DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

terça-feira, 27 de novembro de 2012

CULTURALMENTE DEIXADOS PARA TRÁS


Por Gary North.Traduzido e adaptado por Fábio Vaz."Deixados para Trás" é uma série de livros e filmes de sucesso estrondoso, gerando mais de um quarto de bilhão de dólares em somente cinco anos. Muito dinheiro, muitos leitores, grande audiência, grandes esperanças para um pequeno produtor de filmes.Um dos co-autores dessa série é o Rev. Tim LaHaye, autor de vários livros, dentre os quais "Temperamentos Transformados", uma espécie de "horóscopo cristão" ("antes eu era de escorpião, agora sou colérico") pseudo-psicológico, e de várias obras de cunho dispensacionalista.A série "Deixados para Trás" é baseada no fundamentalismo dispensacionalista e na premissa de que Mateus 13 não deve ser interpretado de modo literal. Essa é uma passagem que trata com o tema do Reino de Deus na história humana. Contém muitas das parábolas de Jesus, incluindo a que trata do joio e do trigo. Essa é a parábola na qual os trabalhadores dirigem-se ao dono do campo e dizem que um inimigo semeou joio em meio ao trigo. Eles devem arrancar o joio?"Ele respondeu: Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderiam arrancar com ele o trigo. Deixem que cresçam juntos até a colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro" (Mt 13.29,30).Os discípulos de Jesus aproximaram-se dele, depois que as multidões se haviam ido, e perguntaram-lhe acerca do significado dessa parábola."Ele respondeu: Aquele que semeou a boa semente é o Filho do homem. O campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeia é o diabo. A colheita é o fim desta era, e os encarregados da colheita são anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz cair no pecado e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça" (Mt 13.37-43).Jesus foi absolutamente claro: não haverá separação coletiva entre pecadores e santos na história. Somente no fim dos tempos haverá uma separação corporativa: ovelhas e bodes, trigo e joio, salvos e perdidos, os que guardam o pacto e os que não guardam. Mas até então a separação é somente institucional e confessional, não física nem corporativa. Até 1830 a Igreja Cristã ensinou universalmente a doutrina da não-separação na história. Mas em 1830 uma pequena seita inglesa fundada por Edward Irving proclamou uma nova doutrina. A Igreja escapará da tribulação futura de sete anos ao ser retirada da história! A Igreja será levada ao céu num evento chamado de "arrebatamento"! (A palavra "arrebatamento" não aparece no texto grego do Novo Testamento, e muito menos a ideia de que uma futura tribulação durará exatos sete anos).As ideias dos seguidores de Irving foram logo adotadas por John Nelson Darby, líder de uma pequena seita britânica conhecida como Os Irmãos de Plymouth. Darby levou essa doutrina aos Estados Unidos, e a partir de 1880 ela começou a ser difundida entre os fundamentalistas daquele país, em parte graças aos esforços de C. I. Scofield, autor das notas da "Bíblia de estudo" que leva seu nome. Os fundamentalistas, em sua luta contra o "Evangelho Social" e o liberalismo teológico, tornaram-se presas fáceis das concepções de Irving-Darby, aceitando a tese do arrebatamento pré-tribulacionista e pré-milenista. Tal arrebatamento acontecerá 1007 anos antes do Juízo Final, sete anos antes da volta de Cristo e do início do milênio.Outra novidade desse esquema era que Cristo arrebataria a Igreja logo antes do início da tribulação, e três anos e meio antes do período conhecido como "grande tribulação" (que duraria, igualmente, três anos e meio, totalizando sete anos). No final da grande tribulação o Senhor retornará para estabelecer Seu reino de mil anos. O pré-milenismo tradicional ou histórico, ao contrário, sempre ensinou que Cristo retornará somente no fim da tribulação (um período indefinido de tempo, e não sete anos exatos) e que a Igreja passará por toda a tribulação, sem nenhum arrebatamento pré-tribulacionista. Segundo o pré-milenismo histórico, não haverá nenhum período da história humana em que a Igreja não esteja presente.Mas para Irving e Darby, e seus seguidores, os dispensacionalistas, Jesus Cristo virá secretamente para arrebatar a Igreja e levá-la ao céu, "deixando para trás" o restante da humanidade, que enfrentará sozinha os horrores da grande tribulação. Logo o Anticristo estabelecerá um governo mundial e três anos e meio depois do arrebatamento os exércitos do Anticristo cercarão Jerusalém e matarão quase dois terços dos judeus de todo o mundo (alguém precisa avisar os dispensacionalistas que há muitos judeus em Nova York, Los Angeles, Miami, e muitos outros lugares do mundo...).Uma razão psicológica importante pela qual os fundamentalistas norte-americanos apóiam com tanto afinco o Estado de Israel é a seguinte: a doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista ensina que a futura perseguição aos santos será a perseguição aos judeus, não aos cristãos! Pois os cristãos já teriam sido "arrebatados"."Deixados para Trás" é inteiramente baseado na doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista de Darby, o que é um verdadeiro dogma para a maioria dos dispensacionalistas. A série identifica os bandidos (funcionários das Nações Unidas e dos Bancos Centrais internacionais) e os mocinhos (os cristãos irrelevantes, que desaparecem logo no início da história, deixando para trás suas roupas e pertences). Isso deixa aos não-cristãos o posto de