DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Jonathan Edwards e a Glória de Deus - Por J. I. Packer


Edwards herdou uma controvérsia entre os eruditos: o objetivo de Deus na criação era a sua própria glória, como sustentava a teologia Reformada, ou a felicidade do homem, como pensam os arminianos e os deístas? Em sua Dissertation on the Endfor Which God Created the World [Dissertação sobre o fim para o qual Deus criou o mundo], publicada postumamente, Edwards resolveu essa questão com brilho surpreendente. Como seu filho, Jonathan Edwards Jr., disse: Foi dito que, como Deus é um ser benevolente... não podia deixar de formar criaturas com o propósito de torná-las felizes. Muitas passagens das Escrituras foram citadas em apoio a esta opinião. Por outro lado, numerosas e bastante explícitas declarações das Escrituras foram produzidas para provar que Deus fez todas as coisas para sua própria glória. Edwards foi o primeiro que mostrou claramente que ambas foram o fim último da criação... e que elas são realmente uma e a mesma coisa. Com isso, Edwards amarrou o seu caso, examinando o uso bíblico da palavra "glória" (hebraico: kabod; grego, LXX e NT: doxa). Tendo declarado corretamente que kabod etimologicamente significa "peso, grandeza, abundância" e no uso geral transmite a ideia de "Deus em plenitude", Edwards fez a seguinte análise do uso do termo: As vezes é usado para significar o que é interno, inerente, ou está na posse de alguém [ou seja, a glória que pertence a outra pessoa]: às vezes refere-se à emanação, exposição, ou à comunicação dessa glória interna [ou seja, a glória que aparece para alguém] e às vezes, ao conhecimento ou à percepção dessas [comunicações], naqueles a quem a exposição ou comunicação é feita [ou seja, a glória que é vista, ou discernida por alguém]; ou, à expressão desse conhecimento, sentido, ou efeito [a glória que é  a alguém, por louvor e gratidão em alegria e amor]. E a conclusão que ele oferece, com base em ambos os textos bíblicos que falam de glória e de glorificar dessas quatro maneiras distintas, embora ligadas, e também o argumento analítico em torno dessa exegese, é que a glória interna e intrínseca de Deus consiste em seu conhecimento (onisciência com sabedoria), além de sua santidade (o amor virtuoso espontâneo, ligado ao ódio ao pecado), mais a sua alegria (felicidade suprema sem fim) e que sua glória (sábia, santa, feliz e amorosa) flui dele como a água de um chafariz, na espontaneidade do amor (graça), em primeiro lugar na criação e na redenção, sendo que ambas são tão definidas para nós a ponto de suscitar o louvor; e que, em respondermos glorificando a Deus, dirigidos pelo Espírito Santo, Deus glorifica e satisfaz a si mesmo, alcançando o que era seu propósito desde o início. O fim principal do homem, como a famosa primeira resposta do Breve Catecismo de Westminster expõe memoravelmente, é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Deus nos fez de tal modo que em louvar, agradecer, amar e servi-lo, atingimos a nossa própria felicidade suprema e satisfação em Deus que de outro modo não teríamos e não poderíamos fazer. Atingimos a nossa maior alegria em Deus e em glorificá-lo supremamente, e glorificá-lo em desfrutá-lo. Na verdade, desfrutamos mais dele quando o glorificamos mais, e vice-versa. E a finalidade única, embora complexa de Deus, agora na redenção como foi na criação, é a sua própria felicidade e alegria dentro e por meio de nós. Seu grande objetivo aqui e agora é glorificar a si mesmo mediante glorificar e ser glorificado por seres humanos racionais que, apesar da natureza caída, chegam à fé salvadora em Jesus Cristo. Assim, a emanação (saída) da glória divina na forma de resultados da ação criadora e redentora de reemanaçao (retorno do fluir) da glória de Deus na forma de devoção e celebração. E assim o objetivo de Deus para si próprio (Pai, Filho e Espírito Santo, o "eles" que são "ele" dentro da unidade trina), a meta que inclui a sua meta para toda a