DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Formas Legítimas e ILegítimas de Tratar a Lei


De acordo com a Bíblia, que papel a lei mosaica tem na vida do crente da atualidade? Não podemos chegar a uma resposta que glorifique a Deus e que seja teologicamente correta, se não levarmos em consideração a completitude e a complexidade do testemunho do Novo Testamento e da diversidade do uso que faz da palavra “lei”. O Novo Testamento não nos oferece uma resposta fácil e sem dificuldades para essa questão. Mesmo assim, podemos descobrir a resposta de forma clara e segura por meio do estudo cuidadoso.Algumas passagens do Novo Testamento parecem advogar uma atitude positiva em relação à lei do Antigo Testamento. Paulo afirma que “a Lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom” (Rm 7.12); ele cita a lei do Antigo Testamento como garantia de autoridade para os juízos éticos (e.g., 1Co 9.9; Ef 6.1,2). Paulo escreveu abertamente: “No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus” (Rm 7.22). Tiago ensina que os seus leitores fazem bem em obedecer à “lei do Reino”, e os adverte para que não desobedeçam a nenhum aspecto dela (Tg 2.8-10); de acordo com ele, a nossa função é sermos praticantes da lei, não juízes dela (4.11,12). Pedro desafia os crentes a viverem vidas santas baseadas nas exigências da lei (1.15,16), e João identifica cumprir a lei tanto com conhecer a Deus quanto com amá-lo. (1Jo 2.3,4; 5.3; 2Jo 6). De alguma maneira importante para a vida cristã, a lei do Antigo Testamento é incontestavelmente mantida pelos autores do Novo Testamento. Não obstante esses endossos da lei, o Novo Testamento também fala da lei de forma negativa e parece descartá-la. Paulo declara: “Eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus” (Gl 2.19). Ele não se considera como estando “debaixo da Lei” (1Co 9.20). Os seus leitores “não estão debaixo da Lei, mas debaixo da graça”; aliás — “fomos libertados da Lei” (Rm 6.14; 7.6). Em outro texto, Paulo diz que Cristo aboliu “a Lei dos mandamentos expressa em ordenanças” (Ef 2.15). De alguma maneira, isso é vital para a mensagem do evangelho e, por isso, a lei do Antigo Testamento é indisputavelmente confrontada pelos autores do Novo Testamento.Essa ambivalência e aparente contradição na postura do Novo Testamento em relação à lei do Antigo Testamento começa a ser esclarecida e resolvida, quando Paulo declara em 1 Timóteo 1.8: “Sabemos que a Lei é boa, se alguém a usa de maneira adequada”. O testemunho infalível de Paulo é que não deve haver dúvida sobre o fato de que a instrução moral contida nos mandamentos da lei do Antigo Testamento é inerentemente boa. As exigências éticas da lei não refletem nada mais do que a santidade, a justiça e a bondade do próprio Deus (1Pe 1.15,16; v. Rm 6.18,22 com 7.12 14). Paulo afirmou que “a Lei é espiritual” (Rm 7.14), para que os que vivem “segundo o Espírito” cumpram de fato a ordenança da lei, ao passo que “a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus” (Rm 8.4,7).Visto que a lei é uma “cópia” do caráter de Deus, a reação da pessoa à lei é a reação da pessoa ao próprio Deus. Portanto, as prescrições morais da lei precisam ser vistas como algo positivo.No entanto, a excelência da lei é manchada se for usada de uma forma contrária à intenção de Deus. Paulo qualifica sua afirmação categórica a respeito da excelência da lei ao acrescentar: “se alguém a usa de maneira adequada”. A lei precisa ser usada de acordo com sua natureza, direção e intenção. Isso obviamente implica que as pessoas podem fazer mau uso da lei podem interpretá-la e usá-la de forma contrária aos propósitos de Deus.Nesse caso, a lei seria pervertida em algo contrário à sua natureza e intenção, tornando-a má e ímpia. Esse tipo de uso da boa lei de Deus é condenado aberta e repetidamente nas páginas do Novo Testamento. Qual seria esse uso ilícito da lei? Nós o encontramos na atitude dos fariseus e judaizantes que promoviam o mérito próprio diante de Deus, ao realizarem obras da lei.Foi o orgulho indescritível e o auto-engano que fez com que os judeus confiassem na lei e se sentissem seguros de que possuíam na lei “a expressão do conhecimento e da