DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Grau de recompensa no céu


Nota de prefácio do editor (Pedro Araújo) Nos últimos dias este assunto me incomodou bastante (não apenas teologicamente, mas principalmente no meu íntimo), ainda mais porque não posso aceitar tal pensamento – de que simplesmente uns crentes terão recompensas maiores que outros no céu, de acordo com a quantidade, intensidade e relevância das boas obras que praticarem na terra [através da igreja], ou seja, que lá, entre o Rei Jesus e os meros pecadores redimidos, haverão outras posições de honra para os “heróis da fé” (que não necessariamente são vistos sob o mesmo prisma bíblico). Estudei, honesta e sinceramente, praticamente todas as passagens – cuidando fielmente seus respectivos contextos – reivindicadas por aqueles que defendem tal ideia fabulosa, e definitivamente – mesmo que na análise mais simples – nenhuma delas dá margem a tal presunção – sempre que a Bíblia fala de julgamento de obras e recompensa por elas contrapõe as obras más dos ímpios com a obra da Graça na vida dos justificados por Cristo, concluindo que aqueles receberão a punição e estes o galardão da vida eterna. Também consultei meus livros e os mais diversos materiais teológicos e de edificação espiritual que tenho à minha disposição, e o que eles trazem só reforça que a Bíblia não defende tal visão, que parece ser de origem dispensacionalista, ou até mesmo resquícios do loteamento celestial do Romanismo, ou uma espécie de teologia da prosperidade escatológica. Examinei artigos relacionados nas principais Confissões de Fé Reformadas e, pelo menos até onde eu pude me ater, elas não rezam nada parecido – encontrei na Confissão Belga uma certa abordagem mais específica do tema, e ela também não associa o mérito humano a qualquer recompensa eterna adicional. Eu teria muito a argumentar contra tal vento de engano, mas quero dizer que orei, busquei verdadeiramente uma luz e a paz do Espírito Santo, e como prova de que meu objetivo não é simplesmente fomentar um debate teológico-doutrinário, pedi a ajuda de pessoas, amigos, líderes, pastores e teólogos nos quais tenho confiança pessoal – minha urgência era muito grande, tanto que até agora não obtive resposta deles, o que é perfeitamente compreensível, levando em conta o tempo hábil para que eles respondessem meus e-mails. Mas nesta madrugada me deparei com um texto que confirmou em cheio aquilo em que eu já tinha plena convicção – e não digo isso por vaidade nem provocação, pois foi algo que enfim trouxe alento ao meu coração, crendo que isso seja um esclarecimento provido pelo próprio Deus, em Sua Graça. O texto não é sistemático, é simplesmente realista e honesto. Espero que possamos todos compreender e encontrar paz, como eu enfim encontrei, a respeito do tema nas cristocêntricas palavas do texto abaixo… Grau de recompensa no céu Autor: Don Fortner Tradução: Felipe Araújo Muito se fala hoje sobre grau de recompensa no céu. Mesmo homens que alegam crer nas doutrinas da Graça parecem determinados a dar algo às obras humanas. Mas, o Evangelho da Graça de Deus não permite nenhum lugar para o mérito humano. Deus não é devedor do homem. O que Ele dá e faz aos homens, nesta vida e na vindoura, é recompensa de pura Graça, não de dívida. Para que algo alegue mérito diante de Deus, deve ser perfeito. A santidade, retidão e justiça infinita de Deus não aceitarão nada menos que a perfeição. Onde está o homem que alguma vez tenha feito algo que é perfeito aos olhos de Deus? Onde está o homem que tem sido perfeitamente fiel em cada área de sua vida diante de Deus? Quem entre nós confiaria tanto em sua justiça própria, a ponto de desejar que Deus o julgue e recompense com base em suas obras? Nossas lágrimas, nossa fé, e as melhores das nossas boas obras estão tão cheias de pecado que, caso não fossem lavadas no sangue de Cristo, exigiriam a nossa condenação eterna! Nossa única aceitação diante de Deus é Cristo. Ele cumpriu perfeitamente cada requerimento da lei de Deus como nosso Representante, e satisfez cada demanda da justiça divina como nosso Substituto. Agora, estando vestidos com sua justiça e lavados em seu sangue, tudo que Deus pode e dará aos homens é nosso, porque estamos em Cristo. “Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?” (Romanos 8:32). Em Cristo, “tudo é vosso” (1 Coríntios 3:22). Quando o Senhor Jesus Cristo nos apresentar irrepreensíveis e inculpáveis diante de Deus (Colossenses 1:22), seremos perfeitos, não tendo nenhuma mancha de pecado ou contaminação de enfermidade; e não seremos privados de nenhum bem. Não leio sobre alegrias secundárias no céu. Nenhum dos eleitos de Deus será colocado no “quartinho dos fundos” de Canaã. Quem quer que tenha inventado a doutrina de grau de recompensa no céu, não conhecia nada do Evangelho da livre Graça de Deus em Cristo. Há tanto fundamento na Sagrada Escritura para tal doutrina quanto há para a doutrina papal do purgatório, nenhum pouco mais. O ladrão na cruz não tinha nenhuma boa obra, nenhuma vida de fidelidade, e nenhum feito poderoso de autonegação pelos quais pudesse alegar algo diante de Deus. Todavia, ele entrou no céu, foi aceito e recompensado por Deus, exatamente da mesma forma que o apóstolo Paulo, por meio dos méritos de Cristo, nosso Substituto; e sua recompensa foi igualmente plena. Tanto o ladrão como o apóstolo tiveram tudo o que desejavam e tudo o que Deus pode dar – eles tinham tudo de Cristo! Quem deseja mais que isso? Quem pode contentar-se com menos? Cristo é a nossa Recompensa; e Deus não O dá por graus! Fonte: Monergismo.com Nota de rodapé (Pedro Araújo) Diante disso, gostaria de reafirmar minha primeira reação logo que o tema trouxe aflição ao meu coração… Se não reconhecermos que todo o bem que fizermos (se é que o fazemos) é fruto da soberana Graça de Deus, se o fato de termos sido redimidos de nosso estado totalmente depravado não for motivação suficiente pra que nosso coração incendeie pela vontade d’Ele, se precisarmos de outro encargo que não a postura de servos de Cristo, se a nossa expectativa for além do desejo de poder contemplar Sua face, se simplesmente estar na Eternidade com Ele não for recompensa o bastante para nós, então não sei mais o que pode fazer sentido, aliás, nada mais faz sentido.

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