humanidade cristã, é obtido por meio de um processo isoladamente unitário, que é contínuo e interminável em si. A imensidão inimaginável desse sequenciamento recíproco, que é na verdade a finalidade para a qual Deus criou o mundo, só pode ser indicada de forma leiga e analógica (para usar um par de termos não-edwardeanos). Isso é feito por nós de uma maneira normativa em Apocalipse 21, e C. S. Lewis de modo mais eficaz fez no fim de sua história de Nárnia, A Ultima Batalha, em que as crianças foram levadas por um acidente ferroviário à Nárnia real, que será a casa delas para sempre. As frases-chave são estas: Então Aslan [o leão como Cristo] se virou para eles e disse: "Vocês ainda não estão tão felizes quanto eu almejei que vocês sejam... todos vocês estão (como vocês costumavam chamar na Terra das Sombras) mortos. A temporada acabou, as férias já começaram. O sonho acabou. Esta é a manhã". ... Nós podemos mui verdadeiramente dizer que todos eles viveram felizes para sempre. Mas para eles era apenas o começo da história real. Toda a vida deles neste mundo e todas as suas aventuras em Nárnia haviam sido apenas a capa e a página de título: agora, finalmente, eles estavam começando o Capítulo Um da Grande História que ninguém na terra leu, que dura para sempre, em que cada capítulo é melhor que o anterior. Isso captura exatamente, em termos míticos-parabólicos, o ponto que Edwards, na sua forma mais prosaica, estava preocupado em demonstrar. Amy Plantinga Pauw o resume assim: Porque "o céu é um estado progressivo", a alegria celeste dos santos, e até mesmo do Deus trino, continuará aumentando para sempre... Os santos podem esperar uma expansão infinita de seu conhecimento e amor de Deus, como suas capacidades são aumentadas por aquilo que eles recebem... não há limite intrínseco à sua alegria no céu... Como os santos continuam a aumentar em conhecimento e amor de Deus, Deus recebe mais e mais glória. Esta reciprocidade celeste nunca cessará, porque a glória que Deus merece é infinita, e a capacidade dos santos de perceber a glória de Deus e louvá-lo está sempre aumentando. Aqui está, finalmente, como o próprio Edwards, em sua forma bastante mais séria e abstrata, resume o assunto ("criatura" no que se segue é o crente): E embora a emanação da plenitude de Deus destinada na criação tenha a criatura como seu objeto, e a criatura seja o tema da plenitude comunicada, o bem da criatura, isso não implica necessariamente que fazendo assim Deus não fez a sua finalidade em si mesmo. Vem a ser a mesma coisa. O apreço de Deus pelo bem da criatura, e seu apreço por si mesmo, não é uma matéria dividida, mas ambos estão unidos num só, como a felicidade almejada para a criatura visa a felicidade na união consigo mesmo... Quanto maior a felicidade maior a união... E como a felicidade, aumentará até a eternidade, a união vai se tornar [p.ex., estreitamente ligada] cada vez mais rigorosa e perfeita; mais e mais parecido ao que existe entre Deus Pai e o Filho, que estão tão unidos, que o seu interesse é perfeitamente um... Que a mais perfeita união com Deus seja representada por algo infinito muito acima de nós, e a união eterna dos santos com Deus, por algo que está ascendendo constantemente para uma altura infinita... e que continuará assim, a se mover por toda a eternidade. A via de duas mãos desse processo incessante, diz Edwards, encarna e manifesta o verdadeiro fim para o qual Deus criou o mundo: a saber, o avanço interminável de sua glória, em união conosco, mediante o infinito avanço da nossa, em união com ele. Aqueles que têm em qualquer medida provado o frescor e a alegria de coração que fluem da fé, amizade e adoração da santa Trindade (ou devo dizer o Único santo ou o Único em três) vão adotar o pensamento de Edwards como uma resposta completa para qualquer fantasia de que o céu cristão seria estático e aborrecido, e olharão para a frente, para a glória aguardada com avidez cada vez maior.

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