estava escrevendo de Patmos, onde foi exilado pelos romanos. A Igreja sofria uma perseguição sistemática pelo estado romano sob Nero. João identifica o imperador romano, mas o faz de uma forma que preserve a Igreja das represálias no caso da carta ser interceptada pelas autoridades romanas. Quase todas as igrejas no império romano eram constituídas por judeus e gentios. Os judeus que viviam nos dias de João usavam o seu alfabeto tanto na simbologia sonora (fonética) quanto nos seus valores numéricos. Cada letra do alfabeto hebraico tinha um equivalente numérico. A pronúncia hebraica do nome de Nero em documentos da época relativos aos escritos de Apocalipse é Nrwn Qsr, que equivale exatamente a 666. Em alguns antigos manuscritos escriturísticos, o número 666 foi alterado para 616. Certamente não se tratou de um erro de leitura de um antigo copista. Os números 666 e 616 não apresentam similaridades aparentes no grego original – seja na pronúncia como palavras, seja na escrita como números. Os acadêmicos textuais são unânimes: deve ter sido intencional. Embora não possamos estar absolutamente certos, um argumento forte e razoável pode ser estabelecido com base na seguinte conjectura: João, um judeu, usou uma pronúncia hebraica para o nome de Nero a fim de chegar à figura 666. Mas quando o Apocalipse começou a circular entre aqueles menos familiarizados com o hebraico, um copista bem intencionado, que sabia o significado de 666, pode ter buscado tornar a decifração mais fácil alterando o número para 616. Certamente não é pura coincidência que 616 é o valor numérico de “Nero César”, quando pronunciado em hebraico pela transliteração da pronúncia latina mais conhecida. 3. Outro indicador é a bestialidade do personagem em si. Nero era verdadeiramente possuído de uma natureza perversa, bestial. Ele foi considerado uma “besta” mesmo pelos seus contemporâneos. Nero matou vários membros da sua própria família (incluindo a sua esposa grávida, morta a pontapés), é descrito como causador de sofrimento por meio das torturas mais horríveis e degradantes, seu fetiche preferido era se fantasiar de besta selvagem a fim de atacar e estuprar homens e mulheres encarcerados, usou corpos de cristãos queimando penetrados em estacas como legítimas “tochas romanas” a fim de iluminar as suas obscenas festas ao ar livre, lançou a primeira perseguição imperial aos cristãos com a incitação dos judeus a fim de destruir a Igreja. Esse pervertido animalesco foi governador do império mais poderoso da terra. O escritor pagão Apollinius de Tyana, um contemporâneo de Nero, especificamente menciona que Nero era chamado de uma “besta”. Nero deve ter adquirido a alcunha “a besta” em função de algumas das suas atividades perversas. Nero era um sádico pervertido, temido e odiado até mesmo pelos próprios pagãos romanos. 4. João disse que a besta faria guerra contra os santos de Deus. Diz-se a respeito da Besta, que “foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los” (Apocalipse 13:7). De fato, é dada a ela autoridade para conduzir essa guerra blasfema por um certo intervalo de tempo: 42 meses (Apocalipse 13:5). A perseguição de Nero, que iniciou em 64 d.C., foi a primeira investida romana contra o cristianismo, como notado pelos pais da Igreja Eusébio, Tertuliano, Paulus Orosius e Sulpicius Severus, bem como pelos historiadores romanos Tacitus e Suetonius. Nero foi assassinado à espada em 8/9 de Junho de 68 d.C., e isso pôs fim à sangrenta perseguição contra os cristãos. A perseguição dos cristãos por Nero durou 42 meses, exatamente como profetizado pelo apóstolo João em Apocalipse 13:5. 3 – A marca da besta Será que estamos próximos de receber um código de barras na fronte e/ou na mão direita a fim de podermos comprar e vender coisas? O governo caminha no propósito de forçar as pessoas a ter um chip de computador inserido na mão direita para fins de identificação? Ainda que essas coisas sejam possíveis, não têm absolutamente nenhuma relação com a marca da besta citada no Apocalipse. No Antigo Testamento Deus falou da total sujeição a Ele e à Sua Lei como algo que deveria ser preso na testa e amarrado como um sinal no braço: “Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa” (Deuteronômio 6:8). Em Apocalipse, aqueles que são fiéis a Cristo, “e seguem o Cordeiro por onde quer que ele vá” (Apocalipse 14.4) são identificados porque “traziam escritos na testa o nome dele [do Cordeiro] e o nome de Seu Pai” (Apocalipse 14.1). João também se refere a isso como um selo: “Não danifiquem, nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos as testas dos servos do nosso Deus” (Apocalipse 7:3). O Senhor avisa à Igreja de Filadélfia: “Farei do vencedor uma coluna no santuário do meu Deus, e dali ele jamais sairá. Escreverei nele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém…” (Apocalipse 3:12). João diz que mesmo após a Sua segunda vinda “o Seu nome estará em suas testas” (Apocalipse 22:4). No antigo pacto “Arão levou sobre a testa um diadema que trazia gravado o nome do Senhor, preso na parte da frente da mitra sacerdotal”. É óbvio que trazer o nome de Cristo (ou Deus o Pai, Apocalipse 14:1) na fronte não deve ser entendido literalmente, mas como representativo da aliança com Deus, da possessão de Deus e mesmo da presença de Deus o Espírito Santo. Portanto, a marca da besta deve ser assumida como a paródia satânica do “selo de Deus” das testas e mãos dos retos… Israel rejeitou Cristo, e foi “marcada” com o selo do absoluto senhorio romano; ela se aliançou com César, acatando o seu governo e a sua lei. Israel escolheu ser salva pelo estado pagão, e perseguiu aqueles que visavam salvação em Cristo. A marca da besta é uma imitação barata do selo de Deus ao Seu povo. Aqueles que se submetem a César e ao estado romano têm com ele respeitabilidade social e benefícios (econômicos, políticos, religiosos, etc…). O estado romano exigiu total submissão a César; todos deveriam fazer uma oferta de incenso a César como sendo Deus. “Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida…” (Apocalipse 13:8). Mas os cristãos se negaram a adorar a besta e assim foram perseguidos até a morte, e tornaram-se econômica e socialmente proscritos. A marca da besta reflete um coração perverso que adora e serve a César. A analogia sem dúvida vem da prática de marcar escravos com o sinal do seu proprietário. Os cristãos são servos de Cristo; todos os demais são escravos de Satanás. Apocalipse 13 focaliza o império romano e a besta Nero César. A realidade se mostra muito desanimadora para a Igreja no capítulo 13, mas no capítulo 14 o profeta focaliza a sua atenção sobre Cristo e o Seu povo. Aqueles que perseguem a igreja e que adoram a besta receberão o seu salário: “Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mão, também beberá do vinho do furor de Deus que foi derramado sem mistura no cálice da sua ira. Será ainda atormentado com enxofre ardente na presença dos santos anjos e do Cordeiro, e a fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre” (Apocalipse 14.9-11). Mas os cristãos serão abençoados: “Felizes os mortos que morrem no Senhor de agora em diante. Diz o Espírito: Sim, eles descansarão das suas fadigas, pois as suas obras os seguirão” (vv. 13). Embora essas palavras devam confortar os cristãos de todas as eras, foram escritas especificamente para confortar os crentes que sofriam a perseguição de Nero – a Besta. * Extraído e adaptado do e-book “A ilusão pré-milenista”, páginas 69 a 75. Autor: Brian Schwertley Tradução: Marcelo Herberts Fonte: Monergismo.com

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