DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sábado, 29 de setembro de 2012

Soberania Divina versus Pragmatismo - John MacArthur


O que a soberania de Deus tem a ver com o assunto deste livro? Tudo. A razão específica pela qual muitas igrejas contemporâneas abraçam a metodologia pragmática é por que lhes falta qualquer noção da soberania de Deus na salvação dos eleitos. Perderam a confiança no poder de Deus em usar a pregação do evangelho a fim de alcançar incrédulos endurecidos de coração. É por isso que abordam o evangelismo como uma questão de marketing e moldam a sua metodologia de acordo com este. Há mais de trinta anos, J. I. Packer escreveu: Se esquecermos que, ao ser pregado o evangelho, é prerrogativa de Deus conceder resultados, começaremos a pensar que é nossa responsabilidade assegurá-los. E, se esquecermos que somente Deus pode conceder a fé, começaremos a pensar que, em última análise, o fazer convertidos depende não de Deus, mas de nós, e que o fator decisivo é a maneira pela qual evangelizamos. Essa linha de raciocínio, seguida com constância, acabará nos afastando do caminho. Vamos analisar esta questão. Se julgássemos ser nossa tarefa, e não de Cristo, produzir convertidos — evangelizar, não apenas fielmente, mas de forma bem-sucedida — nossa forma de abordar o evangelismo se tornaria pragmática e calculista. Concluiríamos que nosso equipamento básico, para a evangelização pessoal e pública, deveria ter uma característica dupla. Precisaríamos não apenas de uma boa compreensão do significado e da aplicação do evangelho, mas também de uma técnica irresistível para induzir os resultados. Portanto, deveríamos considerar como responsabilidade nossa tentar desenvolver tal técnica. E deveríamos avaliar todo o evangelismo, nosso e dos outros, pelo critério não apenas da mensagem pregada, mas também dos resultados visíveis. Se nossos próprios esforços não estivessem produzindo frutos, precisaríamos concluir que nossa técnica ainda necessitaria de aprimoramento. E, se estivesse produzindo frutos, concluiríamos que isso justificaria a técnica que estivéssemos usando. Deveríamos considerar o evangelismo como uma atividade envolvendo uma batalha de vontades, entre nós e aqueles a quem estamos pregando, uma batalha onde a vitória dependeria de lançarmos uma carga de artilharia pesada com efeitos calculados. Packer estava nos alertando exatamente contra o tipo de pensamento que deu origem à igreja "amigável" e sua filosofia pragmática norteada por marketing. Na verdade, a forma pragmática de abordar o ministério não é uma coisa nova. Tem raízes profundas na história da igreja norte-americana. A maior contribuição para isso não foi feita por Harry Emerson Fosdick, Norman Vincent Peale, Robert Schuller ou qualquer outro defensor contemporâneo do pragmatismo. Eles e outros seguiram a influência de outro homem, Charles G. Finney, um evangelista da primeira metade do século XIX. Charles Finney errou ao rejeitar o ponto de vista ortodoxo da eleição divina, como sendo "um exercício de soberania arbitrária". Rejeitou a doutrina da conversão como uma obra inteiramente de Deus. Em vez disso, ensinou que a fé é fundamentalmente uma decisão humana e que a salvação é assegurada pela ação do próprio pecador em voltar-se para Deus. Embora o fundamental erro teológico de Finney tenha sido a rejeição da soberania de Deus, isso conduziu, inevitavelmente, a outros erros em seus ensinos. Ele concluiu que as pessoas são pecadoras por escolha, não por natureza. Finney acreditava que o propósito do evangelismo era convencer as pessoas a escolherem diferenciadamente — ou, como muitos dizem hoje, "fazerem uma decisão por Cristo". Portanto, a escolha do pecador, não a de Deus, tornou-se o fator determinante na conversão. O meio de sair das trevas para a luz era, na opinião de Finney, nada mais do que um simples ato da vontade humana. A tarefa do pregador consistia em assegurar uma decisão de fé, usando quaisquer meios que se mostrassem úteis. Finney introduziu "novos procedimentos" (metodologia não-convencional) em seu ministério, frequentemente utilizando técnicas cujo único propósito era comover e despertar o interesse do apático frequentador de igreja. Ele estava disposto a implementar praticamente quaisquer meios que extraíssem de seus auditórios a resposta desejada. Desta forma, a maneira de Charles Finney abordar o ministério prenunciou e lançou os alicerces para o pragmatismo moderno. Seus ensinos e métodos têm sido responsáveis pelas grandes mudanças ocorridas no evangelismo norte-americano deste último século e meio. Finney poderia ser chamado de "o pai do pragmatismo evangélico". O ministério moderno, norteado por marketing, é apenas uma culminação do movimento que Finney iniciou . Seria de se esperar que os que rejeitam a doutrina bíblica da soberania de Deus fossem seguidores de Finney, porém não esperaríamos que pudessem segui-lo os que afirmam sustentar tal doutrina. O pragmatismo destes torna-se uma negação de sua teologia, uma espécie de esquizofrenia espiritual.

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