DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; Sola Scriptura, sola Gratia, sola Fide, soli Deo Glória, solus Christus;

DEFENDENDO A FÉ DESDE 1536; SOLA SCRIPTURA, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLÓRIA, SOLUS CHRISTUS; Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Judas:3;

sábado, 12 de janeiro de 2013

Dilemas luterano das duas vontades de Deus – predestinação e reprovação


Luteranos enfrentam dois dilemas sobre o paradigma das duas vontades de Deus. A primeira é a do duplo padrão. Eles censuram os reformados por investigar o conselho secreto do Deus oculto enquanto o próprio Lutero discutiu de fato a vontade secreta do Deus oculto a respeito da predestinação. Assim Deus esconde sua eterna bondade e misericórdia sob ira eterna, sua justiça sob iniquidade. Este é o grau mais alto de fé, crer que ele seja misericordioso quando ele salva poucos e condena muitos, e crer que ele seja justo quando por sua própria vontade ele nos faz necessariamente condenáveis, de forma que ele pareça, de acordo com Erasmo, se deleitar nos tormentos dos miseráveis e ser digno de ódio ao invés de amor. Nos capítulos 9, 10 e 11 [de Romanos, Paulo] ensina sobre a predestinação eterna de Deus – de onde originalmente procede quem deve crer ou não, quem pode ou não se livrar do pecado – de forma que nossa salvação seja tomada inteiramente das mãos e colocada nas mãos de Deus apenas. E isto é completamente necessário. Pois nós somos tão fracos e incertos que se dependesse de nós, nem uma simples pessoa seria salva; o demônio certamente teria mais força que nós todos. Mas já que Deus é confiável – sua predestinação não pode falhar, e ninguém pode vencê-lo – nós ainda temos esperança em face do pecado. Nós sabemos muito bem que Deus não ama ou odeia como nós, já que nós somos mutáveis tanto no nosso amor quanto no ódio, enquanto que ele ama e odeia de acordo com sua eterna e imutável natureza, então aqueles sentimentos e humores passageiros não se levantam nele. E é este fato que torna completamente sem sentido a livre escolha, pois o amor de Deus para os homens é eterno e imutável, e seu ódio é eterno, sendo anterior à criação do mundo, e não somente pelo mérito e obra da livre escolha; e tudo se faz pela necessidade em nós, de acordo com ele ou amar ou não amar a nós de toda a eternidade, de forma que não somente o amor de Deus mas também a forma de seu amor impõe necessidade em nós. Esta palavra, então, “Eu não desejo a morte de um pecador”, como você vê não tem outro objetivo além de pregar e oferecer a misericórdia divina para o mundo, uma misericórdia que somente o aflito e o atormentado pelo medo da morte recebe com alegria e gratidão, porque neles a lei já cumpre seu ofício e trouxe o conhecimento do pecado. Aqueles, contudo, que não tem experimentado o ofício da lei, e nem reconhecem o pecado ou sentem a morte, não têm uso para a misericórdia prometida por aquela palavra. Mas por que alguns são tocados pela lei e outros não, de forma que o primeiro aceita e o último despreza a graça oferecida, é outra questão e uma não trabalhada por Ezequiel nesta passagem. Pois ele está aqui falando da pregada e oferecida misericórdia de Deus, não daquela oculta e terrível vontade de Deus pela qual ele ordena por seu próprio conselho qual e que tipo de pessoas ele deseja ser recipientes e compartilhadores de sua pregada e oferecida misericórdia. Esta vontade não deve ser investigada, mas adorada de modo reverente, como de longe o segredo mais impressionante da Majestade Divina, reservado para si somente e proibido para nós mais religiosamente que qualquer número de cavernas Coricianas. Estes breves trechos poderiam ser combinados com a extensiva argumentação de Lutero declarada ao longo de seu Da vontade cativa. Ali Lutero deixa claro declarações sobre o ensino bíblico explícito que Deus endureceu o coração de Faraó, e que Jacó foi amado a despeito de Esaú, para citar apenas alguns exemplos. Lutero argumenta ao longo de seu livro contra Erasmo sobre a liberdade de Deus para fazer o que ele deseja como o supremo oleiro, não de uma especulação filosófica, mas usando extensiva argumentação escriturística. Enquanto que ele de fato faz uma distinção entre o Deus revelado e o oculto em sua obra, esta distinção freqüentemente parece secundária em sua argumentação, ou talvez meramente declarada mas não aplicada. O estudioso de Lutero, Paul