protagonistas da história.O filme e o livro começam com o desaparecimento instantâneo e misterioso de milhões de pessoas ao redor do mundo, todos os verdadeiros cristãos do planeta. Um desaparecimento silencioso, abrupto, inexplicável. O problema dos autores do livro é que - aparentemente - esqueceram-se de mencionar a trombeta.Em 1Tessalonicenses 4.16,17 lemos: "Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre."Em outra epístola Paulo escreveu: "num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados". A trombeta é mencionada nas duas passagens, sinalizando que o evento será tudo, menos secreto e silencioso. Ao contrário, será público e aberto. Ambas passagens referem-se ao mesmo evento, o retorno de Jesus Cristo, visível e manifesto a todos, jamais secreto.Por que a voz do arcanjo e a trombeta de Deus não são mencionadas no livro e no filme? Porque a série "Deixados para Trás" fala de um arrebatamento secreto, bem ao estilo dispensacionalista. Segundo eles, todos os cristãos desaparecerão da Terra, mas ninguém ouvirá trombeta alguma, nem verá o Senhor, pois Ele virá secretamente.Depois do arrebatamento secreto, segundo o enredo, a vida prossegue normalmente. Todos os cristãos do planeta desapareceram, mas as companhias aéreas continuam operando, os bancos continuam abertos, as redes de TV continuam transmitindo. Em suma, a sociedade continua funcionando muito bem, obrigado. A infraestrutura permanece intacta. Todos os cristãos sumiram, e a vida prossegue normalmente.Gostaria que essa série fosse uma comédia ou uma paródia, mas o livro e o filme representam fielmente a crença dispensacionalista e fundamentalista de que o Cristianismo é socialmente irrelevante.Os fundamentalistas veem os cristãos como não oferecendo nada socialmente relevante para o mundo, nada culturalmente importante para a civilização humana. O mundo pode se virar muito bem sem os cristãos. Nos campos da Educação, Ciência, Tecnologia, Profissões e Artes - sobretudo nas Artes - os fundamentalistas creem que os cristãos são necessariamente irrelevantes. Podemos perceber claramente essa crença em sua teoria do intervalo de sete anos entre o arrebatamento secreto da Igreja e a segunda vinda de Cristo para estabelecer o reino milenar. A mensagem é clara: a ausência dos cristãos depois do arrebatamento secreto mal será notada, porque eles mal são notados nos dias de hoje.No filme, a única evidência da ausência dos cristãos é o número de automóveis abandonados subitamente e acidentados. Nenhum avião cai no filme - será que nenhum cristão, em todo o mundo, é capaz de pilotar um avião de passageiros?A doutrina do arrebatamento secreto pré-tribulacionista deixou uma marca profunda no fundamentalismo norte-americano (e em seus imitadores tupiniquins). Que cristão iria desejar pagar o preço para mudar nossa sociedade, se está esperando um "arrebatamento secreto" a qualquer momento, que o livrará de todos os problemas do mundo? Depois disso, o Anticristo herdará a terra por sete anos. Por que, então, sacrificar-se para melhorar a sociedade, se ela cairá inevitavelmente nas mãos dos descrentes e do grande inimigo de Deus?A Bíblia ensina justamente o contrário: "O homem bom deixa herança para os filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é armazenada para os justos" (Pv 13.22). Mas a doutrina dispensacionalista do arrebatamento secreto insiste em que a riqueza dos justos ficará para os ímpios. Então, para que trabalhar toda uma vida a fim de construir algo que ficará "para trás", nas mãos dos descrentes? Para que melhorar uma sociedade condenada à ruína?O protestantismo fundamentalista é radicalmente orientado para o presente, para o aqui e agora, porque não vê esperança no futuro da nação. Por isso, na maioria dos casos, nos Estados Unidos o protestantismo fundamentalista é claramente identificado com as classes economicamente menos produtivas.Alguém que não tem fé no futuro de seu legado a longo prazo provavelmente não se preocupará em economizar, nem trabalhará longas horas, arduamente, para fundar e desenvolver um negócio, nem dedicará longos anos para obter educação superior, nem fará qualquer outra coisa que envolva sacrifícios a longo prazo, exceto, talvez, missões no estrangeiro. Porque tal pessoa não espera nada de bom para o futuro.Ludwig von Mises argumentou que as pessoas imediatistas não se importam em pagar juros altos e pouco interesse têm por economizar ou poupar. Disse ainda que as sociedades imediatistas, sem interesse pelo futuro, experimentam escassa formação de capital e baixo crescimento econômico. O resultado é que são "deixadas para trás".Finalizo este texto com um versículo da Bíblia. Deve ser aplicado em mais de um sentido."Se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará para a batalha?" (1Co 14.8).Cultural, intelectual e politicamente, os fundamentalistas norte-americanos adeptos do dispensacionalismo foram "deixados para trás". Eles têm feito seus melhores esforços para não deixar nada de valor para trás. Estão comprometidos teologicamente com a irrelevância cultural que o dogma dispensacionalista lhes impõe. Culturalmente ouviram o som incerto de uma trombeta errada.Gary North é autor de uma série de onze volumes chamada "Um Comentário Econômico da Bíblia". A série pode ser baixada gratuitamente (em inglês) no site do autor: www.garynorth.com.Fonte:Hombre Reformado.http://www.hombrereformado.org/culturalmente-dejado-atras

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