DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Thomas Chalmers (1780-1847) e a Vitória sobre o Mundanismo.


Thomas Chalmers (1780-1847) foi um dos homens mais notáveis do seu tempo - um matemático, teólogo evangélico, economista, clérigo, político e reformador social, tudo em um. Seu sermão mais famoso foi publicado sob o controverso título: "O Poder Expulsivo de uma Nova Afeição". Nele, expôs uma visão de importância permanente para a vida cristã: não se pode destruir o amor pelo mundo mostrando, simplesmente, a sua vacuidade. Mesmo se pudéssemos fazê-lo, isso só nos levaria à desesperança. O primeiro amor de nossos corações centrado no mundo, só pode ser expulso por uma nova afeição – por Deus e de Deus. O amor do mundo e o amor do Pai não podem viver juntos no mesmo coração. Mas o amor do mundo só pode ser expulso pelo amor do Pai. Daí o título do sermão de Chalmers. A verdadeira vida cristã, santa e correta, exige, em sua dinâmica, uma nova afeição para com o Pai. Essa nova afeição é parte do que William Cowper chamou de "a bem-aventurança que conheci no momento em que vi o Senhor" - um amor pelo sagrado que parece golpear mortalmente nossas afeições carnais no início da vida cristã. Logo, porém, descobrimos que, apesar de termos morrido para o pecado em Cristo, o pecado não morreu em nós, de modo algum. Às vezes, sua influência contínua nos surpreende, e parece até mesmo nos submergir em algumas de suas manifestações. Descobrimos que nossas "novas afeições" para com as coisas espirituais devem ser renovadas constantemente em por toda a nossa peregrinação. Se perdermos o primeiro amor, nos encontraremos em sério perigo espiritual. Às vezes, cometemos o erro de substituí-lo por outras coisas. Entre as favoritas, aqui, estão as atividades e a aprendizagem. Nos tornamos ativos no serviço de Deus, eclesiasticamente (ganhamos posições anteriormente ocupadas por aqueles que admirávamos, e medimos nosso crescimento espiritual em termos de posições alcançadas); nos tornamos ativos evangelisticamente e no processo, medimos a força espiritual em termos da crescente influência; ou nos tornamos ativos socialmente em campanhas políticas e moral, medindo o crescimento em termos de participação. Alternativamente, reconhecemos o fascínio intelectual e o desafio do evangelho, e nos dedicamos a entendê-lo, talvez por ele mesmo, talvez para comunicá-lo aos outros. Medimos nossa vitalidade espiritual em termos da compreensão, ou em termos da influência que ele nos dá sobre os outros. Mas nenhuma posição, influência, ou desenvolvimento pode expulsar o amor pelo mundo dos nossos corações. Podem ser, na verdade, manifestações desse mesmo amor. Outros de nós cometemos o erro de substituir as amorosas afeições pelo pai por regras de devoção: "Não manuseie! Não prove! Não toque!" Esses métodos têm sobre eles um ar de santidade, mas na verdade não têm poder para restringir o amor pelo mundo. A raiz do problema não está na minha mesa, ou no meu bairro, mas no meu coração. A mundanidade ainda não foi expulsa. É muito possível, nestas diferentes formas, ter a aparência de genuína devoção (quão sutis são os nossos corações!) sem o seu poder. O amor pelo mundo não terá sido expurgado, mas simplesmente afastado. Apenas um novo amor é suficiente para expulsar o antigo amor. Apenas o amor por Cristo, com tudo o que ele envolve, pode colocar para fora o amor a este mundo. Somente aqueles que anseiam pela vinda de Cristo serão libertados da deserção ‘estilo Demas’, causada pelo amor a este mundo. Como podemos recuperar a nova afeição por Cristo e por seu reino que tão poderosamente impactou nossa permanente mundanidade, e na qual crucificamos a carne com suas paixões? O que foi que, de qualquer modo, criou esse primeiro amor? Você se lembra? Foi a nossa descoberta da graça de Cristo no reconhecimento de nosso próprio pecado. Não somos naturalmente capazes de amar a Deus por ele mesmo; na verdade, o odiamos. Mas ao descobrirmos isso sobre nós mesmos, e ao tomarmos conhecimento do amor sobrenatural de Deus por nós, o amor pelo Pai nasceu. Em muito perdoados, muito amamos. Nos regozijamos na esperança da glória, no sofrimento, até mesmo no próprio Deus. Esta nova afeição parecia primeiro superar o nosso mundanismo, em seguida, dominá-lo. As realidades espirituais - Cristo, a graça, as Escrituras, oração, comunhão, serviço, viver para a glória de Deus - preencheram a nossa visão e nos pareceram tão grandes, tão desejáveis, que as demais coisas, por comparação, pareceram encolher em tamanho, se tornando insípidas ao paladar. A forma pela qual mantemos o "poder expulsivo de uma nova afeição" é a mesma pela qual o descobrimos. Somente quando a graça ainda é "surpreendente" para nós é que poder reter seu poder em nós. Apenas quando mantemos uma percepção de nossa própria e profunda pecaminosidade é que podemos reter uma percepção da percepção da benevolência da graça. Muitos de nós partilhamos das tristes perguntas de Cowper: "Onde está a bem-aventurança que experimentei quando vi o Senhor pela primeira vez? Onde está a visão de Jesus e Sua palavra que significavam refrigério para a alma?” Lembremo-nos da altura de onde caímos, arrependamo-nos e retornemos às primeiras obras. Seria triste se uma profunda análise de nosso cristianismo mostrasse a ausência de uma percepção do pecado e da graça. Isto sugeriria que pouco experimentamos do poder expulsivo de uma nova afeição, se é que o experimentamos. Mas não há vida reta que dure sem ele. Sinclair B. Ferguson

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