verdade”, que os tornou mestres autojustificados que ensinavam aos outros (Rm 2.17-21), quando na verdade aqueles que “se orgulha[m] da Lei” eram evidentemente culpados de transgressão da lei e desonram a Deus (v. 23,24). Os fariseus estavam cegos pela obsessão de se justificar diante das pessoas (Lc 16.15), confiando em si mesmos que eram de fato justos (Lc 18.9); eles achavam que já não precisavam de um Salvador assim como uma pessoa sadia não precisa de médico (Mt 9.12,13). Mesmo assim, Deus conhecia profundamente o coração deles; independentemente das aparências exteriores de justiça, eram interiormente corrompidos, cheios de iniqüidade e espiritualmente mortos (Mt 23.27,28). Ao tentarem estabelecer a sua própria justiça, esses judeus não podiam se submeter à justiça genuína de Deus (Rm 10.3).Nos primeiros dias da igreja cristã, surgiu um partido entre os fariseus que se negou a abandonar esse uso perverso e ilícito da lei de Deus e não reconheceu a forma em que a realização redentora de Cristo tirara de cena aquelas porções da lei que prefiguravam sua pessoa e obra. Por conseguinte, as pessoas dessa linha de pensamento queriam obrigar os gentios a viverem “como judeus” (Gl 2.14; literalmente, “judaizá-los”). Os judaizantes insistiam em que os gentios não podiam ser salvos se não fossem circuncidados e se não cumprissem os aspectos distintivos da aliança da lei de Moisés (At 15.1,5).A graça precisava ser complementada pelas obras da lei, ou seja, por meio de submissão autojustificadora às cerimônias judaicas.Para Paulo, essa atitude dos fariseus e judaizantes em relação à lei mosaica não era estranha ou desconhecida, pois essa era sua mentalidade antes da conversão. Ele fora criado como fariseu em relação à lei (Fp 3.5), e, como ele mesmo diz: “Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos antepassados” (At 22.3). O seu testemunho era: “No judaísmo, eu superava a maioria dos judeus da minha idade, e era extremamente zeloso das tradições dos meus antepassados” (Gl 1.14). Ele sabia o que significava orgulhar-se da lei (v. Rm 2.17-20,23). Da perspectiva de um homem que está espiritualmente morto, Paulo afirmou certa vez que “quanto à justiça que há na Lei” ele era “irrepreensível” (Fp 3.6). Ou seja, em certa época — à parte de uma percepção verdadeira da lei — ele estava se enganando de tal forma que pensava que estava espiritualmente vivo e justificado. Somente por meio da ação de convencimento do Espírito Santo sua consciência finalmente conseguiu compreender o mandamento e matar sua complacência autojustificadora. “Antes eu vivia sem a Lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri” (Rm 7.9).O QUE A PRÓPRIA LEI DIZ?Aqui há algo extraordinário, algo que os teólogos não podem ignorar se quiserem entender corretamente a intenção divina em relação à lei do Antigo Testamento. Paulo sabia pela sua experiência que ele precisava morrer para o legalismo, para o uso da lei como um meio de mérito próprio ou justificação diante de Deus. E, exatamente, onde e como Paulo aprendeu essa lição fundamental? Observe cuidadosamente o que ele diz em Gálatas 2.19: “Pois, por meio da Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus”. Foi a própria lei que ensinou Paulo a não buscar a justiça e a aceitação de Deus por meio de obras da lei! A lei do Antigo Testamento nunca foi legalista em sua natureza e intenção, embora os judeus a tenham pervertido nesse propósito interesseiro.Eles simplesmente não perceberam que “o fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê” (Rm 10.4). Paulo lamentou que “até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança […] até o dia de hoje, quando Moisés é lido, um véu cobre os seus corações” (2Co 3.14,15).Paulo claramente classificou e incluiu a aliança mosaica — a aliança da lei, que tinha edificado um muro entre judeus e gentios e alienado os incircuncisos da “comunidade de Israel” — como parte integrante do que ele chamava de “alianças da promessa” (Ef 2.12). Havia muitas alianças (plural) no Antigo Testamento, mas todas eram administrações de uma promessa (singular) subjacente de Deus. Os teólogos podem até falar apropriadamente de “lei” e “graça” como rótulos