Althaus, faz as seguintes observações pertinentes ao paradigma de Lutero do Deus revelado/oculto no Da vontade cativa. Embora não de uma perspectiva Reformada, Althaus claramente encontra Lutero expressando a vontade do Deus oculto, e se o paradigma é bíblico como expresso por Lutero: Nós devemos perguntar se aquela distinção [do Deus oculto/revelado] é mesmo substancialmente escriturística. Certamente a Bíblia está ciente de um negro mistério de Deus endurecendo o coração de um homem. Para a Bíblia, contudo, esta continua a ser somente a borda negra que envolve a luz brilhante da vontade de Deus de salvar o homem. Para Lutero por outro lado – pelo menos no Da Vontade Cativa – seu conhecimento do Deus oculto se estende como uma larga sombra sobre a figura da vontade revelada de Deus. Em comparação à Bíblia, uma mudança de ênfase ocorreu. É uma coisa não esconder fato preocupante de que Deus também endurece o coração dos homens e no temor de Deus, te levá-lo a sério como a Bíblia faz; é, contudo, uma coisa completamente diferente fazer – como Lutero – o mistério que nos confronta na história do trato de Deus com os homens e com pessoas, um mistério que certamente conflita com a vontade de Deus de saber como a conhecemos, e a desenvolver em uma completa doutrina da dupla vontade de Deus, da dualidade e extensiva oposição entre o oculto e o revelado Deus. É uma coisa quando Paulo discute o endurecimento do coração de homens por parte de Deus sem imediatamente entender isto como uma rejeição final; e é outra coisa bem diferente quando Lutero não mais entende este endurecimento como uma transição para a misericórdia (como Paulo faz em Romanos 11) mas o interpreta como uma rejeição final. A doutrina de Lutero do Deus oculto, apesar dele a basear nas Escrituras, certamente vai além das Escrituras tanto em sua forma quanto conteúdo. O segundo dilema que os luteranos enfrentam é o próprio relato bíblico. A razão pela qual Lutero foi capaz de reunir argumentação bíblica que alegadamente sondava o conselho secreto do Deus oculto contra Erasmo é porque a própria Bíblia discute predestinação e reprovação. Para Lutero, estes ensinos bíblicos não eram obscuros. Para Erasmo, Lutero declara, O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos, discute estas mesmas coisas, não em um canto, mas publicamente e perante todo o mundo, da forma mais livre e mesmo nos termos mais duros, quando ele diz: “Ele endurece a quem Ele quiser” e, “Deus, desejando mostrar sua ira”, etc. (Rm 9:18, 22). O que poderia ser mais duro (para a natureza não regenerada pelo menos) do que as palavras de Cristo: “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos” (Mt 22:14), ou: “Eu conheço aqueles que eu escolhi” (João 13:18)? Nós temos isto, é claro, em sua autoridade que nada mais inútil poderia ser dito do que estas coisas, porque homens ímpios são levados por eles a cair em desespero, ódio e blasfêmia. Luteranos freqüentemente insistem que discutir tudo que é conferido em predestinação deve ser evitado. O Livro da Concórdia declara, “Se nós desejamos pensar ou falar corretamente e proveitosamente sobre eleição eterna ou sobre a predestinação e ordenamento dos filhos de Deus à vida eterna, nós devemos nos acostumar a não especular a respeito da absoluta, secreta, escondida e inescrutável presciência de Deus”. Mas, passagens tais como Romanos 8-11 investiga aquilo que luteranos dizem que deve ser evitado, incluindo a salvação de alguns e a perdição de outros. Efésios 1 se lança em uma extensiva alegria doxológica sobre a predeterminação de Deus de seus escolhidos, enquanto 1 Pedro 2:7-8 fala daqueles que não crêem “para o que também foram destinados”. O Senhor fala do conhecimento evangélico escondido dos sábios e prudentes, mas revelados aos pequeninos (Mt 11:25). Aqueles que não acreditam não são ovelhas de Cristo (João 10:26). Quando o reformado insiste “Deus de toda a eternidade decretou justificar todos os eleitos, e Cristo, na plenitude do tempo, morreu por seus pecados”(Confissão de fé de Westminster, Capítulo 11) e que “alguns recebem a dádiva da fé de Deus, e outros não recebem, por causa do eterno decreto de Deus” (Cânones de Dort, Artigo 6), a razão para tais declarações confessionais são declarações explícitas das Escrituras. Por James R. SwanLí no e-cristianismoUm Canal Reformado! Sempre reformando!

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