convenientes para as duas administrações da aliança (que são, nova aliança e antiga aliança), mas a Bíblia afirma enfaticamente que as duas são administrações da graça (ou promessa) como o único caminho para aceitação diante dele. A aliança da lei foi uma manifestação da promessa de Deus, não de legalismo.A administração da lei da antiga aliança (ou a própria administração mosaica) não ofereceu uma forma de salvação nem tampouco ensinou uma mensagem de justificação que difere daquela encontrada no evangelho da nova aliança. Ao reconhecer que diante de Deus ninguém podia ser justificado (Sl 143.2), a antiga aliança prometeu justificação fundamentada no nome: “O SENHOR é a Nossa Justiça” (Jr 23.6). O testemunho da antiga aliança era que a justiça tinha de ser imputada, até mesmo ao grande pai dos judeus, Abraão (Gn 15.6; v. Rm 4.3; Gl 3.6). Por conseguinte, a literatura do Antigo Testamento fornece evidências suficientes de que os santos de Deus eram pessoas de fé (v. Hb 11). Paulo compreendeu muito claramente que o próprio Antigo Testamento ensinava que os justos viveriam pela fé (He 2.4; v. Rm 1.17; Gl 3.11). O profeta Isaías proclamou: “Mas no Senhor todos os descendentes de Israel serão considerados justos e exultarão” (Is 45.25); e mais adiante: “Esta é a herança dos servos do SENHOR, e esta é a defesa que faço do nome deles, declara o SENHOR” (54.17).Se permitirmos que a Bíblia se interprete a si mesma e não introduzirmos nessa interpretação uma antítese teológica preconcebida entre a nova e a antiga aliança (lei2 e evangelho), somos levados a concluir que a antiga aliança — a lei de Moisés — foi uma aliança de graça que ofereceu salvação com base na graça por meio da fé, assim como o faz a boa nova encontrada no Novo Testamento. A diferença é que a aliança de Moisés ou da lei olhava para a frente, para a vinda do Salvador, administrando, assim, as alianças de Deus por meio de promessas, profecias, ordenanças rituais, tipos e prefigurações que anteviam o Salvador e sua obra redentora. O evangelho ou a nova aliança proclama a realização daquilo que a lei antevia, administrando a aliança de Deus por meio da pregação e dos sacramentos. A essência do relacionamento salvador de Deus e da aliança é a mesma sob a lei e o evangelho.As Escrituras não apresentam a aliança de Moisés ou da lei como fundamentalmente opostas à graça da nova aliança — uma perspectiva errônea (essencialmente dispensacionalista) que está no cerne de tantas convicções mal-orientadas sobre a lei hoje. Por exemplo, reflita sobre Hebreus 3—4. De acordo com o Novo Testamento, por que Deus estava insatisfeito com os israelitas a ponto de não permitir que entrassem na Terra Prometida?A resposta é que eles foram desobedientes (Hb 3.18), mas isso é a mesma coisa que dizer que lhes faltou fé (3.19)! Eles ouviram o evangelho pregado a eles assim como nós o ouvimos (4.2), mas eles falharam ao não aceitar a provisão prometida por Deus porque não tiveram fé (4.2) — ou seja, foram culpados de desobediência (4.6)! Não podemos jogar a fé contra a obediência na antiga aliança; elas são diferentes lados da mesma moeda, como na nova aliança (Tg 2.14-26).Por isso Paulo chegou a perguntar tão incredulamente: “Então, a lei opõe-se às promessas de Deus?” Será que a graça da aliança abraâmica deveria ser contradita pela lei revelada por Moisés? A resposta do apóstolo foi um categórico: “De maneira nenhuma!” (Gl 3.21). A lei nunca teve a intenção de ser um caminho para a autojustificação, como Paulo revela logo a seguir. Por intermédio do seu esforço autojustificador de ganhar mérito e favor diante de Deus por meio da obediência à lei, os israelitas não atingiram a lei de forma alguma (Rm 9.31)! E por que não? “Porque não a buscava[m] pela fé, mas como se fosse por obras” (v. 32).Se dermos ouvidos à própria lei, seremos demovidos da idéia de que a lei de Deus tinha a intenção de ser um caminho para o mérito próprio ou a autojustificação diante de Deus. A salvação pela graça da nova aliança é o florescimento, o desenvolvimento e a realização da promessa da graça prevista e anunciada na antiga aliança. “Pois quantas forem as promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o ‘sim’. Por isso, por meio dele, o ‘Amém’ é pronunciado por nós para a glória de Deus” (2Co 1.20). Na maior aula de Bíblia de todos os tempos, Cristo, “começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras” (Lc 24.27). Aliás, “Moisés foi fiel como servo em toda a casa de Deus, dando testemunho do que haveria de ser dito no futuro” (Hb 3.5). A lei mosaica não está em antítese com o evangelho de Cristo que foi proclamado posteriormente — assim como também não contradiz a promessa abraâmica que fora dada 430 anos antes (Gl 3.15-17). Cristo foi o foco e o alvo da lei de Moisés ou da antiga aliança (Rm 10.4), assim como o foi da aliança abraâmica e das promessas de antigamente.Paulo insiste em que a administração mosaica, a lei, não ab-rogou a promessa abraâmica, mas foi acrescentada “até que viesse o Descendente a quem se referia a promessa” (Gl 3.17,19) — isto é, foi acrescentada até a vinda de Cristo (v. 16). Antes da vinda de Cristo, o objeto da nossa fé, o povo de Deus estava “sob a custódia da Lei, nela encerrado” (v. 23). Isso significa que a lei se tornou “o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé” (v. 24). Observamos novamente que a teologia paulina vê a aliança mosaica — a lei — como apontando para Cristo e ela própria ensinando a mesma mensagem de justificação que o evangelho ou a nova aliança ensina.O aspecto da lei que mais distinguia a administração mosaica, e fazia esse papel de apontar adiante para Cristo, e a doutrina da justificação pela fé eram o que hoje muitas vezes chamamos de lei “cerimonial”, os rituais e ordenanças redentoras da antiga aliança (e.g., circuncisão, sacerdócio, templo, sacrifícios: v. Cl 2.11-13; Hebreus 7—10). O tutor ou mestre a que Paulo se refere em Gálatas 3.24,25 era a administração mosaica, “a lei”, especialmente na sua prefiguração cerimonial de Cristo. Das cartas de Paulo fica claro o seguinte: Paulo estava engajado em uma controvérsia teológica com os judaizantes, que insistiam na circuncisão (Gl 2.3,4; 5.2-4); ele escolheu como exemplo específico o calendário cerimonial da lei judaica (Gl 4.10); ele também fala daqueles “princípios elementares do mundo” (Gl 4.3,9) que Colossenses 2.16,17 descreve mais em detalhes como “sombras do que haveria de vir”, cuja realidade ou essência é Cristo; finalmente ele descreve a lei como governando os judeus e ensinando-lhes que a justificação vem por meio da fé em Cristo (Gl 3.24) — algo que não se consegue por meio de mandamentos morais como “não furtarás”, mas por meio de ordenanças sacrificais que vividamente ilustravam o caminho da salvação. Paulo insiste que agora que Cristo veio como objeto da nossa fé, já não estamos sob esse tutor, a lei mosaica (Gl 3.25). A administração mosaica, apropriada para o povo de Deus no estágio inicial do seu desenvolvimento e educação e contendo somente prefigurações pobres da redenção, agora deu lugar à liberdade madura dos filhos de Deus que depositam a fé no seu Filho (G 3.26; 4.1-7,9).Recapitulando, descobrimos que a própria lei da antiga aliança nos ensina a morrermos para o legalismo e o mérito próprio, visto que a lei, em concordância com a promessa abraâmica, olhou adiante para Cristo e ensinou a justificação pela fé. O evangelho não pode ser contraposto à lei no tocante à doutrina da salvação. Todavia, o evangelho é uma suplantação gloriosa e um avanço em relação à administração mosaica com as suas ordenanças cerimoniais. Ao passo que no estabelecimento da nova aliança não há mudança da natureza benevolente da salvação prometida e prefigurada nos dias de Abraão e de Moisés, há um desvanecer da administração e da ordem da antiga aliança (Hb 8.13). Precisamos ver ainda que as instruções morais encontradas na lei — os mandamentos de Deus revelados na antiga aliança — não foram colocados de lado com as instruções redentoras para a circuncisão, o sacerdócio, os sacrifícios e o templo.Greg L. BahnsenFonte: Lei e Evangelho, A Posição Reformada Teonomista. Ed. Monergismo.Nota: O Livro completo encontra-se no Sitio Monergismo em PDF-http://www.monergismo.com/textos/livros/introducao-teonomia-debate_greg-bahnsen.pdf

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